quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Entristeço






É mais um dia na vida do Charlie Brown, mais um dia de alegria 
tardia, lá vem, lá vem setembro e nada à esperar, agora uma brisa 
e uma canção de Marisa pra amargar", Ainda Lembro", e vou cabisbaixo 
pela cinza cidade sob um céu sem grandes novidades, quase fim de agosto, 
mais um rosto pra apagar da memória, outra história que sequer começou, 
no reflexo da vitrine indaga:"É  assim, Deus previne, o homem estraga?",
ah, possibilidades, tudo pode, mas antes de cada anoitecer, a solidão me fode...

terça-feira, 15 de agosto de 2017

"Otariamente"...





Vãs, esperas vãs que fazem desacreditar no amanhã,
entre desencantos, desdéns e desamores, um desespero
por cores, as ondas na praia, o som das gaivotas, damas
e dramas sempre me fizeram sentir tremendamente idiota,
oh não, outra vez aquele pesadelo das borboletas sem asas,
cabisbaixa silhueta no caminho de volta pra casa, sozinho
como de costume, vago sem achar graça alguma no brilho
das estrelas e na luz dos vagalumes...

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Fadado a não ter





Me encara a noite, ei, cara, confesso certo espanto, que merda 
esse sorriso "amarelo" da cidade, tão falso e superficial quanto, 
cá com meu amor de metal, a velha bicicleta, Norah Jones nos fones
porque eu nunca quis uma vida a dois, assim toda planejada, são rimas 
de uma alma calejada, foda-se minha boa intenção, veja as flores no olhar 
que te trouxe por olhos teus de rejeição, okay, ainda te espero, mas sem porra 
de "felicidade", tão doce e duplamente amargo o querer e de largo, outra vez 
passou a reciprocidade...

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

O fim da solidão





Na incessante espera e busca por algo belo no pobre coração me tornara interiormente feio, "receio" era meu nome do meio, foram incontáveis, ó, incontáveis vezes batendo portas estranhas, mendigando sorrisos, catando restos de alegria no lixo de gente que já teve muito na vida, havia um córrego que corria de sófregos olhos, de águas distraídas e folhas caídas de outros jardins em mim, havia um céu de nostalgia cobrindo mundos desinteressantes, e nesse instante um menino sentia e sentava sob a luz de um poste à beira de uma estrada pra lugar nenhum, afim de escrever sobre coisas belas que nunca pode ter, a não ser através da tela da TV, simplórios sonhos, porém inalcansáveis de alguém pra sorrir junto ao final do dia, lia em voz alta porque ninguém ouvia, não
cria mais em 'porríssima' nenhuma, nem mesmo no tal do carma, quando pela última vez olhou o céu bonito da noite sozinho e gritou:"Agora eu só acredito no poder da minha arma!", chovia, era uma vez poesia...

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Ignore "por ques" e seja felizmente louco!





Se o plano é seguir em frente, 
nem que andemos às cegar por aí, 
pois que o sol faça da vida uma estrada 
florida para onde o sarcasmo não seja bem vindo, 
lindo mesmo era caminhar à esmo com entusiasmo 
pelas curvas tranquilas dos teus lábios, foi há muito tempo atrás
quando encontrei gratidão no sorriso peculiar que brotava das terras 
áridas da frustração, lembro, eram meados de abril quando meu coração 
estéril se revelou febril, oh, Deus, por que o amor acaba, por que a droga 
do meu olho tanto se apega, por que o baseado sempre apaga?!?

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Chora, poeta!






"Tempos difíceis para os sonhadores", aquela frase batida do filme, preciso estar firme, eu sou flor singular na avenida que não foi vencida pelo cimento, distantes sonhos concretos e eu não consigo lembrar quando firmei aquele estranho trato com o acaso de viver de abstratos, já são anos sem muita proximidade, sorvete, uma casquinha dividida, aquela penosa espera de simplicidade, braços dados com a desventura, escassez de abraços, reles criatura em sua vida de desfoque, um poeta incolor, quase um fantasma sem peles, nem toques

domingo, 6 de agosto de 2017

Ventos de abandono






Todas minhas expectativas viram história, ah, esses desdéns deveras desgraçados que não saem da minha trajetória, seja como for, sempre à espera da tão distante primavera, ah, quem dera amor, sempre com o rosto nos restos da alegria alheia, um mendigo, um poeta com a estranha maré de melancolia no mundo do globo ocular e ninguém mais quis ir lá, das sombras às sobras, a esperança de pé na cova, a alma em trapos, meu reino por uma roupa nova!