terça-feira, 30 de setembro de 2014

Decrescente


Às aves e às árvores, atenciosamente...
sincero azul do céu contra o desespero
por trás dos sorrisos amarelos, e tudo
aquilo que chamar pretenciosamente de
"seu", o sol, o sal do mar na pele que
agora fere, cara, eu tava tão bem sozinho,
aquele violãozinho lento, e o vento violento
do acaso subitamente pôs abaixo a casa de
amor erguida na paz da minha mente; entre
danças e andanças de solidão estava enfim
à me acostumar, ah, cê nem imagina o quanto
demorou, só que desmoronou com um fiozinho
de eco familiar da voz dela naquela noite infeliz
de insônia, meu reino por um punhado de astúcia,
mas não adianta, lá vou eu tentar esquecer outra vez,
acordei indisposto, de volta à agosto, de volta à angústia...

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Singelo videoclipe de um romance suburbano


Conto de um canto da parede de lodo,
ameno sem alguém do lado, confesso,
bem menos temperamental com o passar
do anos, trancado do lado de fora em pleno
temporal;  há muito perdi a chave do meu amor
próprio, logo eu que achava que essa noite não
choveria saí bruscamente em  busca de uma sorveteria
mágica com preços módicos, jamais imaginaria que encontraria 
abrigada na banca de jornais da esquina a menina mais bonita dos
sonhos mais cândidos da minha vida, entre dívidas e dúvidas, nós
dois a sós ignorando a água da calçada que o último ônibus do sábado
nos agraciou, sim, éramos sim como uma miragem de um quase casal
perfeito, pôrra, que merda esse termo "perfeito", falando bobagem à
espera do fim de um aguaceiro interminável que terminou com odor de
água-de-cheiro em um singelo videoclipe, um porre de chocolate quente
pra gente, filminho, cobertor e gripe...

terça-feira, 23 de setembro de 2014

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

A serenata do vagabundo



Alcólica solidão, bebi demais,
melancólica melodia dos olhos
daquele que de pronto aceita a
quem o rejeita e a covardia dos
que só lembrarão de nós após suas
próprias perdas; ó minha cara, me
encara de forma singela e escancara
as janelas do teu peito, que esse é o
tão esperado canto de despedida, era
uma vez um desenho mal feito sob medida
para inflar-te o ego, ingrata amada, não
nego, nada sou além de seu, à toa assim
de boa, tá bem, tá bem, me sinto só e muita
dó de mim, mas quando penso o quão hilário
pode ser o número de pessoas que chamam
Deus de "otário" todo santo dia, estranhamente
me alivia sendo perfeito sinônimo de anônimo em
meus sonhos platônicos de quintal, madrugada,
1:20, chuva fina em céu de conta-gotas sobre este
vira-lata, ei, você, amada ingrata, o gato mia, boemia
e tal...

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

quarta-feira, 3 de setembro de 2014