sexta-feira, 22 de setembro de 2017

E que venha a calmaria...






Um dia o infortúnio me nomeu "poeta otário", era uma vez meu último amigo imaginário, Bowie  se foi, meu olho não disfarça a tristeza da qual sou cativo, tanto que ando implorando por uma dor de espinho que seja, só pra me sentir vivo, a solitária busca contra estranhas forças da natureza, ó, cidade cor de chumbo como densas nuvens de incertezas num céu sem novidades, acaso, obscuro acaso nosso de cada dia, adia encantos, odeia reencontros, mas hoje eu tô sentindo um cheiro assim tão bom, ilusão ou não, permanecem os devaneios de uma boa colisão...

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Chuva de mudanças






Tardia sorte e aquela velha utopia, outra vez segunda-feira, sei lá, talvez besteira, meu reino por um amor que curta bike e não me cause um baque de dor, os neuróticos aderem à mediocridade temendo uma proximidade que tire do sério e meu coração caótico ao anoitecer, com a mesma oração de um dia deixar de ser; a cada amanhecer à espera de uma chuva diferente, aquela que milagrosamente nos traz gente nova e a vida então se renova, gente sem preconceitos demasiados pra prestar mais atenção na gente, gente pra saber como a gente realmente é, gente pra ajudar a estar de pé, mas confesso embaraçosamente, o tempo passa e cada vez mais eu odeio...gente.

sábado, 16 de setembro de 2017

Esperas maltratam pra caralho!






Olha o dia terminando, olha o cenário anoitecendo, de vazios bem entendo, passa, eles sempre dizem que passa, me sinto tão sem graça sob o mau humor de um céu nublado, como se minha vida inteira tivesse sido apenas a porra de um filme dublado, primavera interior, bem, seja como for, não, não sou mais, eu era, e enquanto isso as ondas beijavam a praia em meio à escuridão, ao som das gaivotas, eu só tenho pra mim a solidão da incerta espera da tua volta...

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Tristemente idealiza





O sarcasmo da lua cheia sobre meu vazio, outra vez a sorte "não me viu", ó peito sem jeito de tanto marasmo, implodindo de incontido amor, se for de acontecer um dia, que seja para depois haver uma chuva de flor, e lá se vai mais um ano de sonhos de amores suburbanos desperdiçado, preces e mais preces tarde da noite entre as prateleiras de um supermercado qualquer porque ela parece demais com essas moças legais que eu só encontro em filmes e livros, ó Deus, será que algum dia eu me livro de mim?

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Porque a vida, ela é de se acostumar...




Horizonte amarelo, o fim do dia sem graça, sem mais aflições ou novidades, disfarça, escurecendo a cidade, e então o céu, quanto mais escancarado e estrelado, aberto à confissões; meu rosto conformado na 3x4 da identidade revela minha incontida tristeza, lástimas chamadas lágrimas agora escorrem pelo olho do pseudo poeta e o que é meramente pele por demais fere, tantas, tantas vezes má, beleza, outra vez presumi gentil, sem querer, querendo ela mudou a vida de direção e fingiu que não me viu, mas é que incansável aos meus pobres lábios é esse terrível termo "amor",
quem eu sou? Oi, olá, meu nome é "dispensável"...

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Tempos de inexistência






Ah, que hoje rasguei o joelho do meu jeans e me senti feliz, vestido como sempre quis, aqui da janela minha visão restrita do mundo, daqui eu vejo ruas já quase sem paisagens, cinza e descolorindo mais e mais, daqui eu vejo gente falsamente sorrindo, no utópico desespero de uma  estranha alegria constante, cara, isso me deixa bem down, mas eu preciso parar de protestar inutilmente no meu coração, pois o orgulho é um pedregulho soterrando o canteiro de rosas de simplicidade que embelezavam a cidade e nos enfeitavam o peito, admito, sempre me senti menor do que todos que professei amar e não me amaram de volta, sou revolta sem revide, estou vivo, grato por todas as coisas boas que eu já li, agora uma casa na árvore, eu sou aquele tipo que nunca sai, por uns tempos encolhi e fui morar num bonsai...

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Ansiedades, vãs ansiedades





Surrado, coração surrado, no meu peito uma roseira, do mar à beira e suaves ondas me beijam os pés fatigados de tanta procura, admito, de tanta solidão beirei a loucura, já falei demais, já briguei demais comigo mesmo, alma maltrapilha de Carlitos agora à cores, cores de Almodóvar, cores em sofríveis contrastes com meus dias em preto e branco, ah, se me notasses, ah, quem dera, "Trago esta rosa(para te dar)", Tim Maia, Primavera, e me olhar outra vez não quis, sei lá, talvez não pode, maldito vazio de espera vã e eu aqui doido para que chegue logo amanhã só pra não ser mais hoje...