quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Entristeço






É mais um dia na vida do Charlie Brown, mais um dia de alegria 
tardia, lá vem, lá vem setembro e nada à esperar, agora uma brisa 
e uma canção de Marisa pra amargar", Ainda Lembro", e vou cabisbaixo 
pela cinza cidade sob um céu sem grandes novidades, quase fim de agosto, 
mais um rosto pra apagar da memória, outra história que sequer começou, 
no reflexo da vitrine indaga:"É  assim, Deus previne, o homem estraga?",
ah, possibilidades, tudo pode, mas antes de cada anoitecer, a solidão me fode...

terça-feira, 15 de agosto de 2017

"Otariamente"...





Vãs, esperas vãs que fazem desacreditar no amanhã,
entre desencantos, desdéns e desamores, um desespero
por cores, as ondas na praia, o som das gaivotas, damas
e dramas sempre me fizeram sentir tremendamente idiota,
oh não, outra vez aquele pesadelo das borboletas sem asas,
cabisbaixa silhueta no caminho de volta pra casa, sozinho
como de costume, vago sem achar graça alguma no brilho
das estrelas e na luz dos vagalumes...

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Fadado a não ter





Me encara a noite, ei, cara, confesso certo espanto, que merda 
esse sorriso "amarelo" da cidade, tão falso e superficial quanto, 
cá com meu amor de metal, a velha bicicleta, Norah Jones nos fones
porque eu nunca quis uma vida a dois, assim toda planejada, são rimas 
de uma alma calejada, foda-se minha boa intenção, veja as flores no olhar 
que te trouxe por olhos teus de rejeição, okay, ainda te espero, mas sem porra 
de "felicidade", tão doce e duplamente amargo o querer e de largo, outra vez 
passou a reciprocidade...

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

O fim da solidão





Na incessante espera e busca por algo belo no pobre coração me tornara interiormente feio, "receio" era meu nome do meio, foram incontáveis, ó, incontáveis vezes batendo portas estranhas, mendigando sorrisos, catando restos de alegria no lixo de gente que já teve muito na vida, havia um córrego que corria de sófregos olhos, de águas distraídas e folhas caídas de outros jardins em mim, havia um céu de nostalgia cobrindo mundos desinteressantes, e nesse instante um menino sentia e sentava sob a luz de um poste à beira de uma estrada pra lugar nenhum, afim de escrever sobre coisas belas que nunca pode ter, a não ser através da tela da TV, simplórios sonhos, porém inalcansáveis de alguém pra sorrir junto ao final do dia, lia em voz alta porque ninguém ouvia, não
cria mais em 'porríssima' nenhuma, nem mesmo no tal do carma, quando pela última vez olhou o céu bonito da noite sozinho e gritou:"Agora eu só acredito no poder da minha arma!", chovia, era uma vez poesia...

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Ignore "por ques" e seja felizmente louco!





Se o plano é seguir em frente, 
nem que andemos às cegar por aí, 
pois que o sol faça da vida uma estrada 
florida para onde o sarcasmo não seja bem vindo, 
lindo mesmo era caminhar à esmo com entusiasmo 
pelas curvas tranquilas dos teus lábios, foi há muito tempo atrás
quando encontrei gratidão no sorriso peculiar que brotava das terras 
áridas da frustração, lembro, eram meados de abril quando meu coração 
estéril se revelou febril, oh, Deus, por que o amor acaba, por que a droga 
do meu olho tanto se apega, por que o baseado sempre apaga?!?

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Chora, poeta!






"Tempos difíceis para os sonhadores", aquela frase batida do filme, preciso estar firme, eu sou flor singular na avenida que não foi vencida pelo cimento, distantes sonhos concretos e eu não consigo lembrar quando firmei aquele estranho trato com o acaso de viver de abstratos, já são anos sem muita proximidade, sorvete, uma casquinha dividida, aquela penosa espera de simplicidade, braços dados com a desventura, escassez de abraços, reles criatura em sua vida de desfoque, um poeta incolor, quase um fantasma sem peles, nem toques

domingo, 6 de agosto de 2017

Ventos de abandono






Todas minhas expectativas viram história, ah, esses desdéns deveras desgraçados que não saem da minha trajetória, seja como for, sempre à espera da tão distante primavera, ah, quem dera amor, sempre com o rosto nos restos da alegria alheia, um mendigo, um poeta com a estranha maré de melancolia no mundo do globo ocular e ninguém mais quis ir lá, das sombras às sobras, a esperança de pé na cova, a alma em trapos, meu reino por uma roupa nova!

sábado, 5 de agosto de 2017

Os devaneios de quarto num sábado à noite





A espuma sob pés tão fatigados de vagar por terras áridas,
o mar reflete na pupila, mentalizo um odor floral, meio romã,
meio camomila, odores teus, odores teus, ei você, olhos de litoral,
te escreveria, contigo perambularia por intermináveis noites serenas, 
será que não existes ou apenas está aonde não deveria, mas Deus sabe, 
ao amor nunca disse "jamais", olhei ao redor, quanta superficialidade, 
simplicidade, onde estais?

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Antes de um possível começo e triste fim!





A solidão é minha dona, cá estou pedindo carona, 
lugar qualquer que não me faça lembrar, eu só queria estar em paz, 
mesmo sem um par, eu só queria nunca ter estado lá; eu queria gritar 
ao mundo que as pétalas macias da tua pele ferem mais que uma chuva 
corrosiva numa noite de sábado, saibam, esta moça não precisa de objetos 
cortantes para abrir uma cratera e sugar toda primavera interior, ó, que dor,
agora estou aqui de volta ao passado, sóbrio e só, numa tentativa desesperada
de me antecipar para que não chegue à ti aquela primeira carta de amor que escrevi...

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Polaroid ocular





O vento sopra, os anos passam e eu só me fodo, oi, eu sou um desenho mal feito numa parede sendo vencida pelo lodo, a maldição que é ter que crescer, viver se acostumando a não ter, esquecer e perder, entender que uma tórrida chuva de lágrimas não fará crescer sementes de amor em tristes terras mortas de esquecimento e rejeição, ai de mim que tenho coração, ode ao tosco, ódio ao falsamente chamado "perfeito", mas confesso sem jeito essa incessante fome de simplicidade pela cidade, "Viver é foda, morrer é difícil", à sombra de frios edifícios, dessa janela de ônibus eu quis chorar com a calma visão do mar...

domingo, 30 de julho de 2017

O ódio de ser eu mesmo!





O tempo passa e a gente quase que se convence 
completamente que não vence, sonho de um doce romance,
ingênuo como em filme antigo, cai a noite, a solidão me chama, 
ah, como eu gostaria de ser amigo do bendito amor que não me ama,
hoje eu queria muito ser como uma pedra que não se parte na queda,
que em nada se comova, que nem o mar mova, oh, não, outra vez amanheceu,
lá fora o sol zomba da minha estúpida falta de sorte, ai de mim que tenho que ser eu!

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Alguns segundos com um vadio tatuado...







Amanheceu, eu disse "xis", estufei o peito afim de mostrar o coração e fiz aquela selfie com a minha imaginária câmera de última geração, bem aventurados os que se arrependem dos sorrisos que negam, almas nubladas, almas chuvosas e almas raramente ensolaradas, mas hoje eu tenho alma de maresia, tentando ser honesto com a cidade, confesso, tenho cá minha cota de maldade e o mar para sarar feridas e afastar mandingas que impeçam possibilidades de alegria dividida, eu sou um vadio com um interminável vazio no peito, pesadelo de quem muito tentou e nunca pode fazê-lo desaparecer totalmente da mente, algumas vezes já ouvi"Por que não te conheci antes?", talvez eu seja até o sonho ambulante de alguém que um dia me conhecerá, sei lá, será?

quinta-feira, 27 de julho de 2017

The end






Ah, quantos corações de avenidas desertas pela cidade,
status: Em relacionamento sério com a saudade, diário de asfalto, 
vago para esquecer, uma flor à beira da ciclovia me fez lembrar você, 
aquele teu sorriso triste que meu peito insiste em trazer de volta à memória, 
o triste término de mais uma história, a última volta, nosso último passeio 
juntos, a gente tão sem cor e sem assunto, foi assim, João sem Maria na letra 
de Chico, "E agora eu era um louco a perguntar o que é que a vida vai fazer de mim?"

terça-feira, 25 de julho de 2017

Vida de fugas




"Sempre" é a idade da tristeza, "quase" é o amor em estado gasoso e "nunca" é o espaço entre meus lábios e a tua nuca, ah, essa maldita distância que já esteve entre tantos "dois", impedindo a tão sonhada vida a dois, bem que o teleporte já poderia ter sido inventado, mas é que para alguns a sorte é uma moça sem rosto que reside no perfeito lado oposto da cidade, já me desesperei tanto por imediatas curas interiores que acabei me viciando em novas dores, confesso, não é nada divertido, mas todas as minhas tatuagens foram feitas para substituir a dor de um coração partido.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Merda de realidade!





Antes de mais nada aviso que não será divertido, as tristes palavras do introvertido à menina multicolorida, olá, querida, sozinho fui ao teu mundo e voltei em questão de segundos, em questão de instantes "acinzentei" o lado mais bonito da cidade onde moras, desbotando, "enfeiando" tudo lá fora, com receio, quase me aproximei da tua caixa de correio, mas voltei à si e desisti do bilhetinho, precisava parar de me preocupar tanto com a ortografia, precisava desesperadamente parar de olhar tua fotografia, era fim de tarde, lembro quando trouxeste a noite na tua surrada mochila, armou tua rede de uma extremidade à outra da lua e enfeitou minha rua com a tua silhueta, adormeci na tua nuca na esperança de nunca mais acordar, pensava eu estar suspenso no ar, quando na verdade estava caindo, saindo na tua vida num brusco traço de Frida, o chão se aproximando e eu acordando, miserável sonho, olhei por cima do ombro, estava novamente sem asas, olha o panaca como sempre sozinho de volta pra casa...

sábado, 22 de julho de 2017

Conversa comigo mesmo







Cai, cai, primavera, quão solitária é a saudade e bela com suas folhas espalhadas pelo asfalto, devaneios da imaginária amada, você seria "ninguém", eu seria "nenhum", há bastante em comum no vazio do quarto da garota e a garoa de uma manhã triste em São Paulo, um grito histérico de uma janela de apartamento, "Chega de amor genérico", fodam-se as contra indicações, não é mera frescura, eu ainda creio que para mim há cura, eu sou tipo um hipocondríaco com estranhas palpitações no peito, sozinho e sem jeito, sonhando em como poderia ser legal nós dois, mas é que eu ainda nem te conheço, essa é a parte que sempre esqueço, verdade seja dita, viver é um risco, a tímida única lágrima no olho e aquela velha desculpa do cisco...

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Versos sofríveis






O mar mentolado, o céu nublado, as cores do dia se foram, há sempre alguém morrendo de amores, há desespero de novos planos pra deixar alguém para trás, ébrios em prol do esquecimento, lúcidos sofrendo em lamentos, gente doida pra ser lembrada, gente à espera de nada, diferentes mundos, dores semelhantes, "Nada será como antes", lembrando Elis da forma mais infeliz, meu pobre olho assiste e sente, mas nunca vive, tive e perdi, nunca mais te vi, todo tipo de gente, só não existe mais " a gente", a balada do desamor, um blues para corações carentes, há uma roda punk no elevador, a saber, minha conturbada mente, olha quantas moças nas janelas espalhadas pela cidade à espera de amores paupáveis, olha quantos dispensáveis gentis e sentimentos profundos nos vazios bancos de praça pelo mundo...

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Menino-fracasso procura dona moça simplicidade...






Sob o gargalhar da lua o vazio dela transparecendo, 
cruel frio da rua e incertezas, de tristezas bem entendo,
tenho pés calejados, aquela dura busca já de longa data,
estranhamente quem lhe cativa é quem mais te maltrata,
é foda, mas tem nada não, à medida que envelheço, reconheço, 
nasci para esperar, ao menos poder crer que um dia irão desaguar 
e águas de melancolia hão de ser um dia águas de mar, é muito sério,
desabafos e tal, estou cansado pra caralho de ser mendigo sentimental,
hoje eu ateei fogo no meu velho chapéu de prenda e me senti menos só,
tantos lindos rostos pela cidade e não achei simplicidade, mas declarei
em alto e bom som, quero mais "farelos" de coração não, ó!

 

terça-feira, 18 de julho de 2017

A graça da aceitação






Sorrir por uma noite é o limite, ilusões de momento, tormentos na manhã do dia seguinte, certamente o sol virá sarcástico, afim de zombar de quem dedicou o máximo à quem não merecia o mínimo, dói demais perder por motivos banais, sabe, é tão cruel voltar a ser insignificante para quem um dia, ainda que por meros instantes te fez sentir maior,  agora frente ao mar, atira pedrinhas ali tão só, agora já nem importa quão ensolarado fora o dia, permanece aquele lugar isolado, tipo uma ilha no peito chamada "coração", alívio, ó vinde, ilusões de momento, tormentos na manhã do dia seguinte...

domingo, 9 de julho de 2017

Diferentes ângulos






Naquele básico desespero de novas sensações e voltar a ficar bem, a menina virou "chocólatra", o velho sonho de um dia ser alguém para outro alguém, entre tentativas frustradas e desencantos, cada um pro seu canto, agora é percorrer o longo caminho até o recomeço e incontáveis horas de agonia pra se ver livre do paranóico apreço, viver sem é possível, basta se convencer e contentar-se à condição de sonho de ninguém, à distância me enamoras, te salvar e por ti ser salvo, raiou o dia, a quase que plena certeza que ela apenas me repudia, encaro o nada, mal sabe ela, mas daqui me entristeço porque outra vez a perdi de vista, a utopia de um sentimento bobo, a tímida dama triste e o cavaleiro pessimista...

 

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Resta pedalar...






A noite é um veículo em movimento e ela sempre 
se sente ficando pra trás no retrovisor, as cores, as formas, 
os encaixes, poucas normas e vários assuntos, pessoas que ficam
muito bem juntos, à luz do luar e solitária ela indaga em que braços 
caberá, alguns anos já de alegria alguma dividida, a fé afina, a menina 
diminui, na porta do quarto o aviso de "Fui!", partiu#vida de vagar, a coluna 
ereta, a velha bicicleta, olha o céu, sem um corpo junto ao seu, resta pedalar...

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Please, não odeiem os que sonham!






Alto mar, o fim da tarde, e a casa flutuante à deriva, não sabemos mais onde estamos, tão docemente perdidos na vida, de cais nem queríamos saber mais, ríamos, desistindo de chegar à algum lugar, confesso, contigo me sentia bem mais esperto, nossa única meta era estar perto, e então o mar bravio, ondas, cruéis ondas que nos separavam, olhares se distanciavam, tristonho acordei num quarto vazio, foi apenas um estúpido sonho; batalhas pela cidade, amor versus mediocridade, no meu caso o primeiro sempre perde, as estações vão mudando, algo no caminho impede reais aproximações, e eis a noite, lábios se encontram, mãos se dão, do meu mundo eu vejo belíssimos começos e não esqueço como tudo acaba pra mim em questão de segundos, me restam versos de desilusão, mas hoje eu preferi a luz da lua à luz da televisão... 

terça-feira, 4 de julho de 2017

Outra vez virei saudade...








Doces, coisas doces que há muito me faltam, e enquanto isso no mar as ondas bailam numa dança solitária, à moça imaginária mundo afora, Cartola, "As rosas não falam", em algum lugar da cidade aonde tua vista não alcança eu sou a criança de asas amputadas, cá estou cambaleante no topo do prédio em forma de "T", olho pra baixo, caralho, são vinte e cinco andares de puro tédio! Tente lembrar de mim em dias ensolarados, pois quase sempre ficava melancólico quando o céu estava nublado, tente lembrar de mim ao escrever bilhetes, ao tomar sorvetes, com ternura ante ramalhetes, tente lembrar de mim quando não estiver afim de sair ou mesmo quando não tiver pra onde ir numa manhã cinza de domingo, imagine como seria a calma da minha alma ao te ver dormindo, imensamente te agradeço se puderes me achar onde há simplicidade, já parou pra pensar quantas vezes na vida tu virou saudade?

domingo, 2 de julho de 2017

Porra, eu não quero mais ser inivisível!








Escravo da minha mente e de um coração que sempre mente pra mim, assim, de nua e crua sacanagem, legítimo inimigo íntimo, Deus, aqui dentro quase sempre faz muito frio, anos à fio sem amores, mas que seja como cantou Caetano anos atrás, "Trem das cores", "O mel desses olhos luz, mel de cor ímpar", a janela da cor de violeta da tarde entreaberta, anoitecendo, nesse exato momento alguém me esquecendo, eu tô tentando desesperadamente sumir da face da tristeza na velocidade da borboleta ladeando o pneu da minha bicicleta, a cidade escurece, eis um protesto à condição de invisibilidade, eu vou me jogar no mar com bike e tudo, só volto quando ela enfim puder me enxergar!

sábado, 1 de julho de 2017

Acordar...






Permanece a velha solidão em meio à multidão e preciso muito aprender a ter respeito aos acasos, principalmente àqueles que desbancam meras lógicas, noite passada choveu, olha o meu reflexo triste nas poças, que possas sentir o mesmo, quero não ser encontrado por nada que meu peito não identifique por recíproco, graça, sumir do radar da mediocridade, desejo à mim mesmo tranquilidade e tempo para crônicas, a maldita sorte sempre me sorriu de forma irônica, mas começo a entender que estarei à mercê de tudo quanto puder me convencer, continuo aqui do lado 
vazio da calçada do mundo, contemplando a tal da felicidade à distância, morrendo de saudade da infância...

quinta-feira, 29 de junho de 2017

E assim fomos....







Ó triste e dura vida, do mar 
eu vejo o avião que na tela 
se minimiza, despedida, da janela, 
a moça vai sumindo e aqui embaixo 
o menino se inferioriza, sempre às voltas 
com a frustração e até hoje não me coube 
saber porque sempre acaba, hirsuta barba 
do filho da puta favorito da solidão, linda noite 
que à tantos ilude, da quietude do meu mundo 
estranho eu nunca tive a malícia necessária, previsível 
e invisível, de abraços frouxos e esmolas sentimentais vivi, 
me vi sozinho com a lembrança daquele chorinho, ringtone 
do seu telefone, olhando o retrato dela pela última vez, beijei 
e disse "baby, tenha uma boa vida", e com o vento, o tempo voa,, 
na quietude do meu mundo estranho parti sem nunca ter ganho...
 

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Só me cabem os "pelo menos"...







Chuvosa, chorosa a cidade sob um céu 
sem novidades, sem cores de arco íris, nem flores 
pelo caminho, enquanto sigo sozinho e meu olho 
não disfarça a tristeza da qual sou cativo, a vida 
anda tão, tão sem graça, sem rosas, que chego à implorar  
por dores de espinhos só pra me sentir mais vivo, do amanhã 
não se sabe, por isso não me cabe a plena certeza, a solitária busca 
contra estranhas forças da natureza, acaso, obscuro acaso de cada dia, 
adia encantos, adiós, reencontros, as cruéis ilusões revoltam, amores novos 
não chegam, antigos amores nunca mais voltam...

terça-feira, 27 de junho de 2017

A balada do desamor contra sonhos suburbanos





Arte da tarde, um céu de baunilha
sobre nós, os desprezíveis diferentes,
a balada do desamor no radinho de pilha,
um blues para corações partidos e carentes,
quanta sorte em lábios de sorrisos forçados,
os perdidos e seus devidos anos desperdiçados,
por que para alguns a vida tem que ser assim,
Deus, será que algum dia me livrarei de mim?
Mar de ondas, céu de pipas, as nossas iniciais
escritas numa antiga árvore, à favor do amor,
tempo, contra meus punhos cerrados, mármore, 
entra ano, sai ano, sonhos de amores suburbanos...

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Versos anti vulgaridade







Oh, interminável inocência, tantos amores 
que meu olho inventa, essa maldita carência 
sempre afugenta antes mesmo que descubram 
quem eu realmente sou e assim todos os "sãos" 
se vão de mim; olá, meu nome é passado, toda essa multidão 
de palavras e sentimentos descompassados que saem no desespero 
de pôr um fim na solidão fazem de mim apenas um desafortunado
amante tentando em vão, a confusão é minha dona, ah, doce ilusão, 
nessa vida de merda és a única que não me abandona, e na incessante 
busca por um amor frágil, medos de não demonstrar vulnerabilidade, 
lamentos de fim de tarde, doce brisa anti vulgaridade, e como cantou
Marisa, "Não é fácil"...

 

sábado, 24 de junho de 2017

A dor do amanhecer após o "não" da noite anterior






Vejam, ora, vejam, 
sob um sol de verão 
sou aquele reles otário
com uma trouxa nas costas, 
cansado de esperar respostas 
que não virão, à beira da estrada
 à espera de nada, afim de carona 
pro amanhã no ônibus imaginário
com faróis de estrelas, desesperado 
pra seguir em frente, bastante infeliz 
por não poder tê-la. sei lá, de repente 
passar a noite dando voltas na lua, tudo
menos passar na tua rua, pobre amante
vadio, passageiro da agonia tremendo de frio, 
temendo a luz do dia e a maré de melancolia,
sem saber com que cara eu enfrentarei o sol,
estando assim irremediavelmente só...

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Doces lamentos de brisa








Balanço dessa última década pra cá, 
vivo de ilusão em ilusão e durmo pra esquecer 
quem achei que havia vindo pra ficar; por favor, 
ouça-me, mas não me dê soluções rápidas, acho que me viciei 
em perder, que misterioso esse tal destino, as falsas esperanças 
de menino tornaram-se um círculo vicioso, aquela leve ajeitada 
na minha alma amarrotada e me recomponho pra perder outra vez, 
é triste, mas eu sei, eu sei que vou, é uma dura certeza que nunca muda, 
simplesmente não entendo porque meu peito não abandona as tentativas, 
alternativas não me restam senão ter fé nas possibilidades, de tão intenso 
devo ser tipo raro, tanto que ninguém consegue acreditar que possa ter tanto 
assim pra compartilhar, disparo minha metralhadora cheia de mágoas no mar, 
pois sou só mais um cara, certos olhares de cisma já me acusaram de "fraude" 
pela simplicidade de tão ordinários sonhos de amor, a tarde gentilmente arde
à nos iluminar como holofotes de uma peça, nós seríamos os protagonistas, 
o aterro seria nosso palco com cortinas azuis que iriam de espigão à espigão...

terça-feira, 20 de junho de 2017

Desperdício










Oi, olá, meu nome é "fracasso", 
mas pode me chamar de "fiasco"...
tenho pele e lábios que nem o menino 
dos teus sonhos, só que ele não tem história, 
não andou meio quarteirão da solidão que já trilhei, 
não sabe o que eu sei sobre estar só, sobre encontrar 
consolo na imensidão da noite, confesso ao universo, 
nunca mais pude despertar, essa carência desmedida 
me deixou num estado de dormência quase irreversível 
que meu melhor predicado é "invisível"; ah, se soubesses, 
se ao menos sonhasse com todas as conversas imaginárias 
que já tivemos, ser platônico dói, mas eu nem ligo, mentira, 
ligo até demais, te olho assim, singularmente, o tempo passa 
e vou aprendendo à duras penas que o aparentemente apreciável 
oculta fissuras, que nem estátuas vistas de longe, com a aproximação, 
o sol de verão expõe as falhas, a valsa triste do vento com as folhas caídas, 
e vai "enfeiando", aquilo que fora belo somente aos olhos será sepultado 
em covas de nostalgia, incontroláveis"vícios" de amor um dia se traduzirão 
em meros "desperdícios", e por nada ter, amor à minha pessoa só de verdade, 
sonhos tais de reciprocidade, de insignificante sou qualquer sinônimo, quem, 
mas quem mesmo, meu Deus, haverá de amar um poeta anônimo?

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Reconheço...







Certeza, enganosa certeza de felicidade constante 
e falsas sensações de "Eternamente jovens", ah, que dó 
dessa gente prepotente, que pena, quando a velhice chega às portas, 
desaceleram os passos e passam à valorizar os abraços que à tantos 
negaram no passado, aquele ali sou eu, caminhando e assobiando 
serenamente enquanto atravesso essa multidão, solidão, de vazios 
e afins bem entendo, sei o que é ser deixado de lado, me acostumei 
à condição de dispensável, invisível, imprestável, mas sigo tranquilo, 
o ordinário céu de muitos a cada dia me interessa mais, ei, cara, hoje encaro 
o mar sem pressa, se terminarei sozinho? Recito poesias e palavras de um rei,
"Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi".

sábado, 17 de junho de 2017

Inventando cenários(De volta ao ponto zero)







Sob calmas trevas de árvores,
cá estou pensando em amizades,
amor e todas essas nomenclaturas baratas
e nós vivemos acorrentados por muito tempo!
Aproximar-me ou manter a distância, dependendo
do que seja digno de relevâncias, anos de coração
fatigado, mais me apetece o silêncio, não quero mais
me pronunciar, e que a meta seja sentir ou sumir de onde
as palavras perdem a força e a mediocridade impera, realidade,
quase sempre como não queremos, mais um dia  terminou solitário,
sentindo-me otário pelos ecos de declarações mal remuneradas, o sono
vem suave sem ninguém na cabeça, sem pensar em nada...

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Frustralândia(Tristemente sorrir...)






Sorrir, tristemente sorrir e partir, 
coragem para se calar, sumir sem explicação, 
muita, muita força para reconhecer seu lugar, 
oi, olá, meu nome é "frustração", eu sou tua virose, 
sou tua menor dose de alegria em sorrisos amarelos 
pela cidade, a paz que te abandonou quando se atreveu 
à gostar demais, sou a falta de reciprocidade, sou o poema 
amargo declamado à luz da abdução antes do infeliz poeta 
ser tragado pela nave, sou atraso, sou entrave, sou a viagem 
cancelada para a Disneylândia, sou incômodo, sou o cômodo 
esquecido da casa, um porão escuro e vazio de um navio perdido 
nas profundezas do teu ser chamado"Frustralândia"....

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Vagamente(Até que não exista mais)







Amores nascem, amores renascem todo dia, 
morrer faz parte e a arte que me cabe na fria 
cidade é a de sobreviver intacto à cada saudade, 
até que o mar nos meus olhos envelheça e o céu 
esqueça por completo de lembrar de mim, assim 
são as memórias como os veículos em movimento,
na velocidade do vento, tornando-me "passado", 
constantemente deixado de lado, dia após dia existindo
...vagamente.

terça-feira, 13 de junho de 2017

A moça inventada









Eis um sonho antigo, ser alguém pra alguém,
dispensável perfume, pois ela traz uma fragrância
de paz, dando-me importância, tão pequena no jeito
simples e super, tuas inseguranças lindas por demais
fazem de um pobre rapaz solitário, necessário, creio eu,
um dia tua humanidade me transformará em algo bom
na descolorida cidade, um som suave na mente quando
passeias em minha memória, mesmo não sabendo nada,
nada da tua história, e tudo de mais inocente em ti me faz
viver mais, como algo na vida que nunca tenha tido, quem
dera um rabisco, um esboço que fosse do teu rosto, ah, quem
dera já pudesse ter lhe conhecido...

domingo, 11 de junho de 2017

À calmaria...






Águas rasas de poças de tristezas
que vem das profundezas dos olhos
de almas mal amadas, diferentes vibes
sob a luz natural que alumia a árdua
estrada, ao passo que doces começos
se desenrolam, o chão cede sob pés
fatigados de tanto caminhar em vão,
e assim, o fim, é, eu sei que a monotonia
me consome e a melancolia me define,
já pensou se a vida fosse tão tranquila
que Lennon nunca precisasse ter escrito
"Imagine"?!

sábado, 10 de junho de 2017

Quererás, quererei?







Chove, chora, volta e meia, há meia hora 
atrás fui embora, quase meia noite, outra 
vez não quiseste adentrar minha porta, e assim,
volto para dentro de mim, haverás de me ter por abrigo 
quando um temporal desabar dentro de ti, será que apenas
no teu dia mal eu vou enfim existir? Quero o que tu queres, 
mas não o queres comigo, quererás um dia, e caso amanhã queiras 
o que ontem muito quis de ti, vadia, por ventura quererei?

sexta-feira, 9 de junho de 2017

O bazar dos corações super baratos






A solidão de um canteiro sem rosas sob aquele céu 
de nuvens rancorosas, o resto da cidade ensolarada 
porque hoje especificamente o cara acordou não vendo 
graça em nada; um erro a cada dois quarteirões que seja,
e a incerteza peleja contra nós, mas com o tempo aprendemos 
à gostar de estar só naquele lugar frente ao mar chamado "aterro",
imersos na densidade de nossos platônicos e utópicos sentimentos, 
e foi pensando na enorme distância dessa tal "felicidade" que adormeci 
e sonhei que era um menino feito de papel machê num curta metragem 
sem som, e o bom Jesus havia escrito na areia com um simpático emoticon:
"CLICHÉ", acordei sentindo aquele grande vazio, ah, quem dera primavera 
nesse meu peito invernal, sei lá, talvez sinceras atenções após um longo hiato 
desde a última vez que me senti "gente" para alguém que também pertenceu  
ao bazar dos corações super baratos...

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Sequelas...



Há tanto prazer e tanto pra se ver, o cliché da solidão
em plena multidão, feliz ou infelizmente não se pode 
viver sem pensar, considero-me um "sem lar"no vazio 
nosso de cada dia, vivendo nas inconveniências de memórias 
involuntárias, é foda, quem me enamora também me ignora, 
pareço meio morto, mas cá ainda tenho um corpo sem calma, 
ó quantas almas miseráveis por sempre haver quem esquece, 
mas acontece que algumas são más, bem, há muito, muito tempo
atrás alguém me chamou "amável", agora mudo por conta do mundo 
que muda, pouco à pouco, cada dia mais dispensável, o dócil louco...

Se te faz viver...







Devagar, a valsinha triste das ondas
com a areia imóvel, o estranho par, 
e não precisamos ter pressa no ato
de se curtir a solidão, pois a beleza
já nem é assim tão relevante, quando
nos restam apenas "migalhas" de instantes
sob a mesa de alguém, outra vez anoitece,
das dores que vão ficando pra trás na estrada, 
chamem "zona de conforto", mais me apetece 
o nada, agora a lua cheia, o céu anseia pelo sol
e eu não tenho mais pelo que esperar, sei lá, 
então que eu esqueça, que logo amanheça
porque essa praia...é de vagar.

sábado, 3 de junho de 2017

Um afortunado par de invisíveis






De inverno em inverno a incansável espera 
pela quase inalcançável primavera e com ela
a vinda da minha heroína desajeitada, atravessando
meu telhado numa noite vazia de sábado estilo Chapolin
Colorado, assim docemente atrapalhada, meio pura, muito
insegura, como se nunca pudesse atrair atenção alguma por
conta da simplicidade em demasia, nunca soube o que é uma
história de amor pra valer, além do que assiste ou lê, mas deixa,
um dia riremos triunfantes com desdéns aos bem sucedidos dos
restaurantes que nunca nos notam lá fora nas vitrines,"reciprocidade" 
será nosso perfeito crime, "foras-da-lei", o tão sonhado amor marginal,
um dia, um belo dia seremos o casal de indigentes mais inteligente da cidade...

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Chorar é massa...






Ó, escrota dos meus tristes devaneios, teu ser, teus seios, 
porra, que vontade de ti, um desejo enorme que sejas meu cais 
e nunca mais precise voltar, desse lado da vida tá bem escuro, 
deixa esse mundo seguro pra lá e vem comigo para o mar! 
Olha que lindo céu sem tamanho, olha o lado mais estranho do sol 
sobre esquecidos e desaparecidos, olha a minha rara cara de deleite 
na fotografia, até que fiquei bonitinho no anúncio da caixinha de leite, 
vai que em algum canto de olho eu ainda não seja saudade, sou náufrago 
urbano, estou em alguma parte da cidade escrevendo bilhetinhos de amor 
e pondo em garrafas vazias pra enviar pelo mar do esquecimento, cartas 
pra ninguém, ninguém pra esperar, sem novidade ou lembrança dividida, 
eu sou uma ilha ambulante em plena avenida, um rio desesperado pra correr 
atrás dos meus olhos estancados, tempão já sem chorar, aquele velho barco 
de profundos sentimentos há anos atracado...

terça-feira, 30 de maio de 2017

Sorrir, cair em si e sumir...







Clareia ou ao menos clareava, subitamente 
a candura dos teus olhos deixou de ser a candeia 
que me guiava e fez das minhas noites mais escuras 
do que o costume, foi assim num dia frio que deixaste 
à mostra o quanto desgosta das coisas mais doces vindas 
de mim, tão frágil e fácil que não te atraio, vez por outra 
caio no teu esquecimento a cada esquina que dobras, segue 
a velha canção, "O céu que te cobre não cobra a luz da manhã",
no silêncio, lembrei da letra e me pus a sorrir infeliz, pensando 
seriamente em pintar o nariz e deixar de existir pra ti, mistérios 
tais do universo, anseia por amor em seu caminho, mas despreza 
meus versos...

domingo, 28 de maio de 2017

Olhares diferentes, céus singulares






Olhos, gentis olhos profundos em alguma parte
do mundo, há um jardim no fundo daquele olhar 
especial, cujas flores não estão lá apenas para ser
apreciadas visualmente, mas cheiradas, sentidas, 
como tem de ser  a vida, talvez uma distância, talvez
uma imensidão entre nós, talvez um vazio simultâneo
em nosso pobre sorrir momentâneo e vem aquela saudade
da infância enquanto ao mesmo tempo voltamos à velha
solidão, ah, gentis olhos profundos, quantos dias lindos
ensolarados e estrelados céus de noites de verão serão necessários
até que cruze oceanos e anos para enfim encontrar esses ilusórios 
olhos meus?!?

sábado, 27 de maio de 2017

Perdoa o sonhador(O Doug que há em nós)







Sempre às voltas com a lanchonete como ponto zero, hambúrgueres, fritas e ansiedade de quanto quero, de quanto quero, enquanto ela se diverte, eu espero; Devaneio-me herói, intrépido, não-tímido, e sem mais olhos úmidos, as mil e uma situações em que suas mãos me vêm tão mais reais, segurando as minhas, sempre que salva, a deliciosa sensação de vários finais felizes alternativos, calma no lugar de perigo, algema transformada em buquê de flores, onde fores, quisera estar sempre junto, estamos sem assunto, não importa, eis a evidência de que havemos de ser um par, mesmo no silêncio, o conforto da cândida proximidade tua, almas nuas, um incêndio na cidade, carros em colisão, queda de material naquela construção, e a gente só quer ouvir nossos discos favoritos bem juntinho, contar as horas, enfrentar os riscos e demoras até o esperado denominador comum:carinho.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Não importa o que deixaste pra trás, mas não sabe o que tens pela frente...







Hoje eu sou teu pessimismo, tua feiura, 
sou toda tua doçura se esvaindo, teu lindo  
desapego às coisas materiais que faz de ti 
desinteressante aos olhos do mundo materialista, 
sou aquele céu cinza de uma manhã sem glória, 
aquela canção insistente na tua memória, um coração  
desabrigado após um reles"Obrigado", sou o surto em resposta 
à todas as propostas de amor, sou todo o sarcasmo que há no marasmo, 
hoje eu sou apenas amargor e nada mais, o que não sabes é que amanhã 
eu posso ser a graça de aprender a deixar coisas e pessoas dispensáveis 
para trás, perdoa o rancor, mas é que a tal tristeza me tirou o sono e fez 
do meu peito um lar de abandono, quem se foi, deixou a casa descuidada, 
desprotegida, achou que eu ficaria bem e foi lá curtir sua alegria fingida, 
saiu sem ver os cortes deixados na alma já maltratada, quem me deixou, 
me deixou sem nada...

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Após toda negatividade, o tão sonhado esquecimento!






Ó, estranhas portas que bati pela cidade 
nas falsas esperanças das minhas "perambulanças", 
pouco importa a intensidade da intenção, nem a força 
do grito, no final estava escrito "Foda-se o coração!", 
leve, sim, estava prestes à dizer "leve-me", mas é que até 
então só me cabe o estranho, escrota realidade, eu nunca ganho, 
da chuva da noite passada uma flor nasceu, dias de espera e receio, 
agora eu só odeio aquele sorriso idiota de quem quer desesperadamente 
passar uma imagem de quem venceu...

domingo, 21 de maio de 2017

E eis que asserenei...






Desértica estação de trem, domingo, triste sem, 
uma coisa eu sei, mesmo que acusem  "demência", 
com veemência prometo ao mar, amar-te-ei, olha lá 
aquele perdido com o coração bem parecido com marte, 
inóspito e silencioso como a tarde no quarto todo, todo branco,  
vazio e encarando o teto, tanto tempo sem tato, vozes na mente  
que insistentemente convidavam a desistir, mas maior era a vontade  
de existir; ontem eu ouvi palavras amargas de um amigo, vibes suicidas 
não tinha como não encher o peito de felicidade por vê-lo ali com vida, 
lúcido após o temporal interior, por alguns instantes pensei na falta de amor 
no meu caminho, do quanto andei miseravelmente puto, mas então lembrei 
de enfermos e gente de luto, também pensei em super precavidos com a débil 
certeza no amanhã e sorri à luz da manhã, as ondas acarinhando os meus pés 
na areia da praia, e daí se por muitos havia sido esquecido por falta de posses, 
e daí se eu era apenas um suburbano fodido, e assim terminei minha oração, 
sereno porque tudo que eu tinha era essa porra de coração!