sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Madrugadas tais






Inquieta madrugada insone, palavras sem vozes, rostos sem nome, poltronas silenciosas e mais nada interessante pra se ver, estúpidos programas, filmes estranhos na tv, ode à melancolia, sob a meia luz de um abajur alguém lia, lá fora o luar realçava o sorriso de quem "vencia", ao passo que delatava o vazio de quem se convencia que outra vez não seria dessa vez; alguns poucos veículos deslizavam no rio calmo do asfalto das duas e pouco da manhã, olhos solitários encaravam o teto, sonhando com beijos de hortelã, mãos formigavam por anos, à espera de atenciosas mãos pra dar, quase utopia, enfim a luz do dia, o sol beijou a praia de maré cheia, um coração anseia por uma novidade que seja, amanheceu, a angústia sumiu pelo azul à perder de vista e a pessoa qualquer enfim adormeceu... 

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

O maior sentido da vida é a esperança, cara...






Águas, longínquas águas, a meta agora era deixar amor e mágoas pra lá, aquele antigo sentimento solto numa garrafa em pleno mar, e enfim, a glória do esquecimento; era uma vez um coração em açoites após noites de amores vorazes e luzes velozes, as cores refletidas nas gotas de oceano salpicam enganos nos pés de solitários andarilhos, oh, desprezada beleza gratuita da natureza e incertezas ao longo do caminho, mas ainda assim permanece a fé na sabedoria de Jobim, "Fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho."

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

O previlégio de ser incomum





Há algum tempo atrás a sorte me odiou demais e a solidão agora menos me rodeia, mas nunca fez minha cara invejar a vida boa alheia, desejei de todo coração estar só em paz, tudo o que eu mais queria era meu lugarzinho ao sol, por muito, muito tempo vivi como um cactus isolado em pleno canteiro de flores, por longos anos, minhas dores foram só minhas, abraços que curam e mãos pra dar que não tinha, em dias invernais fiz meus próprios carnavais, agora digo, que venham os dias frios, agora eu sou um abençoado lunático acrobático se equilibrando no meio fio...

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Sorrir sem






Planos, planos, planos que não faço, nem faço parte, acho que meu destino é ser aquele "loser" que parte sem ninguém nos finais dos filmes, noite alta, o blues do som da gaita e a gratidão de não sentir mais aquela baita falta, Lucy ali no céu com os diamantes, e eu nasci pra ser um mísero coadjuvante, solidão até aonde a vista alcança, expectativa, desilusão, e tendo superado tudo, calmamente mudo, o coração enfim descansa...

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Outras rimas, outros rumos






Outra vez o fim do dia, com o passar do tempo a frustração se converte em sabedoria, a beleza forçada"enfeiando" à medida que envelhece e a pretensiosa certeza por fim desaparece; meu olhar em par com a rebeldia dos teus cabelos em movimento frente ao mar, teu sorrir despreocupado, despretensioso na veracidade da tua simplicidade elegeu-me o dito amante, com uma estrada de amor à perder de vista sob pés outrora fatigados de desesperanças, renovadas forças para retomar as andanças, e assim fizeste da alegria a protagonista do filme da minha vida e a porra da solidão mera coadjuvante, sem foco, quase que totalmente esquecida...

 

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Triste como meus ídolos...








Eu sou o palhaço "fracasso" em plena segunda feira, eis o abismo de mim e cá estou à beira, ó, dia perverso, treinei, tentei, mas não tive sucesso em mais uma tentativa de esquecer o som da tua voz, vontade, mortal vontade de estar a sós sob a claridade da lua refletida no teu globo ocular, disfarça, acho que vou chorar, pois a vida vai perdendo a graça, o tempo passa e a gente se convence cada vez mais que não vence, rumos, rimas e afins, "Todo dia parece domingo", tristemente cantou aquele menino franzino com o ramalhete de flores no bolso traseiro do jeans...

domingo, 1 de outubro de 2017

De instante em instante some!







A graça dos teus movimentos nos momentos mais desengonçados, meu filme cult, meu chá de camomila, as antigas lentes das minhas pupilas te filmaram indo embora há cerca de 1 hora atrás, o ônibus se afastando, a melancolia se aproximando com a falta da tua gentileza, volta a incerteza, vem cá e pega a minha mão e leve-me pra bem longe da terra dos "não's" porque na terra do Nunca a gente voa e é feliz, penso no formato do teu nariz, meus lábios tremem, Deus, como é linda tua imperfeição, meu doce sonho sem previsão, o teto da noite feito vazio à perder de vista, olho pra cima, quantas rimas sofridas para que enfim sejas minha querida?