sábado, 26 de julho de 2014

Frustração, maresia e sal na barba...


Alguns fios brancos de uma espessa
e desleixada barba, um vazio  que nunca
acaba,  e sendo franco, frágil após outro
naufrágio, devaneiosà deriva, minha vida
é um péssimo filme sobre um pobre pirata
que deixou o amor próprio de lado pra ser
saqueado em terra firme, perdi meu entusiasmo
em um navio tragado pelo mar bravio da expectativa
e agora sem alternativa sobrevivo na minúscula ilha
chamada marasmo; através da luneta eu vi gente de
um estranho planeta onde a beleza interior impera
e os sorrisos forçados superabundam,  as águas da
razão inundam meu bote de ilusão em pleno feriado,
olha só aquele cara com asas que sempre tem pra onde
ir no final da noite, ah, oposto e todos os meus amores
sem rosto, bem, quanto à mim resta-me voltar pra casa
sozinho pra ver seriados de tevê, te ver? Nunca mais te
vi, esqueceste à mim,  oui, c'est la vie...

terça-feira, 22 de julho de 2014

Silenciosamente....


Não é tédio, é apenas silêncio...
ainda não possuo tal sabedoria
nem paciência suficiente pra entender,
disse à alguns dos meus melhores amigos
imaginários antes de mencionar você pela
terceira vez no dia; estou triste e indisposto
sob ares de agosto, acordei quase agora, e
o sol lá fora tá foda, e sem nenhuma previsão
de um possível reeencontro nesse meu conto
infeliz intitulado "Canto de espera", quem dera
pudesses ouvir meus invisíveis confidentes, sobre
tudo aquilo que queria ter feito e lugares ermos
por onde andei tão só, tamanho o desejo de tê-la
ali comigo, algum abrigo improvisado em um fim
de tarde chuvoso, um desvio de percurso, um "abraço-
de-urso" entre prateleiras de um supermercado qualquer
após às 22 horas, belo, ingenuamente belo, tipo aquela
antiga canção de iê-iê-iê:"Eu quero segurar tua mão"*,
escrever até que possa melhor compreender silêncios
porque eu não me canso de estar entediado, parar de
achar graça das coisas que na verdade não acho engraçado
e por fim, aprender, sobretudo à te esperar calado...



*The Beatles - I Want to Hold Your Hand



quarta-feira, 16 de julho de 2014

Um dia desses


Há de lembrar...
"Fracasso", disse a noite sobre
meu quase escasso e doce jeito
de gostar, e o mundo dizia de nós:
"Medíocres", não ainda cegos no
sentimento mas míopes, a singeleza
de um amor que começou com o empréstimo
de uma caixinha de lápis de cor, o leve toque
de indicadores, tudo era simples, simplesmente
bonitinho, o suor frio da mão na minha, tua carinha
sorrindo, lindo, a porta entreaberta da redescoberta,
algo novo de novo, supostamente "quase lá" e a falsa
sensação de enfim te achar, o relógio conspira enquanto
o tempo gira, parecia que seria desta vez, mas novamente
era mentira; os dias passam, viram meses, e às vezes volto
à sentir o agricode da frustração que foi não poder lhe ter
naquele ano, o engano será engananado, espertos serão
trapaceados, ah, e sobre mim em relação à ti? Lembrarás...

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Sabe-se lá, vai que não, né


Manhã chuvosa, 
senti um cheiro bom
de flores e torta de maçã, 
despertei, desenhei  uma porta 
no ar afim de dar passagem para um 
dia lindamente ensolarado, atravessei  
o mau tempo sem ninguém ao lado, nem 
ao menos pra poder compartilhar da minha 
fértil imaginação, resolvi ignorar a palavra 
"coração" do meu vocabulário mental, 'sacumé',
otário e tal, disse a sorte sobre mim com um certo 
cinismo nos lábios há alguns atrás e nunca mais voltou. 
Ah, esses dias primaveris tão bonitos onde tanto quis te 
encontrar, mas estava escrito que não seria possível, após 
me declarar invisível e tanta ansiedade assumi minha dócil 
insanidade pra viver um grande amor, solidão, etc., sei lá, 
será que um dia nos salvaremos da escuridão?

segunda-feira, 7 de julho de 2014

De vez em quando dezessete...

Oh, medo que nunca venço,
e no final apenas me convenço
de fazer uso do bom senso pra
poder voltar outra vez ao marco
zero, mas já nem me desespero
mais;  por quantas vezes ainda
hei de voltar àqueles dias em que
quase fui feliz cada vez que faço
menção de ti pra alguém, mesmo
não me fazendo bem, bem diferente
de antes, a cada nova notícia teus
sinais estão mais e mais distantes,
miserável lembrança que de certo
te enfadas, e o mal que te fiz foi um
buquê de rosas furtadas, um andarilho
maltrapilho, um filho sem mãe perdido
pela noite da cidade com um único pedido:
reciprocidade! Mas é que comigo sempre
foi assim, gostando e me gastando mais aonde
não tive preço e pus apreço, e o avião cruzou
meu campo de visão quando olhava a lua,
esperando ansiosamente enfim te encontrar,
e no lugar e hora marcada eu disse que era
teu e você nada prometeu, tua, muita falta
tua, qual nada, qual o quê, à você somente
pétalas de "bem-me-quer", e me disseste:"Não
há de quê..."

terça-feira, 1 de julho de 2014

Anteontem


Eu sou o findar do dia,
o fim do arco-íris refletido
num olhar infeliz, a folha seca
à flutuar, a página do gibi esquecidamente
encharcada na poça d'água da chuva da
noite passada, eu sou a mágoa que restou
no bilhetinho de despedida atirado lá do
alto do viaduto da avenida, eu sou a incerteza,
eu sou o término, eu sou aquela toallha de mesa
que virou um terno cafona, eu nada tenho e a tristeza
é minha dona, eu sou o quarto abandonado após a orgia,
eu sou o raro amor do menino desprezado hey, olá, meu
nome é nostalgia...