segunda-feira, 27 de junho de 2016

Um dia a sorte me sorriu...ironicamente.




Oh, céus, por que o sorriso dela tinha 
que ser assim tão,  tão admirável, pena,  
é apenas mais um dia sem cor ao redor  
deste miserável covarde, o meu coração  
é uma espelunca visitada  na tarde do dia  
de são nunca, pela centésima vez o meu melhor 
foi  reduzido à nada, acho que peguei no sono no 
fundo do ônibus, quem  dera tivesse sido abduzido, 
tragado desse chão de má sorte, da janela ouvi qualquer 
coisa sobre esperança, porra, fica cada vez mais difícil 
acreditar nisso quando sempre se tem toda doçura transformada 
em mera desconfiança, às vezes eu chorava nas minhas preces de 
fim de noite enquanto pedia, pedia, pedia, pedia e quando via já era 
outro dia, mas depois de tanto apelo, o meu penar de solidão foi então 
reconhecido, logo após ter lambido meu cotovelo, eu sou uma criança 
de colo abandonada num parque, as nuvens passam, a terra gira e na 
graça de Buarque, "Chego a mudar de calçada quando aparece uma flor  
e dou risada do grande amor...MEN-TI-RA!"    

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Um breve passeio pela mente de um falso demente...





A falta de sorte pode ser
apenas uma fase, mas quantos cortes
na alma e quantos "quases",  e outra vez
foi por pouco, quase deixei de ser carente,
timidamente olhando pros lados, um louco
à vista dos dissimulados que atuam no papel
de "perfeitamente normais" em suas mentiras
honestas, assim disseram eles ao zombar da minha
festa particular, dançando desengonçado na chuva
mesmo sem tê-la do lado, grato à Deus pela saúde
porque mal nasceu o pobre mundo e logo adoeceu
e eles continuam disfarçando o vão materialismo com
o pretexto da razão, sim, essa gente me olha como "demente"
e prevêem pra mim um fim trágico só porque ainda creio que
o amor pode ser mágico..

segunda-feira, 20 de junho de 2016

O mar não quis me levar




Mar de sal, saudade de amar,
um lamento pela desértica praia
de cinco e trinta, sob o pálido azul
planejava um afogamento, até já podia
sentir as tintas da minha alma espalhando
pela água enquanto flutuava e descoloria,
idiota, quem diria que um dia a falta de vontade
de viver bateria minha porta! Era um dia tão bonito
e eu tão feio, todas as coisas pareciam funcionar bem
para quase todo mundo e outra vez sentia-me aquele
velho inútil sem direção, pensava em diversos rostos
de rejeição aos meus versos e tanta gente fútil sendo
amada sem muito esforço, queria ter tido uma filha,
queria muito ter formado uma família, ao longe a cidade
já se agitava e nessa pressa de viver ninguém notava que
eu estava de partida, mas o sorriso tranquilo da minha mãe
falecida há mais de dez anos me fazia desistir da ideia, a paz
que um ilusório amor nunca me trouxe, "As rosas vão murchando
e o que era doce acabou-se", subitamente esqueci incontáveis
desprezos, já não tinha mais nenhum sentimento preso, aquele
brilho no olhar voltou, agora parava de me importar, amém,
aquele samba de Chico Buarque me salvou...

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Friezas que apagam existências, ecos de palavras que assombram





Sexta-feira, foi só mais uma semana inteira
de vazio e mais nada, etílicos e seus devidos
copos, faltas para seus devidos corpos, pra onde
eu olho só vejo alegrias forçadas, olha ali sentada
na nuvem cinza o semblante da melancolia, uma
saudade cortante da tua fisionomia; ode à simplicidade,
a cidade parece sentir as dores das minhas perdas, ela
separou um cômodo da casa para armazenar toda sua
boa sorte e eu não sei mais onde guardar tanta pedra
que ganho, bom seria se eu lhe fosse apenas um estranho,
mas de tão admirável ela preferiu fazer de mim um pobre
dispensável sob as lentes da máquina fotográfica delatora
do sol, tão, tão só, não, não é mera frescura sentimental,
lhe tenho apreços, amplexos e bastante zelo, ah, como me
maltrata a lembrança da textura bagunçada do teu cabelo...

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Infelizes anos, últimos instantes de glória




Seu nome era "vergonha alheia", leia na lápide
o epitáfio, a história de um homem tornado cão,
dez anos desperdiçados de maldição com sua alma
ainda humana, de tempos em tempos falando de amor
à muita gente estranha, mas não havia quem prestasse
atenção porque a voz não acompanhava seus pensamentos,
dormia ao relento e ninguém entendia seu choro porque ele
só latia, sempre a se entristecer em cada esquina ao ouvir
sobre grana e sentimentos numa mesma frase, tão verdejante
a grama que deitava e a rejeição o deixava cada vez mais cinza;
o sol o esqueceu, um dia ele adoeceu de falta de fé, mas aquela
estranha mulher simples com ares de anjo hippie, desprovida de
bens materiais e todo seu singular apreço por animais o acolheu
no recanto de seu colo, se pôs no lugar de um carente e o fez voltar
a ser gente, a última visão de glória antes do último suspiro, o reflexo
do azul celeste na lágrima que escorria no rosto dela e assim o sofrimento
terminava, não havia mais espaço para fingimentos de dó, nem máscaras
de pessoas doces ao redor, partia com a bonita certeza que alguém enfim
se importava...

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Nostalgia do idiota






Faz já algum tempo atrás,
antes dos amores se tornarem tão inacessíveis
e eu tão insignificante, quando os sentimentos eram
visíveis a olhos nus, sim, uma vez eu fui importante;
havia uma menina que magicamente se debruçava na
janela como uma flor no cabelo da tarde e enfeitava o
vazio do meu peito, fazendo-me sentir menos covarde,
aos olhos daquela mulher eu não era um qualquer, um
perigoso lunático sujeito à cuidados, desconfianças, à vista
daquele olhar simples eu era um estranho interessante, uma
criança problemática e singular digna de um cuidar e me entoava
canções de alento no silêncio da sua presença constante por onde
eu andava porque ela realmente andava comigo, com ela eu não tinha
o ego maltratado de um reles rejeitado, perto dela eu nem era mais
esse mendigo sentimental, o que tínhamos era doce e inocente porque
do contrário do mundo, ela me tratava feito gente, segundos que flutuei
e os anos passaram, rosas murcharam, hoje em dia amores custam tão,
tão caro, restaram-me só as memórias para entender que "raro" não se
encontra em qualquer esquina, era uma vez um anjo que virou menina
e me protegeu de mim mesmo, era uma vez, mas só uma vez...

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Misérias de uma espera vã....





O final de semana, a vida lá fora,
as portas entreabertas da casa abandonada,
cá meu peito infeliz sem nada, minha fé se
deteriora e a ferrugem vai tomando minha
bicicleta, as paisagens urbanas vão passando
por mim assim como os anos velozes e bem
como todos vazios corações vorazes sob as
mais belas noites sigo abandonado, o asfalto,
as luzes das avenidas vão ficando pra trás, eu
quero asfixiar, eu quero afogar tudo o que meu
coração me apronta e aponta como ilusão, lamentos
pelos meus mais sinceros sentimentos vãos, como dói
sonhar um sonho de dois sozinho, e não, eu já nem sei
mais se ainda espero ver ela voltar...