sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Ser irrelevante...




Deliciosamente perdido nas curvas dos teus lábios 
pela terceira vez só esta semana, não, não foi um sonho 
sacana; vejo a noite entre as venezianas e imagino teu corpo 
em movimento, imagino música alta e passos lentos enquanto
ignoras minha existência, silenciosamente te peço perdão pela 
falta de insistência, mas é que por toda minha vida tudo que eu 
fui foi esse poeta otário, você pelo contrário é assim tão obstinada 
e cheia de beleza e desdéns, tão maravilhosa me fazendo sentir um 
ninguém, que acabo sendo eleito dentre os meus amigos imaginários 
"rei dos tolos", uma lágrima percorre o rosto, mas nem faço cara de 
choro neste instante, é apenas a dor da insignificância, um pobre amor 
irrelevante sob um céu de nuvens turvas, bem, eu poderia convidá-la para 
um banho de chuva, têm sido lindos dias invernais, mas tem essa porra de 
timidez que me limita, dia sim, dia não ser eu mesmo me irrita!

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Isolamento...





 

Há muito, muito tempo atrás Louis cantou 
sobre o tal "Mundo maravilhoso" e me punha 
à desculpar-me por não poder senti-lo, e nos versos
daquele poeta urbano, "Chuva cai lá fora e aumenta 
o ritmo, sozinho eu sou agora o meu inimigo íntimo", 
no silêncio da mente, disse o ninguém assim meio sem 
jeito à sua adorada:"Seria ótimo ao menos uma vez não 
ser o último, lindo seria se tomasses conhecimento de tudo
que meus olhos dizem sob encantos ao teu respeito", mas eis
que ela já desaparecia a passos lentos pelas calçadas de outros 
pensamentos, irônico, o destino é irônico, mansa e maliciosamente 
sorrindo dos meus pobres ares platônicos, do zelo quando versava 
sobre o teu cabelo, da claridade que teu olhar  trazia-me à alma e 
ela sequer sonhava sobre o efeito que surtia só em cruzar meu campo
de visão, Deus, não me deixes surtar ou morrer sozinho em frente à 
televisão fora do ar...

domingo, 25 de dezembro de 2016

Fodidamente ouvindo Tim Maia...






As avenidas nas noites de domingo e é a tua face que vejo a cada esquina, o vazio de uma espera vã, doido que chegue logo amanhã só pra não ser mais hoje, meu maior consolo são minhas próprias declarações de amor, como poderia ela não gostar, digo, cara, são pedaços de mim, é uma constante explosão de cores em sofríveis contrastes com meus dias em preto e branco, tanto à exalar, uma rua inteira de sentimentos pra compartilhar, jardins semelhantes, cercas e gramados, sonhos granulados que ela insiste em por em segundo plano, ah, se me notasses, quem dera, "Trago esta rosa(para te dar)", Tim Maia, "Primavera", me olhar outra vez não quis, sei lá, talvez não pode, ó, esse maldito vazio de uma espera vã e eu aqui doido pra que chegue logo o amanhã só pra não ser mais hoje...

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Uma rosa quase inexistente








Anseios, noturnos anseios deixaram-me insone 
e eis que então amanhece, daí desesperadamente
fujo para o mar, manhã de terça, preces sobre preces 
para que não te esqueças, por onde andas? E não só
por mero obséquio, mas por um grande préstimo ao
meu coração surrado, vai, não te escondas, no meu
peito uma roseira, do mar à beira e suaves ondas me
beijam fatigados pés de tanta procura, sim, admito,
de tanta solidão já beirei a loucura, já falei demais,
já briguei demais comigo mesmo, alma maltrapilha
de Carlitos agora à cores, um vagabundo viajante
e sua trouxa de dores nas costas, mas eu sei que no
fundo gostas de saber que em alguma parte da cidade
há uma mente problemática e turbulenta elevando
orações de amor a seu favor, "despetalei-me" afim
de que ninguém mais se aproxime, exceto o espaço
reservado para a delicadeza das tuas mãos, eu sou
tua rosa nua sob a lua, os rigores do tempo enfeiaram
minhas pétalas mas ainda não me fecharam as pálpebras,
continuo te esperando, murchando, sorrindo às mínimas
e breves chuvas finas, uma nesga de esperança que seja
da tua volta, um tango, una película de Almodóvar e
um misto de super bem querer e revolta...

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

E como teria sido o ano para Charlie Brown?






Este ano foi um ano de puro desamor próprio, tirei pra esquecer de mim, em busca de "níqueis" de simpatia, de tantos acasos, infelizes ou enfadonhos em sua maioria, mergulhos no tristonho vazio, na utopia de, em meio ao branco absoluto, ser atingido por pingos de cores que fossem, 
mas outra vez não foi assim...este ano foi de breves momentos de sorrir, seguindo a solidão com força maior, sob a crueldade de falsas esperas no triste contraste com a realidade de anos e anos sem primavera, a quase que plena certeza de não pertencer à lugar nenhum, aborrecimentos e impaciência gratuita por conta da muita falta de sorte, na verdade, graça necessária para enfim ser notado, o patamar de "milagre" de ter alguém ao lado, lembra aqueles velhos dias onde foi chamado justamente assim:"Meu milagre", parecia ter chegado pra salvá-la da invisibilidade, mas foi só mais uma das tantas que se apavorou com a intensidade do coração e tanta coisa
presa, é, este ano tive a certeza de ter simplesmente aterrorizado bastante gente com a minha aura diferente de esperanças em demasia e tristeza, sim, este ano foi mais um ano de sentir-se menos esperto, repleto de tanto "partir" sem sequer perceberem que horas eu saí, 2016, acreditei, tentei e desisti...

domingo, 11 de dezembro de 2016

Insanidade dominical






Ah, quem dera tivesse desaparecido, reaparecendo só na terça, 
hoje é domingo, tédio garantido e antes que eu esqueça, bem, 
de qualquer forma até aqui ainda não consegui, tipo, apagar 
os contornos do teu lindo sorriso largado da minha memória, 
uma canção triste insistente e aquele pensamento constante 
de você contente entre estranhos, totalmente alheia aos encantos 
que lançaste feito decoração hipster nessa casa de desamor que 
sempre foi meu peito, odeio o termo "perfeito", meus sonhos se 
traduzem em simplicidade, eis a minha cidade no domingo, eu 
sou um cara esquisito parafraseando don Raulzito, "Ah, mas 
que sujeito chato sou eu que não acha nada engraçado, falsos 
sorrisos sob um sol de brilho opaco, ninguém que eu queira ver 
por aqui e eu acho tudo isso um saco..."

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Silencioso






Lugares ermos, lugares ermos, sons de lamento, a trilha sonora do vento, aqui como sempre falando comigo mesmo...neste instante me sinto distante e espiritualmente doente, estranhos vazios e uma dolorosa impressão de que ninguém mais sente, algo pesado no ar, a tonalidade do céu, sei lá, a sanidade esvaindo-se, uma cratera no estômago transformando-se num túnel, aeronaves, submarinos, sonhos alheios, tudo, tudo passa através de mim e sinto-me cada dia mais feio! Encaro o mar de modo assustador, como que prestes à me deixar afundar, sei lá, é uma saudade de cantinhos onde nunca estive, uma falta de sensações que nunca tive na vida, quem passa e me vê assim imerso poderia cogitar uma vibe suicida, mas só estou mentalmente à deriva nos mares suspensos do universo, bem, deixa, você não entenderia, não há pra quem confessar meus pecados de ingratidão, daqui eu vejo sorrisos de quem adormece tranquilo e continuo insone, a velha fome de pele, as pessoas fazem grandes planos, aquela coisa de fim de ano, espírito natalino e tal e ainda me sinto menino esquecido, o marasmo traga meu entusiasmo, não há para onde eu corra, porra, oh não, lá vem melancolia de novo, amarga brada a alma: Foda-se ano novo!

domingo, 4 de dezembro de 2016

O sorrir de um dispensável...






Veja o dia amanhecendo num país enlouquecendo, carnes vis, 
oi, meu nome é absurdo e irei aonde fores pela cidade de poucas 
flores e imbecis querendo chegar aos 25 e dizer que já fizeram de 
tudo, se dizem "astutos", se dizem "mente aberta"e eu vou vagando 
pela noite deserta desse lado da calçada da vida, me habituando a ser 
esquecido e aprendendo a duras penas a esquecer no bailar do meu doce 
enlouquecer e rodopio sob a chuva imaginária, na direção contrária dos 
"perfeitamente normais", pois há muito ela já me ignorava, mas quando 
decidiu olhar eu nem estava mais lá, enfim prestou atenção no céu noturno 
e sentiu o peso da escuridão, a textura do vazio, se viu lembrando, só assim 
pra fazer de mim "gente", agora caía em si que eu era alguém, considerava
o fato d'eu também ter um coração, sim, eles me chamaram "sem noção",
que meu nome é absurdo e o veludo do céu já desbotava, encerrava o final de 
semana, estava bem longe, já de volta pra casa ao som daquele dedilhado, 
"Central do Brasil", Legião Urbana...

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Na alegria, cantamos, no vazio...pedalamos



E eis então um coração em açoites, a noite de amores vorazes 
e luzes velozes passa vagarosamente por aquele vulto desolado, 
na mente sonhos alados de uma absurda distância, tipo lugares 
quase inventados onde ninguém possa encontrá-la porque não
há dispostos à ouvi-la, seus poucos confidentes já se embriagaram 
e festejam alheios ao frio do tremendo vazio interior, ausência de 
cor, negro cenário de intenso breu e a sensação decepcionante que 
nada é realmente seu, uma estranha, uma intrusa em transe com o 
desenho de uma carinha triste na blusa e cabelos ao vento nos movimentos 
da bicicleta em linha reta rumo à lugar nenhum, ninguém para encontrar, 
pedalar só pra esquecer até que a angústia fique pra trás e seja atropelada 
pelas avenidas da vida, muitos anos já de tantos "pelo menos", entre luzes 
velozes e amores vorazes restam ilusões de dias amenos, citações e batidas frases...