sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

domingo, 25 de dezembro de 2016

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

E como teria sido o ano para Charlie Brown?






Este ano foi um ano de puro desamor próprio, tirei pra esquecer de mim, em busca de "níqueis" de simpatia, de tantos acasos, infelizes ou enfadonhos em sua maioria, mergulhos no tristonho vazio, na utopia de, em meio ao branco absoluto, ser atingido por pingos de cores que fossem, 
mas outra vez não foi assim...este ano foi de breves momentos de sorrir, seguindo a solidão com força maior, sob a crueldade de falsas esperas no triste contraste com a realidade de anos e anos sem primavera, a quase que plena certeza de não pertencer à lugar nenhum, aborrecimentos e impaciência gratuita por conta da muita falta de sorte, na verdade, graça necessária para enfim ser notado, o patamar de "milagre" de ter alguém ao lado, lembra aqueles velhos dias onde foi chamado justamente assim:"Meu milagre", parecia ter chegado pra salvá-la da invisibilidade, mas foi só mais uma das tantas que se apavorou com a intensidade do coração e tanta coisa
presa, é, este ano tive a certeza de ter simplesmente aterrorizado bastante gente com a minha aura diferente de esperanças em demasia e tristeza, sim, este ano foi mais um ano de sentir-se menos esperto, repleto de tanto "partir" sem sequer perceberem que horas eu saí, 2016, acreditei, tentei e desisti...

domingo, 11 de dezembro de 2016

Insanidade dominical






Ah, quem dera tivesse desaparecido, reaparecendo só na terça, 
hoje é domingo, tédio garantido e antes que eu esqueça, bem, 
de qualquer forma até aqui ainda não consegui, tipo, apagar 
os contornos do teu lindo sorriso largado da minha memória, 
uma canção triste insistente e aquele pensamento constante 
de você contente entre estranhos, totalmente alheia aos encantos 
que lançaste feito decoração hipster nessa casa de desamor que 
sempre foi meu peito, odeio o termo "perfeito", meus sonhos se 
traduzem em simplicidade, eis a minha cidade no domingo, eu 
sou um cara esquisito parafraseando don Raulzito, "Ah, mas 
que sujeito chato sou eu que não acha nada engraçado, falsos 
sorrisos sob um sol de brilho opaco, ninguém que eu queira ver 
por aqui e eu acho tudo isso um saco..."

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Silencioso






Lugares ermos, lugares ermos, sons de lamento, a trilha sonora do vento, aqui como sempre falando comigo mesmo...neste instante me sinto distante e espiritualmente doente, estranhos vazios e uma dolorosa impressão de que ninguém mais sente, algo pesado no ar, a tonalidade do céu, sei lá, a sanidade esvaindo-se, uma cratera no estômago transformando-se num túnel, aeronaves, submarinos, sonhos alheios, tudo, tudo passa através de mim e sinto-me cada dia mais feio! Encaro o mar de modo assustador, como que prestes à me deixar afundar, sei lá, é uma saudade de cantinhos onde nunca estive, uma falta de sensações que nunca tive na vida, quem passa e me vê assim imerso poderia cogitar uma vibe suicida, mas só estou mentalmente à deriva nos mares suspensos do universo, bem, deixa, você não entenderia, não há pra quem confessar meus pecados de ingratidão, daqui eu vejo sorrisos de quem adormece tranquilo e continuo insone, a velha fome de pele, as pessoas fazem grandes planos, aquela coisa de fim de ano, espírito natalino e tal e ainda me sinto menino esquecido, o marasmo traga meu entusiasmo, não há para onde eu corra, porra, oh não, lá vem melancolia de novo, amarga brada a alma: Foda-se ano novo!

domingo, 4 de dezembro de 2016

O sorrir de um dispensável...






Veja o dia amanhecendo num país enlouquecendo, carnes vis, 
oi, meu nome é absurdo e irei aonde fores pela cidade de poucas 
flores e imbecis querendo chegar aos 25 e dizer que já fizeram de 
tudo, se dizem "astutos", se dizem "mente aberta"e eu vou vagando 
pela noite deserta desse lado da calçada da vida, me habituando a ser 
esquecido e aprendendo a duras penas a esquecer no bailar do meu doce 
enlouquecer e rodopio sob a chuva imaginária, na direção contrária dos 
"perfeitamente normais", pois há muito ela já me ignorava, mas quando 
decidiu olhar eu nem estava mais lá, enfim prestou atenção no céu noturno 
e sentiu o peso da escuridão, a textura do vazio, se viu lembrando, só assim 
pra fazer de mim "gente", agora caía em si que eu era alguém, considerava
o fato d'eu também ter um coração, sim, eles me chamaram "sem noção",
que meu nome é absurdo e o veludo do céu já desbotava, encerrava o final de 
semana, estava bem longe, já de volta pra casa ao som daquele dedilhado, 
"Central do Brasil", Legião Urbana...

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Na alegria, cantamos, no vazio...pedalamos



E eis então um coração em açoites, a noite de amores vorazes 
e luzes velozes passa vagarosamente por aquele vulto desolado, 
na mente sonhos alados de uma absurda distância, tipo lugares 
quase inventados onde ninguém possa encontrá-la porque não
há dispostos à ouvi-la, seus poucos confidentes já se embriagaram 
e festejam alheios ao frio do tremendo vazio interior, ausência de 
cor, negro cenário de intenso breu e a sensação decepcionante que 
nada é realmente seu, uma estranha, uma intrusa em transe com o 
desenho de uma carinha triste na blusa e cabelos ao vento nos movimentos 
da bicicleta em linha reta rumo à lugar nenhum, ninguém para encontrar, 
pedalar só pra esquecer até que a angústia fique pra trás e seja atropelada 
pelas avenidas da vida, muitos anos já de tantos "pelo menos", entre luzes 
velozes e amores vorazes restam ilusões de dias amenos, citações e batidas frases...

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Pode estar acontecendo agora...







À beira mar, à beira do décimo terceiro andar
daquele edifício duas pessoas distintas falam
ao mesmo tempo:"difícil!", moça e rapaz, ambos
sem par, sem paz; os pés massageados e beijados
pela água, lá em cima o vento sopra, sobra mágoa
e vazio, bate a tristeza e a certeza que aquilo que
tanto esperou não vem, resta acostumar-se a viver
sem e temos então um salto planejado, um corpo
se deixa cair entre as ondas e a menina volta à
sorrir com o sal na pele, o tédio que fere agora
deixou de maltratar e o menino desistiu do topo
do prédio, mas alguém tinha que morrer, deixar
de existir e foi no seu peito em revolta que aquela
ilusão de falsa candura foi sepultada e tudo que se
nomeava "sentimento", a glória do esquecimento
e agora em diferentes extremidades da praia,porém
na mesma direção eles caminham numa suave trajetória,
colorirá, que fim terá? Bem, acho que você já conhece
essa história...
 

sábado, 26 de novembro de 2016

terça-feira, 22 de novembro de 2016

"Noturnamente"






Torpe, noite torpe, olhos que encaram o nada, 
a carta escrita na madrugada leva a angústia 
do silêncio no envelope, a menina insone tem 
fome, mas não encontra conforto na geladeira 
pois está faminta de amores e longe de sentir-se 
inteira; tá foda, foda mesmo de encontrar alguém 
que queira realmente conhecê-la, na escuridão do 
céu a triste ciranda de estrelas e por conta da falta 
de fiéis confidentes um ouvinte imaginário resolve, 
o canto do grilo, o "click" de um revólver, saudade,
a sonoplastia da cidade, a cálida varanda, um divã 
ao som de Djavan, "A correnteza do rio vai levando 
aquela flor, e eu adormeci sorrindo sonhando com 
nosso amor"

domingo, 20 de novembro de 2016

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

sábado, 12 de novembro de 2016

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Singela, tão singela tristeza!







Pessoas de coluna ereta, postura de auto confiança,
o universo conspira, e eu cá nessas minhas andanças,
o pneu da bicicleta, os ponteiros do relógio, o mundo,
tudo, tudo gira, o tempo passa e cada vez vejo menos
graça na vida, e nesses desatinos, esqueci que o destino
sempre me quis só, mas na minha completa e irremediável
trilha de solidão, orei por um amigo, lembrei das suas filhas,
desejei abrigo, precisava tornar meu mal em bem pra alguém,
ah, Deus, preciso de dias mais amenos porque é muito "Pelo
menos" no meu caminho, agora o pôr do sol e uma única gaivota,
que nem eu, sozinho pela praia, enganos e uma lembrança "paia",
depois de você me tornei idiota pro mundo, nessa letargia de esperar
o amor dia após dia durante anos...

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

O bailar de um depressivo







As paredes do quarto se comprimem, solidão, claustrofóbica solidão! É mais um dia escuro acinzentado no meu mundo restrito de chão acidentado, cenário de Burton, galhos secos, árvores mortas, silencioso grito da alma em frangalhos e sorrio insanamente feito um espantalho vivo espalhando fotos pelo ar daquela que não há de voltar, um funeral de mim no peito da menina que um dia me fez sentir tão mais vivo, tanto, mas tanto tempo cativo de um sonho distante, é, eu sei, nunca mais serei como antes depois que tomei conhecimento desta porra de amor, ó dó, ó dor, a cada dia meu mundo enfeia enquanto lá fora nasceu mais uma flor, a tristeza me alcança na velocidade do bater de asas de um beija-flor, a cidade toda, toda colorida, mas o arco íris não vai até lá em casa...

sábado, 29 de outubro de 2016

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Vídeo de despedida

Ei, amigos, como vão? Mentalizo apreensivas caras tristes, imaginando do que se trata, a demora maltrata quem ainda me têm algum respeito, perdoa o mau jeito, a imagem não está nada boa, celular vagabundo,
o mundo continua girando ao redor dos que assistem e dos que ignoraram por "esporte", imaginações vão longe, lembranças de mim naquela velha bicicleta porque estava sempre de passagem, uma fiel metáfora da vida, as horas, os meses, os anos voando ligeiro, mudanças de temperatura e na arquitetura do bairro, como podem ver, não "evoluí" o bastante como tantos daqui para enfim possuir carro, é, o mesmo idiota simplório e sua inseparável trouxa de sonhos ilusórios nas costas, pouca gente gosta de mim, mas é bom lembrar que amor de mãe eu tive, cansei desse presídio ao ar livre, por demais grato à Deus por ter me guardado até aqui, não é suicídio, apenas cansei de ser um cão sem dono, eis um claro momento de abandono, deixarei meu velho eu nessa minha rua sem saída, ficarei e ainda assim estarei de partida, quase fim de mês, vou pra terra de céu sempre limpo e águas tranquilas chamada...sensatez

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

O acaso vencerá todos os descasos!






Uma vida de enganos, mais um dia sem grandes planos e ainda assim saí de casa pra sentir o verão, fazendo a cena de Amélie Poulain com áudio de Nara Leão, bolsos e mãos vazias, sem mais agravantes para ser convidado pro mundo restrito dela, pois não pertenço à classe, nem possuo o status que ela queria, ó, baby materialista, se diz realista, mas sofre quando descobre que amor não subsiste sem coração envolvido, bem que poderias ter ouvido minha declaração sob aquele temporal, sob a chuva lá fora e muito, muito mal, um excluído com o ego bem diminuído e você em sua cama quentinha, treinando sorrisos fingidos, agora estou voando noutra história, daqui de cima pude vê-la num parque abandonado, sozinha na gangorra, pensei no teu chão de solidão que eu lambi, desdéns e afins e concluí: M-O-R-R-A!

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Imagens caseiras de um coração partido em vhs







A ascensão de uma trepadeira em stop motion embelezando o muro alto de uma casa abandonada, a solidão vai virando vício, cena final de Thelma e Louise indo precipício abaixo, tal qual meu peito sem nada, ninguém ao lado, e mais um dia ensolarado, na certeza que eu não me encaixo nessas paisagens feitas exclusivamente pra gente amada, inserida em outros cenários de outros felizes, as cores refletidas no mar calmo são contrastes com a revolta cinza no vazio do meu mundo desabitado, um rejeitado à acostumar-se com a frieza das moças que sempre cruzaram meu caminho, esmolas de atenção ridicularizavam um coração intenso, sozinho na era de amores estereotipados, silhuetas contentes pela praia me faziam sentir caindo no esquecimento, "Por dentro da minha saia ou pelo firmamento", triste me via perdido no devaneio da letra, sentimentos que ficaram presos na carta que eu não tive coragem de mandar, ali na gaveta...






segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Ser diferente dói pra caralho!






"Louco, pervertido!", julgaram mal mais um solitário 
semi introvertido em seus desesperos patéticos de não 
ser mais tão só, uma alma fatigada à sombra das árvores 
pela calçada da rua escura, ironicamente definiriam "Frescura 
sentimental", mas é que eles nunca se aproximaram realmente 
de um doente emocional, nunca prestaram atenção no jardim mal 
cuidado no peito do pobre coitado poeta, eis a dita solidão em plena 
multidão, a tristeza do céu nublado muito o afeta, sim, estereotiparam 
o amor de tal forma que hoje em dia é super comum pisotear uma flor e
a sensibilidade vai perdendo no decorrer dos anos para a "praticidade" 
dos imediatistas, Deus, é muita preguiça e má vontade de sentir, as mãos 
enfiadas nos bolsos do jeans surrado, caminhando sozinho à beira do trilho 
à perder de vista o faz entender que só resta prosseguir, independente da 
falta de conquistas.

domingo, 16 de outubro de 2016

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Bossa solidão







As cores refletidas nas gotas de mar  
salpicam pés de solitários andarilhos, 
desprezada beleza gratuita da natureza,  
alguém sempre me esquece, como aquela 
visão que entristece, pessoas que mal notam   
o azul à perder de vista sobre elas, as flores choram 
dores particulares nos devidos vasos nas janelas sob 
a indiferença de olhares; ah, vida de vagar, sigo devagar,  
perdido por onde quer que esteja, a solidão me beija com 
lábios de batom e limpa meu rosto com cuidado antes de 
sair de casa, então ponho asas de ilusão nas costas afim de  
planar sobre um mundo do qual nunca pertenci, verdade seja 
dita, nunca cresci para poder suportar realmente o vazio da 
incessante busca e as incertezas ao longo do caminho, também  
nunca esqueci aqueles  sábios e duros versos de Antônio Carlos 
Jobim, ecoando pelos anos bem mesmo assim: "Fundamental é 
mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho".

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Universo paralelo de pessoas à procura de novas histórias






Estranhos rostos na estação de trem,  desconhecidos  vencidos contemplam a bucólica paisagem campestre de árvores de folhas  amarelas e frutas silvestres passando ligeiro, eu sou apenas mais um passageiro, sentado no último vagão, um café e pão passado à mesa, incerteza de minh'alma em farrapos, se devo ou não dedicar esses versos de admiração à ela escritos em guardanapos; 
me emociono com a afinidade imediata da borboleta que acabou de entrar pela janela com a minha gravata, a singeleza do meu querer sempre contrastava com o desdém da adorável vadia, fazia das minhas manhãs tão mais vazias, tanto até não mais poder, um belo dia suspirei e mandei mentalmente se foder, pois na sua débil esperteza juvenil, presunçosamente pensava que só ela tinha coração, lembrei da complexada e desprezada menina do último filme que eu vi e entendi que reciprocidade é uma inviolável necessidade para construir um lar de harmonia, por mais incerto que seja o terreno, preciso de atenção mais do que qualquer vã filosofia, humilde sonho porque querer ser pleno em vida é a porra de uma utopia!

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Design de inferiores





E lá se vai mais um ano, oh, não, outra vez aquele sonho americano do bom descanso, a árvore com balanço, nós dois, cercas brancas em volta da casa, de tão sensível que já foi, agora tornou-se rasa e não pela primeira vez ela fez da minha infeliz pessoa invisível, sim, ela é aquela que abomina minha poesia, no âmago do seu pleno nada enfim me deu alguma atenção, mera questão de cortesia; rainha do desapego, por demais maltratas meu ego toda vez que me entrego num olhar e ela checa o telefone ou apenas põe-se a bocejar, sequer sabe meu nome, mas despreza intencionalmente minha existência, nem sei porque ainda insisto em tentar, culpo o mar pela influência, lamentos, suspiros e frustrações de amor, na dor que é imaginar como seria seu beijo, pra ela a felicidade vem como uma cama de nuvens sobre o dia mais lindo de verão, e tudo que eu tenho é uma vasta coleção de "nãos" e da alegria...sobejo.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Otários como eu que te admiram à distância







Uma nova manhã, e eis a cena, acorda ela sem muita pressa, a delícia do romã que exala sua pele morena, o cabelo bagunçado, o jeitinho largado, sua completa falta de atenção é uma bala que atravessa o girassol de esperança que trago à mão, a beleza altiva matou meu cactus e me deixou sem alternativa, num ato de desespero tentei ser maior que o teu desprezo e me declarei...otário, te dediquei versos, tanto que falei de ti pro meu amigo imaginário, mas é que são muitos admiradores, o teu passatempo favorito é desclassificar amores, os pés sobre a mesa e ela maliciosamente contempla a fumaça do café, os lábios de batom escuro tocam docemente a borda da xícara privilegiada e do meu inferno eu juro pela quinquagésima vez que irei desabrigá-la definitivamente do modesto barraco que eu trago na mente...

sábado, 1 de outubro de 2016

Alma obesa




Um dia ela despertou ofegante de um pesadelo, sonhou que caminhava no interior de quem se sentia inferior à respeito dela, da janela da casa abandonada não via nada além de feias flores tristes em jardins mortos, árvores de folhas secas e galhos tortos, a chuva da graça ao longe, nem uma gota sequer de amor; perdida num vale onde ecoavam palavras de rejeição e versos desprezados pairavam no ar rodeando sua cabeça confusa, "ó dor!", dizia ela no desespero de sair daquela mente problemática, mas por estar no centro das atenções daquele pobre rapaz, não era capaz de achar a saída, à beira do lago esverdeado viu aves sem vida, caminhou sobre uma imensa folha de papel amarela com todos os pensamentos escritos sobre ela, possíveis conversas e sentimentos passados fracassados, sentia o ar pesado de melancolia, quanto mais ela lia o seu nome escrito nas paredes de um peito caindo aos pedaços, mais ela queria fugir dali, via cenas de abraços projetadas pelas ruas vazias, viu um muro pichado escrito: "O que seria eu pra você?", e "Tanto tempo sendo ninguém", chorou por saber o quanto ele já tinha andado só, e mais um novo pensamento, "Quem dera pudesses sentir um pouco da angústia que é ser um nada pra ti", agora uma canção de solidão, Radiohead, Fake Plastic Trees, "Se eu pudesse ser quem você sempre desejou", e foi assim que ela acordou, um alívio por saber que toda aquela inquietação não era dela, quis sorrir, mas acabou desabando no choro, lá fora chovia e em alguma parte da cidade por ela alguém sofria...

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Vencido(Letargia de um sofá após um "não")






Então mansamente  mar, o ritmo
das ondas em tom de valsa porque
há muito não se tem alguém pra amar;
do outro lado do asfalto eu vejo vencedores,
dentes à mostra nas redes sociais de tantos
seguidores, chorando pelas costas, porque não,
de modo algum eles podem ter feridas expostas
como as minhas na vida, uma extensa avenida
que divide nossos mundos, desprezam tudo o
que for profundo, não, eles não sabem o que é
a letargia de um sofá pós "não", aquela vontade
básica de desaparecer, adormecer por um mês
inteiro, sei lá, ser tragado pela televisão, tão, tão
fodido que já vaguei por esta terra com o coração
partido, como dói ser diferente e tão intenso, mas
os pretensos vencedores não podem demonstrar dores...

terça-feira, 27 de setembro de 2016

As inalcansáveis coisas mais simples





Amor pra mim significa "escassez", ninguém ao lado, enquanto mãos se dão pela primeira vez, ano após ano condicionado à solidão das paisagens urbanas, brisas à beira mar e os mais belos e incontáveis céus estrelados de fins de semana; daqui eu vejo o glamour dos casais e seus jantares chiques e eu aqui ingenuamente sonhando com piqueniques sob o luar da praia, colos, cheiros e amplexos pra fazer esquecer o amargor da melancolia de tantos sábados, um celular tocando várias coisas legais de Marley e Marvin, "a vida é pra valer, eu fiz o meu melhor", mas eu não aceito ninguém sabendo meu destino de cor, continuo crendo na magia de amores inocentes, anseio por histórias que comecem entre dois rejeitados, "sim, eu sei que vieram chuvas e noites cheias de céu vazio e vão", e dura ainda é para muita gente a trajetória até que enfim se possa pegar na mão...

sábado, 24 de setembro de 2016

O meu amor é estrábico




Eu vejo o sábado passar como quem perdeu
o último ônibus do dia, a sensação de perda e
falta de rumo nesse mundo de malandros, sacanas
e afins; ai de mim, ingênuo e ultrapassado "amante
à moda antiga", poxa, como eu queria me livrar desse
vazio sem fim, perdoa por assim dizer, um fracassado,
olhando pro meu interior, a dor da doçura que é sempre
sonhar só e então olhar ao redor e ter a gritante impressão
que todos parecem ter a manha de não se deixar levar, "mais
que anormal eu devo ser  pra ver você em todo lugar", e quantas
canções feitas sob encomenda pra infelizes, choro porque quase
sempre me enamoro por meras "atrizes", eu sou um estranho para
cada canto da cidade, constantemente eu vejo olhos mudando de cor
entre beijos intermináveis, reciprocidade certamente me é um sentimento
esporádico, bem melhor do que admitir "utopia", as coisas nunca foram do
jeito que eu realmente via, o meu amor, o meu amor é escrotamente estrábico!

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Eu




Só ando só, eventualmente converso
comigo mesmo sob o sol, todo dia a alegria
me erra, nada à ver com nada, pensei:" Por
onde andarão os sãos da terra? Hoje eu me
declaro viciado em tristeza, a alma maltrapilha,
dada a incerteza de mais da metade da vida feita
de amores vãos, para cada poesia o seu devido desdém,
o mundo é uma grande ilha, anos e anos mandando sinais
de fumaça para ninguém, às vezes eu penso que seremos
náufragos até o fim, célebre frase que nunca deixaremos de
ouvir"A vida é assim", o infortúnio me nomeou "poeta otário",
fui abandonado pelo último amigo imaginário, Bowie se foi...

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Ah, moça






A estrada ficando pra trás
no retrovisor do veículo prestes à deixar
a cidade, saudade, o reflexo do azul envolto
em algodão naquele prédio espelhado e só Deus
sabe o quanto a moça têm esperado por um coração
gentil junto ao seu, a cidade em movimento, o vento
vadio sopra entre o morro e o mar, tardio o socorro à
menina vazia no banco de praça sem ter com quem conversar,
ninguém mesmo aparece, a simplicidade parece um sonho distante,
na praia ao longe a silhueta de um rapaz solitário no mesmo instante
em que ela atira pedrinhas na água, mágoas e frustração assombram
a sua mente e interferem em sua oração, o quarto todo, todo branco,
o pleno nada, nada pra esperar, nada de novo pra contar aos poucos
amigos, quantas vezes rejeitada, arde a tarde, o peito esfria, lágrimas
na caixa de esfihas, o dia demora à passar, quem dera a solidão também
fosse embora, mas ela não desiste assim tão fácil dos mais frágeis, a lua
no abajur, a cama na areia, rareia a lembrança dela na mente de muita gente, "insignificante", leu em muitos olhares no decorrer da vida, agora sorria como uma rainha sem súditos, sentindo-se outra vez importante naquela praia deserta, o abandono já não lhe afeta, em alguma parte da cidade mais um feto está por vir no exato momento em que ela escreve no bloquinho de notas que a prioridade é o afeto...

sábado, 17 de setembro de 2016

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Um rolé com Cazuza




Meados de noventa, amores de escola
que eu não consegui, "o nosso amor a
gente inventa", trazia essa canção à mente
e mentalmente chamava-a "querida", "todo
o amor que houver nessa vida", e assim cantou
o menino Agenor sobre a utopia dos meus sentimentos,
eu tão calado com hálito de mentos em algum canto da
sala de aula, anônimo, antônimo de "descolado", lembrei,
uma professorinha até me chamou de "sonso", algumas vezes
de "cínico" e eu era só muito tímido, popular nunca fui, até hoje
muitas não sabem o que realmente flui no silêncio dos meus delírios,
desde os tempos que sentava na carteira atrás dela, pensando em lírios,
de rejeições bem entendo e a cada fim de angústia acabo agradecendo,
"Obrigado por ter se mandado", felicidade sempre foi não sofrer mais,
"solidão, que nada", aprendi, o que acabou, acabou, penei pra caralho, mas
depois sorri por conta do desnecessário, bem,"faz parte do meu show", até
me acostumei à ver gente partir, peço licença  à Elis, pois tudo que eu mais
preciso agora é "dormir pro dia nascer feliz"...

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Feriados e fins de semana(Repudio muito tudo isso!)



Céu de nuvens vãs, meninas são astutas e
meninos são filhos da puta; ao longe o mar,
e de lá, enquanto nado, vejo uma cidade que
se transforma, perdão, deforma, meus braços
se movem e a mente divaga, "Não há vagas",
constantemente leio esse anúncio em corações
escancarados e fechados ao mesmo tempo, muita
gente se diverte enquanto descarta olhares de encanto
e cartas de amor vindas de universos tristes de quartos
trancados, aos que duramente esperam e mais ainda aos
que se desesperam pela falta de novidades a cada nova
manhã, meninas são astutas e meninos são filhos da puta,
e todos sorriem sob um céu de nuvens vãs...

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Dúvidas, dívidas e dádivas







Fim de noite, um ponto de ônibus, cálida e fria a madrugada se aproxima, traz consigo a lembrança da incompatibilidade de sentimentos e toda sorte de pensamentos incertos, afim de tirar calma daquele único ser num raio de quilômetros, ninguém por perto, o transporte demora e essa maldita incerteza sem a mínima pretensão de ir embora; em alguma parte da cidade ela adormece, esquecendo da sua pobre existência, os versos dedicados nada dizem, ainda que super delicados, a gélida bela moça ignora o abismo que a sua falta deixou com a repentina ausência e apenas vira pro outro lado da cama na beleza do sono tranquilo, os grilos cantam e não espantam os males que a solidão causa naquele rapaz à espera do ônibus, incontáveis são os dias de inquietação na sua vida, nunca teve uma dor realmente dividida, sempre superou tudo sozinho, com a benevolência de um mar gratuito e uma praia vazia pra estar, as ciclovias de domingo à noite o bem entendem, finalmente ele conseguiu chegar, tudo o que ansiava era estar em casa pra poder sofrer em paz, a saudade quase fez ele esquecer da janta, mas com muito esforço se alimenta e já sente alguma melhora, agora vem aquele receio de dormir e sonhar com ela, só que o medo da insônia o aterroriza mais ainda, enfim os olhos pesam e uma estranha paz invade aquele quarto de frustração, como uma louca necessidade de liberdade, um sono pesado sem sonho, o corpo desfalece, enquanto algo renasce dentro daquele menino simplório, e eis o dia seguinte, a luz do sol novamente o interessa, desperta sem muita pressa, o colibri esperto veio à janela pra celebrar junto a volta do seu amor próprio, amanheceu, advinha quem enfim afortunadamente esqueceu?

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Dormir...






Vozes, muitas vozes, a vida corre solta, olho em volta,
caos e multidão, sonâmbulos perambulam na solidão do
dia, outra vez a calma adia a visita ao lar de inquietação
chamado coração; muitos sonham acordados pela cidade
em transe, as pessoas e seus determinados destinos, insone,
sem paz e sem nome vaga o menino perdido, tanto pra deixar
para trás e não olhar jamais, os pobres pés calejados pelo pedregulho
do orgulho, e lá mais nada floresceu, hoje anoiteceu  no interior de muita
gente, fotografias e declarações perdidas, sentimentos incinerados, muito
de passado apagado, esquecimentos e tal, tudo não passou de um dia mal,
recordar agora é crime, encaro a vitrine e fico meio sem jeito, lembro que
ainda tenho várias imagens a serem deletadas do banco de dados do peito,
o cheiro de pétalas  no ar, as pálpebras enfim pesam, eu tenho muita gente
pra esquecer, olho o meu reflexo mais uma vez e me entristeço com as primeiras
rugas, ah, doce escape, nem lembro mais como era ter skype, e não, eu  não sou
o único que planeja uma fuga até antes do amanhecer...

sábado, 27 de agosto de 2016

Coração nômade






Eu sou o branco dos olhos, o vago olhar do palhaço trajando
seu velho terno amarrotado num parque abandonado, mesmo
sob um céu de verão, ainda assim pertenço ao inverno; eu sou
a última carta guardada de lembrança, o envelope "amarelando"
nas profundezas da cômoda da menina que seguiu  em frente na
vida, sou ex-amor, ex-amigo, carrego sempre comigo um utópico
sentimento cego porque os que bem enxergam não têm o ilusório
benefício da surpresa, eu sou invisível fugindo desesperadamente
do previsível, eu sou a incerteza de "quem deixou a segurança do
seu mundo por amor", eu sou o abrigo encontrado no peito do meu
traidor, sou fã de Cazuza, sou fã de Renato, sou anônimo, sou abstrato,
nem azul, nem castanho, eu sou um estranho com o peito cheio de abrolhos,
sou neutro, eu sou o branco dos olhos...

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Dai-me uma porra de estrutura!





O dia claro, a alma escura, não é
mera frescura sentimental quando
o peito se sente mal, a melancolia
da imagem da guria me tirou toda
a graça do sol, o ódio mortal que tenho
desses débeis "joguinhos" de amor, e a
minha disposição dia após dia se deteriora,
a moça cada vez mais bonita e a minha saúde
mental piora; não sabia mais distinguir entre
realidade e violentos devaneios, do terraço eu vi
pássaros de aço sobrevoando um céu em tom lilás,
do alto deste prédio de Niemeyer feito de peças de
lego, me pego pensando na estranha moça do Sul,
sempre me aparecia tão carente, mas me esquecia
de repente, e foi na névoa das lembranças esvaídas
que aproveitei pra tocar a vida porque ela não passava
de um desgaste para os meus ossos, linda e corrosiva,
atenciosa quando me distanciava, evasiva sempre que
me declarava, a alma escura, o dia claro, e peço a Deus
todo santo dia um pouco mais de estrutura à espera desse
tal amor raro...

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Um interno na ala dos vencidos







As pessoas ao redor deixaram de acreditar, mas
meu coração ainda sente, só que não mente mais.
Nas milícias da mente, em uma introspecção, um dia
cheguei à conclusão que me faltava malícia, à espera
de nada, por muitas vezes fiz da ilusão uma ponte que
me levava de volta à estrada por onde os felizes trafegavam,
meus olhos sempre negavam as rejeições, inventando cenários
por onde passeávamos de mãos dadas, lugares lindos por onde
a gente se perdeu, a doce moça imaginária e eu; em minhas fantasias
tudo o que eu ouvia era a voz suave dela e o canto dos pássaros, o que
na verdade era apenas o som da minha risada que ecoava naquele ambiente
fechado, já há muito, muito tempo internado, e talvez ninguém mais ouça na
cidade, talvez ninguém mais saiba que sob essa camisa de força ainda existe
um último resquício de lucidez chamado...saudade.

domingo, 14 de agosto de 2016

MM's dream(Sonho de Marisa Monte)






Sonho da estradinha vazia, "nenhuma pessoa sozinha ia, nenhuma pessoa vinha",
versos do alcoólatra melancólico pelo chão de terra batida, um estranho cenário bucólico tão longe da terra prometida, e mesmo assim tudo ali denunciava o quão não andava bem, e "se ela me deixou a dor, é minha só, não é de mais ninguém"; entre árvores de galhos secos e folhas mortas caminhava sem pressa, nem muita vontade de viver, e o que mais podia fazer? O breu daquela noite de abril me encarava de uma forma incômoda, daquele dia então lembrei, "e quando perguntei, ouvi você dizer que eu era tudo que você sempre quis, (Bem que se quis), mesmo triste eu tava feliz", sempre às voltas com a ilusão de ser enfim alguém pra alguém e não há quem realmente se importe ou entenda, talvez eu até aprenda, mas é quase certeza que nunca, um vazio sem tamanho e só pra esclarecer, "na verdade não consigo esquecer, não é fácil, é estranho", então amanhece o dia, o pesadelo se transformou em apelo, permanece a mesma esperança que o pobre otário tinha, "o meu coração é um músculo involuntário e ele pulsa por você, um dia eu vou estar contigo e você vai estar na minha".

Referências(canções):Alta Noite, De Mais Ninguém, Ainda Lembro, Não é Fácil e Eu Sei(Na Mira)

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Devaneios na varanda do mundo





Mãos no queixo e me deixo perder no longínquo universo dela,
reclinado na varanda do mundo, nostálgico como há muito não
tenho estado, cruel por demais é a distância de nossos estados,
mas é que durante todos esses anos aqui não encontrei quem me
visse assim tão por igual como ela me viu em suas noites solitárias
de quarto; indiferente o céu sorri de canto de lábios com a lua minguante
no preciso instante que nossos olhares se encontram no espaço toda vez
que a gente encara o absoluto nada, e a cidade vai perdendo a graça à cada
final de semana, gente, drogas, passeio, nada disso me anima, o clima é de
saudade ao som de "Sol de primavera", me sinto meio morto, e sobre o tão
sonhado dia de buscá-la no aeroporto, ah, quem dera...

domingo, 7 de agosto de 2016

O doce exercício que é recordar o que enfim passou...e continuar agradecendo.




Havia uma pista de dança na minha cabeça
cheia de gente movendo-se ao léu num triste
transe, era uma angústia que não me permitia
notar o brilho do sol nem aproveitar a beleza
do céu, era uma dor constante, um vazio a cada
pensamento, um contratempo como uma coleção
de vários exemplares do mesmo livro na estante;
pela estrada melancólica eu dirigi lentamente ao som
da mesma canção irritante, não era possível desligar
o rádio, não me era permitido acelerar nem parar o
veículo e seguir à pé, a fé diminui e o mundo roda,
a meta era sumir, esquecer quem nunca me permitiu
na mente foi bem foda, mas quando dei por mim já era
agora e a imagem dela já não me trazia nenhuma emoção,
podia ouvir qualquer coisa à respeito sem sentir o coração
como um lar desfeito, levantara dentre os escombros da
casa de sentimentos vãos que um dia desabou sobre mim,
havia voltado a tranquilidade da escuridão onde era possível
deitar e dormir sem mais assombros...

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Um portal para o recomeço





Tentava mas não conseguia lembrar aonde estava, em alguma parte da cidade deparei-me com um estranho beco sem saída, era a lateral de um prédio velho com paredes de tijolos vermelhos e um desenho tosco de uma porta, num impulso me aproximei e curiosamente pude abri-la, com certo receio adentrei aquele lugar surreal e à primeira vista nada encontrei, era um espaço completamente em branco, tipo o nada absoluto, aquele lugar era minha completa perda de memória...lá eu nada recordava, não havia alegria, nem dor, era um ambiente incolor; tateei possíveis paredes invisíveis quando percebi que meus dedos tinham formas de lápis de cor, senti liberdade de inventar um cenário, criei uma casa bem modesta afim de receber meus amigos imaginários, mentalizei até um amor gentil pra mim, alguém de beleza e estatura mediana, tímida e tão simples como a flor que eu desenhei no vaso da janela, tinha real interesse na minha pessoa, não tinha dedos em riste, nem tampouco olhos de acusadora, tinha ares de protetora, uma companhia realmente agradável, nossos nomes já nem importavam, não era incômodo algum a falta de assunto, aproveitávamos o silêncio juntos, mas quando estava prestes a sentir o calor dos lábios dela meus olhos abriram e a única visão que eu tinha era do teto, tristonho despertei de um bom sonho, era uma manhã de segunda, o primeiro dia de outro ano incerto...

sábado, 30 de julho de 2016

Um abençoado desmemoriado(Preces e mais preces)







Ares de solidão, uma multidão de rostos 
nada familiares, uma estação de trem e um
lugar qualquer pra tentar ficar bem, e como
havia dito, "Nowhere Man" dos Beatles nos
meus fones porque até teu nome desejo assim
ardentemente esquecer! O som de estranhas vozes
me deixa inquieto, ironicamente não tenho mesmo
um destino certo, cega e desesperadamente quis porque
quis fugir daqui, como se as tuas lembranças não fossem
me seguir assombrando, impregnadas na minha sombra,
poxa, como dói saber que agora chove, mas você não desaparece,
enquanto me esquece em pesadas pálpebras de sono profundo, uma
cena de dois quadros lado a lado mostra ambas as realidades, tua plena
paz e a minha clara infelicidade, ó Deus, eu vou trocar de vagão, quero
deitar na segurança de uma cratera na lua, um frio cômodo em algum
recife de corais na parte mais afastada do oceano que seja, que é pra
ver se engano a mente do incômodo que é qualquer memória tua...

quarta-feira, 27 de julho de 2016

A balada do filho da puta





Diria "escassez", tenho os olhos cheios de fúria e
frustração, quase, quase, daí brusca ilusão outra vez,
sequelas de uma estúpida busca, a solidão me faz pagar
um alto preço, pareço calmo, mas estou à meio palmo de
uma queda livre desse abismo de inoperância que cavei no
decorrer dos anos, por muito, muito tempo fui órfão, amor
de mãe até tive, mas é que eu sou um cara sujeito à enganos,
lábios sussurrantes põem meu coração em contradição, "De boas
intenções o inferno tá cheio", então acho que já ganhei o céu, eu
sou um tipo feio e mentiroso, dizem que minhas palavras têm um
mel duvidoso, dizem que é só doçura fingida, dizem que eu preciso
dar um jeito na minha vida, bem, todo mundo aparenta saber viver
melhor do que eu, um pouco de ironia sem falsa  modéstia, os bem
vestidos me desprezam, a sorte me detesta, roupas e alma rota, é outra
noite de céu desnecessariamente estrelado, o ódio à minha própria pessoa
é de um coração sequelado, meras lógicas, que pena, eles apenas não sabem
dos vazios meus em dias assim, e se ainda não dei cabo de mim...graças à Deus.

domingo, 24 de julho de 2016

Sabe quem passa, sofre quem sente...





Diferentes ângulos do verão, piscininhas de poças,
pazinhas de areia e biscoitos, crianças correndo à beira mar
e sentimentos corroendo o peito daqueles que não têm a quem
amar por conta dos contratempos, imagens vintage de super 8,
e os borrões de recordações vão sendo registrados no caderninho
do tempo,o domingo, um cantinho, "A vida é muito longa quando
se está sozinho", disse aquela canção do Smiths, o amor sob os
diferentes ângulos do verão, os que têm em abastança e aqueles
que nunca verão...

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Era(pra ser)você...





Corvos nos galhos secos, anos sem receber visita, estorvo, codinome parasita, temporada de caça aos tolos, abandonados fomos em plena noite na floresta, resta-me pouquíssimo tempo, hoje eu abri mão do benefício da dúvida e estranhamente me contentei com a idéia de morte certa, insanamente sorrindo sob a luz vermelha que sai dentre as árvores mortas em direção à minha testa, uma pena para os pobres credores, deixarei pendente tanta dívida, mas feliz por não estar implorando pela minha vida, em meio ao caos daquele fim de semana pensei na covardia humana e súbitas mudanças de opiniões em situações extremas, a bondade ante a necessidade não deixa de ser um infeliz estratagema, alguma vez você já se perguntou quem realmente és há poucos segundos do pressionar do gatilho, o que você faria ou se tornaria para fazer desaparecer a angústia e o desespero? Só penso que ao invés de beneficiário poderia ter sido um pouco mais filho, uma vasta coletânea de sorrisos de criança me conforta, mas não importa, se puder ser instrumento que sacia a ira, pôr um fim na guerra, nem que custe a minha existência na terra tá valendo, antes do "click" um último pensamento, a singela imagem dela olhando pra mim da janela, a câmera dá um "zoom", era pra ser você...boom!

quarta-feira, 20 de julho de 2016

De volta à "camalândia"....




Ouça a triste melodia da brisa, ares de Carpenters, diga então
o que acha e pense à respeito do que realmente precisa; cabisbaixa moça,
olhos marejantes por trás das lentes dos velhos óculos, um suspiro irrompe
aquele cálido ambiente, sente muita raiva e desprezo por si mesma e bem menos
esperta em plena biblioteca, imersa em pensamentos, fragmentos da conversa da
noite passada, a honestidade dos sentimentos relatados à mais uma pessoa errada,
dez anos passados sem novidades, novamente "vômitos" em seu diário esquecido
por alguns dias em seu armário por conta da ilusão, poderia ser o tão esperado momento, só que não, como ela quis desta vez não ter razão, olhos gentis, fúria e frustração interna, ataques de ansiedade e ela não consegue parar de sacudir a perna, a quase certeza de que não há quem se importe, assume, bem menos forte do que de costume, segunda feira e ela desejaria de todo o coração poder dormir como se estivesse morta a semana inteira...

domingo, 17 de julho de 2016

Fotografias e músicas que te trazem à memória(Um viciado)






Um colírio para os olhos, um martírio,
fotografias dela, por entre vielas e ciclovias
da minha corrente sanguínea até a linha do
horizonte onde são audíveis os ecos do vazio,
"Um dia frio, um bom lugar pra ler um livro",
e tanto que eu lia, mas é que nunca me livro desse
maldito vício de melancolia; no meu peito pulsa um
estranho desejo de não estar totalmente bem, que é
pra tristeza não perder a validade, não, não é mito,
em cada canto da cidade um desencanto e um esquisito
como eu à procura de amor aonde não existe, senão não
tem graça ouvir música triste, um doloroso e singelo querer,
universo paralelo de gente absorta no passado cá com nosso
desamor próprio declarado, a diversão da autocomiseração,
yes, nós somos um povo faminto pelo "quase", fodam-se as
fases e frases de amor, mais nos apetece a ilusão de ter e perder
que é pra Deus ter "peninha" de nós, alguém aí disse "patético"?
Raquítico, esquelético entusiasmo pra não revelar a verdadeira
identidade do marasmo, e quanto à vós que sois amados, valorizem
e sejam gratos, sábias palavras de um pobre viciado...

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Invernos sentimentais(Primavera, quem dera)





O inferno de invernos sentimentais,
uma vasta coleção de memórias tolas,
parecia invencível, mas agora sou apenas
invisível, tanto que se emociona ao longo
dos anos e ainda assim nunca funciona;
do outro lado da calçada do mundo alheio
eu vejo um sol suave e sem receio, folhas
coloridas nas árvores, a singeleza das aves,
toda essa paisagem ao redor dos bem aventurados
de coração, risos e palmas, do lado de cá o frio me
açoita a alma como uma espécie de abstinência, a
cidade se traduz em saudade em plena a noite alta,
mas que porra, como eu sinto falta!

domingo, 10 de julho de 2016

A saber que o "nunca" também pode ser possível sim...





As luzes da noite passam por mim,
imerso estou em pensamentos, atônito
pela cidade em constante movimento, oi,
eu sou o pobre cronista, não carrego lápis,
nem papel, minha linha de raciocínio vai sendo
escrita no céu enquanto admiro, só tenho mais
uma alternativa contra a falsa expectativa, pena,
não mata, mais maltrata pra caralho, ei, cara, me
encara a lua vil, "Ela Partiu" no autofalante do automóvel
em frente ao bar, diários de asfalto: Meu peito doeu e fui
pedalar, ela lá me esquecendo em seu quarto neon e eu aqui
fugindo da escuridão, as constelações e as ciclovias, esse é o
meu jeito de não ser morto pela maldita solidão!

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Versos desnudos







Vivo pra esquecer...os raios do entardecer
atravessam meus dedos, que eu sou um perdedor,
bem, isso nunca foi segredo, encaro minhas mãos,
e após tanta espera, ainda sem nada, olha a tarde
outra vez indo embora da cidade, a saudade arde
no peito quase que constantemente e o seu rosto
ainda me assombra a mente, os últimos vestígios
de sol, lá vem, lá vem a escuridão outra vez, e já
alguns anos em par com a solidão, nos conhecemos
nem sei quando ou onde, anos tentando dialogar mas
ela nunca responde; olho pra trás, minha vida é uma
zona e a estrada de sonhos ingênuos desmorona à
medida que fujo de onde me sinto dispensável, eu
sou um tolo prendendo o choro porque até hoje não
conheci amor sincero, mas não me desespero não, pela
ciclovia eu vejo ao longe um simpático casalzinho de
bicicleta, parecem um só amor, e eu poderia dizer "Please,
não morra!", mas de tanta perda, eu apenas os observo
desaparecer na esquina e digo à mim mesmo"Foda-se
essa porra!".

sexta-feira, 1 de julho de 2016

E essa passagem da minha vida eu chamo de "Sendo um perfeito merda!"






Insone às quatro e pouco da manhã, salvo eu fui de um surto pela visão do céu perfeitamente estrelado lá fora, das varandas dos meus olhos expostos a ciranda de estranhos rostos tristemente dançando em minha memória, tantas faces de rejeição ao meu pobre coração pedinte, poderia ter sido amado por ser bom ouvinte, poderia ter sido "descolado" se tivesse grana e posses mas minha hirsuta barba e minhas tatuagens só me dão essa desprezível imagem de um filho da puta, me pego achando graça toda vez que me olham como uma espécie de "ameaça", não, cara, eles realmente nem imaginam sob quantos dias dignamente ensolarados e quantas noites absurdamente enluaradas de lindas eu vaguei tão só e nem sei quantas ainda andarei e lógico que não interessa, daqui avisto uma vasta multidão acotovelando-se aos tropeços à procura da felicidade e continuo caminhando sem pressa, sendo maldito e conformado, um dia eu achei que alguém realmente gostasse de mim, nós dois  num jardim com odor de lavanda, deitados numa toalha de piquenique implorando que fique, canta um canário enquanto lábios aproximam-se, mas quando dei por mim não existia mais "tu", pena, apenas um sonho triste, um otário e efeitos especiais da tela azul...

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Um dia a sorte me sorriu...ironicamente.




Oh, céus, por que o sorriso dela tinha 
que ser assim tão,  tão admirável, pena,  
é apenas mais um dia sem cor ao redor  
deste miserável covarde, o meu coração  
é uma espelunca visitada  na tarde do dia  
de são nunca, pela centésima vez o meu melhor 
foi  reduzido à nada, acho que peguei no sono no 
fundo do ônibus, quem  dera tivesse sido abduzido, 
tragado desse chão de má sorte, da janela ouvi qualquer 
coisa sobre esperança, porra, fica cada vez mais difícil 
acreditar nisso quando sempre se tem toda doçura transformada 
em mera desconfiança, às vezes eu chorava nas minhas preces de 
fim de noite enquanto pedia, pedia, pedia, pedia e quando via já era 
outro dia, mas depois de tanto apelo, o meu penar de solidão foi então 
reconhecido, logo após ter lambido meu cotovelo, eu sou uma criança 
de colo abandonada num parque, as nuvens passam, a terra gira e na 
graça de Buarque, "Chego a mudar de calçada quando aparece uma flor  
e dou risada do grande amor...MEN-TI-RA!"    

sexta-feira, 24 de junho de 2016

segunda-feira, 20 de junho de 2016

O mar não quis me levar




Mar de sal, saudade de amar,
um lamento pela desértica praia
de cinco e trinta, sob o pálido azul
planejava um afogamento, até já podia
sentir as tintas da minha alma espalhando
pela água enquanto flutuava e descoloria,
idiota, quem diria que um dia a falta de vontade
de viver bateria minha porta! Era um dia tão bonito
e eu tão feio, todas as coisas pareciam funcionar bem
para quase todo mundo e outra vez sentia-me aquele
velho inútil sem direção, pensava em diversos rostos
de rejeição aos meus versos e tanta gente fútil sendo
amada sem muito esforço, queria ter tido uma filha,
queria muito ter formado uma família, ao longe a cidade
já se agitava e nessa pressa de viver ninguém notava que
eu estava de partida, mas o sorriso tranquilo da minha mãe
falecida há mais de dez anos me fazia desistir da ideia, a paz
que um ilusório amor nunca me trouxe, "As rosas vão murchando
e o que era doce acabou-se", subitamente esqueci incontáveis
desprezos, já não tinha mais nenhum sentimento preso, aquele
brilho no olhar voltou, agora parava de me importar, amém,
aquele samba de Chico Buarque me salvou...

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Friezas que apagam existências, ecos de palavras que assombram





Sexta-feira, foi só mais uma semana inteira
de vazio e mais nada, etílicos e seus devidos
copos, faltas para seus devidos corpos, pra onde
eu olho só vejo alegrias forçadas, olha ali sentada
na nuvem cinza o semblante da melancolia, uma
saudade cortante da tua fisionomia; ode à simplicidade,
a cidade parece sentir as dores das minhas perdas, ela
separou um cômodo da casa para armazenar toda sua
boa sorte e eu não sei mais onde guardar tanta pedra
que ganho, bom seria se eu lhe fosse apenas um estranho,
mas de tão admirável ela preferiu fazer de mim um pobre
dispensável sob as lentes da máquina fotográfica delatora
do sol, tão, tão só, não, não é mera frescura sentimental,
lhe tenho apreços, amplexos e bastante zelo, ah, como me
maltrata a lembrança da textura bagunçada do teu cabelo...

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Infelizes anos, últimos instantes de glória




Seu nome era "vergonha alheia", leia na lápide
o epitáfio, a história de um homem tornado cão,
dez anos desperdiçados de maldição com sua alma
ainda humana, de tempos em tempos falando de amor
à muita gente estranha, mas não havia quem prestasse
atenção porque a voz não acompanhava seus pensamentos,
dormia ao relento e ninguém entendia seu choro porque ele
só latia, sempre a se entristecer em cada esquina ao ouvir
sobre grana e sentimentos numa mesma frase, tão verdejante
a grama que deitava e a rejeição o deixava cada vez mais cinza;
o sol o esqueceu, um dia ele adoeceu de falta de fé, mas aquela
estranha mulher simples com ares de anjo hippie, desprovida de
bens materiais e todo seu singular apreço por animais o acolheu
no recanto de seu colo, se pôs no lugar de um carente e o fez voltar
a ser gente, a última visão de glória antes do último suspiro, o reflexo
do azul celeste na lágrima que escorria no rosto dela e assim o sofrimento
terminava, não havia mais espaço para fingimentos de dó, nem máscaras
de pessoas doces ao redor, partia com a bonita certeza que alguém enfim
se importava...

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Nostalgia do idiota






Faz já algum tempo atrás,
antes dos amores se tornarem tão inacessíveis
e eu tão insignificante, quando os sentimentos eram
visíveis a olhos nus, sim, uma vez eu fui importante;
havia uma menina que magicamente se debruçava na
janela como uma flor no cabelo da tarde e enfeitava o
vazio do meu peito, fazendo-me sentir menos covarde,
aos olhos daquela mulher eu não era um qualquer, um
perigoso lunático sujeito à cuidados, desconfianças, à vista
daquele olhar simples eu era um estranho interessante, uma
criança problemática e singular digna de um cuidar e me entoava
canções de alento no silêncio da sua presença constante por onde
eu andava porque ela realmente andava comigo, com ela eu não tinha
o ego maltratado de um reles rejeitado, perto dela eu nem era mais
esse mendigo sentimental, o que tínhamos era doce e inocente porque
do contrário do mundo, ela me tratava feito gente, segundos que flutuei
e os anos passaram, rosas murcharam, hoje em dia amores custam tão,
tão caro, restaram-me só as memórias para entender que "raro" não se
encontra em qualquer esquina, era uma vez um anjo que virou menina
e me protegeu de mim mesmo, era uma vez, mas só uma vez...

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Misérias de uma espera vã....





O final de semana, a vida lá fora,
as portas entreabertas da casa abandonada,
cá meu peito infeliz sem nada, minha fé se
deteriora e a ferrugem vai tomando minha
bicicleta, as paisagens urbanas vão passando
por mim assim como os anos velozes e bem
como todos vazios corações vorazes sob as
mais belas noites sigo abandonado, o asfalto,
as luzes das avenidas vão ficando pra trás, eu
quero asfixiar, eu quero afogar tudo o que meu
coração me apronta e aponta como ilusão, lamentos
pelos meus mais sinceros sentimentos vãos, como dói
sonhar um sonho de dois sozinho, e não, eu já nem sei
mais se ainda espero ver ela voltar...