quarta-feira, 30 de abril de 2014

Mari-baunilha, sangue limão...



Mari-baunilha, 
eu, você, uma ilha...
mar à noite, mão na mão, 
sangue limão pulsando, oração, 
coração, meus dedos entre os teus, 
entre o céu e o solo, colo, ei, flor, sabe 
as tuas pétalas? Leva-me, pois, nelas, 
vai, faz favor, seja pra onde for, ei, anjo, 
esconde esse maior abandonado chamado 
"marmanjo" sob tuas asas perfumadas, pois 
não tenho casa pra ir, nem sequer onde dormir,
tu és tão linda e eu tão nada, trago apenas esse 
raro amor que me dói e uma alma necessitada de 
reparos, razão demais destrói a fé no quase impossível, 
e mesmo sem ter teu endereço, pago o preço do final feliz, 
eu, você, uma ilha, Mari-baunilha...

sábado, 26 de abril de 2014

Sonoro sol...


Silenciosamente...
inquieto coração de mar bravio sem navio 
algum no horizonte, faz frio, dormi ao relento, 
eram as primeiras horas da manhã, a lembrança 
das lindas maçãs do teu rosto me fizeram revirar 
por toda a extremidade da praia, quero que você 
saia de mim, mas eu sei que não vai ser assim tão 
fácil, é preciso muita calma para ter uma tatuagem 
removida da alma, no meu caso é o mistério desse 
teu sorriso tranquilo bonito que me tira do sério, 
uma fotografia tua dentro de uma garrafa solta na 
minha corrente sanguinea, você em mim mas nunca 
minha, implorava cura à um céu de nuvens escuras 
quando o sol se espreguiçou timidamente nos primeiros 
fios luminosos, depois saiu de vez em tom de valsa, dobrei 
a barra da calça e caminhei contente por estar vivo, deixar
a onda suave acarinhar meus pés descalços, bem querer,
outra vez desisti de te esquecer...

quinta-feira, 24 de abril de 2014

O último à sair da lanchonete...







Estou mudo e mudando, 
tô vendo através de tudo 
porque não vejo graça em 
nada por agora; abandonei 
meu lanche pra dar uma volta
lá fora com a mente à divagar, 
o reflexo do meu semblante distante 
na pequena poça de refrigerante deixada 
na mesa enferrujada dessa lanchonete esquecida, 
olha ali a vida tentando atravessar a avenida, um 
trânsito caótico, mas eu espero que desta vez ela 
consiga alcançar esse cara outrora neurótico, agora 
sereno, a paz de sentir-se pequeno, quase um invisível 
entre tantos rostos estranhos, era tudo que eu queria,
brincar disfarçadamente de decifrar olhares, imaginar 
a causa de certos sorrisos, alegrar-me indiretamente, 
tá pertinho de escurecer, eu vou torcer, eu vejo fome 
em algum canto desse mundo diferente, do lado oposto 
sinto desgosto em ver cinzas de cigarro apagado sobre 
um pudim desprezado, eu vejo gente enfadada de tanta 
atenção, e "farrétempo" que já não tenho um coração 
assim só pra mim, escrevo versos pra alguém que talvez 
nunca conheça, são quinze para meia-noite, quase terça...

domingo, 20 de abril de 2014

Benfica...





Ei, olá, quem sou eu?
Pouco importa, oi de novo,
me mostra essa tua cara de
melancolia por trás dessa máscara
de boemia e me beija com honesta
serenidade, que é só o que me resta
de esperança nesta parte da cidade;
somos estranhos com tanto em comum,
eu sei, eu sei, sou só mais um, mas mesmo
assim não consigo disfarçar o imediato apreço
sem tamanho no blues dos meus olhos castanhos,
esqueço de mim nesse perambulante amor de traste,
fugi praí  assim que me senti abandonado, agora um
contraste bem constatado, confortavelmente em ti sem
poder me mover, a rua vazia e a lua já no alto, ei, olá,
quem eu sou? Sou aquela árvore ali no meio do asfalto...

terça-feira, 15 de abril de 2014

Tava ouvindo Nirvana...







Vagando e divagando do seu 
peculiar modo imperfeito, olhos 
vermelhos de um peito surrado, 
tipo assim, joelhos à mostra no seu 
jeans grunge e o cabelo ruim; pois é, 
não é a primeira vez que ele foi o sonho 
mais rápido de alguém em suas descartáveis 
canduras, prende o choro e perde a fala, lamenta 
porque agora só serve para atormentá-la, mas nem 
é a primeira vez que a sua inocente presença se torna 
doença à uma alma de moça imatura, verdade seja dita,
muita gente apenas o atura, todos tristes no amor, desertores 
e abandonados, cê viu, outra vez o poeta vadio foi deixado de 
lado, nada de bom, nada de tão mal, nada de novo no estranho 
mundo do vagabundo sentimental!

sexta-feira, 11 de abril de 2014

À bonita solidão...

Revirando gavetas de arquivos
de memória no meio da noite encontrei
a lembrança do dia em que nos falamos
pela primeira vez, um encontro de desacreditados,
ambos olhando para trás meio sem graça, tal hora
a gente sorri e disfarça, era difícil admitir nossa falta
de sorte com nossos estranhos corações pelo mundo
a sós, e eu me indagava pra onde estariam indo nossas
orações que nunca prestavam atenção em nós! De cara
me encantei e não pude acreditar que nunca haviam te notado
da forma como eu te olhei naquele dia, queria escrever sobre
você, queria te desenhar, queria te esconder dos dias frios sob
o ensolarado céu da minha boca toda vez que pronunciava teu
nome, estavas no âmago, tanto que tudo ao teu respeito me fazia
tremer o estômago; foi-se um ano e eu não sei pra onde foste, certeza
tens outro alguém e o deixado continua sem, meus olhos brilham ao reflexo
dos faróis dos automóveis na avenida, um passeio de bicicleta pela cidade
com o peito cheio, muito cheio de saudade, achei que ia chorar, mas não,
tô cortejando outra, um céu bonito, tanto quanto você...solidão.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Menino inverno encontra a moça primavera



Versos sussurrados do menino de terno surrado 
à mocinha de vestido florido, ambos sob a chuva, 
um estranho colorido declarando o fim do inverno, 
cessam as dores com a chegada da estação das flores 
e a garota que rodopia pela cidade com seu olhar cantante
reparou no rapaz que nunca soube o que é ser prioridade, 
acostumado sem ninguém do lado, com seu velho cargo de 
"Na falta de algo melhor...", hoje pode ouvir claramente do 
sol que não seria mais tão só. Sempre sonhou em ser salvo por 
um abraço de braços brandos, lembrando de incontáveis frustrações 
em ilustrações de traços toscos em preto fosco, o amor da vida do 
menino triste existe e não exigiu um  encontro em lugares deslumbrantes 
com gente esnobe, comida cara, nem nada, aquela nobre amiga especial 
super adorou a idéia do cenário de teto estrelado e singelo lanchinho na calçada...

sábado, 5 de abril de 2014

Eu, a mosca em volta da tua caixa postal

Sou o inseto 
do afeto... vivo voando 
sem jeito e com certo receio 
ao redor da tua caixa do correio, 
sujeito à enganos, um mísero ser 
isento de calor humano que se alimenta 
de sentimentos que muita gente inventa; 
sou sempre o primeiro à ler tua correspondência, 
claro, na maioria das vezes são apenas contas, 
nada contra coincidências, só detesto o fato delas 
nunca me acontecerem e todos meus amores sempre 
me esquecerem como de costume, mas quando sinto 
perfume nos papéis me encho de ilusão, ignorando 
qualquer tipo de razão, então me ponho à sonhar 
que aquelas belas palavras da carta apaixonada 
são de mim pra ti, queria dar-te rosas mas sou pequeno 
demais, não suporto sequer o peso de um simples bilhete, 
que dizer de um ramalhete...

terça-feira, 1 de abril de 2014

Fábio pulou...



 

Cálida manhã 
de pálidas maçãs
do rosto exposto 
ao céu nublado de 
sábado, a vida é tão
difícil lá embaixo, mas
tudo parece tão calmo
do alto desse edifício, a
um palmo do fim; o mar
ao longe e a imensa vontade
de voar até lá, mas é que eu
esqueci minha capa, sei lá, vai
que ninguém precise de mim e
eu queira ir mesmo assim, imaginar
teu chamado e mentalizar você aqui 
do lado, esse herói falido que desprezas
preza teus mínimos detalhes, te escreve
alguma poesia todo dia e sempre tira um
tempo para divagar em devaneios sobre
tudo o que disseste, só que continua insistindo
em desistir, penso eu, caio em si, já se foi há
quase um ano, me pego rindo sozinho da minha
estupidez, era uma vez um menino diferente, vou
em frente e me deixo cair, caindo, rindo, indo,
olha ali o chão, tava quase, quase chegando, despertei,
acordei chorando...