sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Eu simplesmente soube, cara....







Dia após dia, tempos e tempos sem cor e meses tornaram-se anos nessa letargia à espera do grande amor; o pneu da bicicleta, os ponteiros do relógio, o mundo, tudo, tudo gira, no meu caso o universo quase nunca conspira, ah, quantas pessoas me deparei com suas colunas eretas 
em posturas de autoconfiança e nesses desatinos das andanças, por tantas vezes esqueci que "o destino sempre me quis só", parecia utopia, sabe, querer, mas foi num entardecer, estranhos rostos
na estação de trem, desconhecidos vencidos contemplavam a bucólica paisagem amarela passando ligeiro nas janelas e era eu, então, só mais um passageiro pra lugar nenhum, ali já tão, tão distante da cidade, foi quando senti um conforto surpreendente no coração, algo bem fora de previsão, foi à beira da desistência que enfim fui achado pela...reciprocidade.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Eu disse ao vento






Nesse exato momento, lamentos...histórias chegando ao fim, assim como tem gente feliz com recentes segredos inocentes, no âmago das muitas voltas com a amargura já pensei muitas vezes nessa vida que há um plano bizarro que tem como pano de fundo os desafortunados do mundo; já andei cabisbaixo demais pela cidade com essa estranha relação de afeto com a negatividade e nostalgia, agora pouco importa se a sorte me esqueceu, cara, já andei só demais, agora anoiteceu, me deito e me deleito com a ingenuidade do sorriso das crianças que vi durante o dia e então durmo em paz...

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Olhares ao redor





E depois de uma noite de efusiva alegria, melancolia...rostos fatigados ao longo da estrada da qual há muito sou andarilho, há muito tempo atrás fui "filho", hoje não mais, hoje sou só um "caroneiro" viajante, e a vida, um estranho veículo com a silhueta de um desconhecido ao volante, porra, eu realmente não sei pra onde estou indo, mas não tenho o privilégio de ficar parado, que é pra não ser alcançado...por mim mesmo, cada vez que eu me perco, me encontro, cada vez que penso ter me encontrado é quando mais perdido estou, a simplicidade segue pela cidade, o "complicado" nos persegue, mas nós temos a graça de vários cenários pra admirar e engrandecer-nos interiormente para que "existencialismos" e afins não consumam nossas mentes até o fim....

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Como era linda a incompreensão!





Sorrisos escancarados, luzes demais, as cores artificiais no céu inibiram as estrelas, hoje é dia de excessos, hoje é o perfeito inverso da calmaria e sinto-me um tanto insano, hoje é o último dia do ano; como pode um dia tão festivo esvaziar meu peito tanto assim, só consigo pensar que não pertenço, que esse dia não foi feito pra mim, alma perambulante num dia material, alguns enchem a cara e vomitam alegria, mesmo assim não me sinto anormal por não sentir como todo mundo, estranho talvez, bem, não é a primeira vez e no meu universo à parte, me vêm traços da infância, quando eu não sabia quem estava cantando, apenas doava meu corpo à melodia, e caso fosse de dançar, desengonçadamente dançaria, fosse de chorar, nem que escondido, choraria, dias de reações naturais e sinceras aceitações, ó, pra onde foram esses tempos, ainda falta muito pra amanhecer e choro por dentro, lamentando a dor que é ter que crescer...

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Lembrar




A bordo de um ônibus chamado "devaneio", lembrei de quando descobri tua existência até a lembrança de quando te escolhi e à cada ausência tua, encolhi; da janela do bus me vejo ali sentado sozinho em um balanço
de parque, assobiando Buarque, estranhos rostos de vozes vorazes, nesse exato momento um "olá" do meu amigo relento, escureceu na cidade, o sobrenome da noite é "saudade", meu olho para o soco e tinta vermelha para narizes felizes, crônicas urbanas de asfalto, um salto para o vazio de um dia frio, o blues da janela do bus...


quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Àqueles que quase se conformaram com o tal do "impossível"...







Doses de incredulidade pelas noites na cidade, a antiga xícara esquecida pela casa ainda com um restinho de café, incertos olhos que um dia fitaram a lua em um triste transe sem saber que a lua encarava-os de volta com desmedida fé, o ar cálido com cheiro de lavanda, perfumando almas outrora inodoras, criaturas das varandas, "perdedores sonhadores", assim caçoava a noite cruel, e assim conspirava o céu, trazendo o que parecia que nunca viria, bem, até então não vinha, outra vez anoiteceu na cidade, mas agora doses de sincronicidade, o amor entre um plebeu e uma rainha...

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Madrugadas tais






Inquieta madrugada insone, palavras sem vozes, rostos sem nome, poltronas silenciosas e mais nada interessante pra se ver, estúpidos programas, filmes estranhos na tv, ode à melancolia, sob a meia luz de um abajur alguém lia, lá fora o luar realçava o sorriso de quem "vencia", ao passo que delatava o vazio de quem se convencia que outra vez não seria dessa vez; alguns poucos veículos deslizavam no rio calmo do asfalto das duas e pouco da manhã, olhos solitários encaravam o teto, sonhando com beijos de hortelã, mãos formigavam por anos, à espera de atenciosas mãos pra dar, quase utopia, enfim a luz do dia, o sol beijou a praia de maré cheia, um coração anseia por uma novidade que seja, amanheceu, a angústia sumiu pelo azul à perder de vista e a pessoa qualquer enfim adormeceu...