sexta-feira, 1 de junho de 2018

Poderia ser verdade...



Eis outro ano previsível, agora uma prece, ah, se desse, ah, se fosse possível uma chuva colorida para me tornar visível, poder sair enfim na fotografia da minha cidade ao sol de um dia lindo, esquecer todas aquelas manhãs cinzentas e conduzir-te sorrindo em uma dança ao som de uma canção lenta sobre o gelo fino, contrariar o destino "que sempre nos quis só", tanto faz se o chão ruir sob nossos pés, foda-se, ao invés da queda, voaremos sob um céu imaginário, um belo casal de otários fazendo a diferença, indiferentes àquela velha descrença do mundo em nós...

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Que bênção é sorrir despropositadamente, doido!



Voltei por onde eu vim, fiz do jeito que quis e não porque a natureza achou melhor assim, cara, ela está ocupada demais compensando com beleza um mundaréu de tristeza para desperdiçar tempo controlando a vida dos meninos sob o codinome "destino" e seja para onde for, nós temos muito à aprender até que se consiga no coração, a legítima definição de "paz interior", daqui eu vejo desespero por focos, daqui eu vejo ilusões transbordando copos, daqui eu vejo supervalorização e ao mesmo tempo desdém de corpos e estou bem longe de sinônimos de "felicidade", olhei o céu bonito dessa segunda-feira, sorrindo à toa por ser apenas mais um anônimo na cidade...

terça-feira, 15 de maio de 2018

O mar te salva!





Mar, pesado mar de maré cheia, uma feia folha solitária e perdendo a cor flutuava na tranquilidade de águas quase imóveis no entardecer, a noite ansiava por vir e eu só queria desaparecer nem que por algumas horas, sob olhares da paisagem urbana, o sol beijava o céu numa saudação à escuridão que vinha, tragando o caos, soprando anéis de cirandas de estrelas, pensei no amor, feliz por tê-la e anos e anos que não tinha, a sanidade restituída pela mesma cidade que mais uma vez quase a levou por completo,  e como naquela canção do Roberto, "Não há dinheiro que pague", pra se reencontrar, se preciso suma, mas não se perca, você pode até ser como eu naquela tarde no mar, uma reles folha seca, deixando-se levar...

segunda-feira, 30 de abril de 2018

O abraço mais honesto...







Vozes sem rosto, involuntariamente ouço estranhos e me sinto um tanto indisposto, um vazio sem tamanho, aquela velha solidão em meio à multidão, eu vejo a vida em movimento, nada parece me dizer respeito, tudo parece passar através de mim, um fantasma visível vivendo mais um ano previsível; pela cidade, a quase que constante falta de paz, aqui jaz a tranquilidade, mas em meu vagar, de repente senti a mudança de ares, uma leveza de brisa, o azul do céu me avisa, eis ali o lindo mar, eu quero descarregar todo o peso do meu nada e voltar pra casa com asas renovadas de imaginação, eu quero voltar à me amar, eu quero o abraço acolhedor desse nobre ancião, o mar...

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Vivo, ainda vivo!







Amanheceu, entristeceu, 
tento esquecer um pouco de tudo o que desejo, eu vejo salivas em dentes pontiagudos e olhos falsamente gentis cobiçando meu quase nada, oh, sim, esta manhã eu vi! O reflexo do desapontamento em poças de chuva da noite passada, pela cidade, insanidade e lamentos, agradecer duplamente pela vida também em memória dos miseráveis suicidas, "Viver é foda, morrer é difícil", mas mantenho-me distante da beira do precipício que incessantemente me convida, são tantas, tantas energias contrárias afim de nos arrancar um simples sorriso, mas o que o mal esquece ou nem sabe são das constantes preces à procura do bem que me cabe, agora sigo pela mesma avenida de sempre, lá já estive vazio, puto, explodindo de alegria, mas assim é a vida, nada é constante e nunca é bom sonhar tão alto, anoitece e tudo que tenho no caminho são asfalto e minhas preces...

domingo, 22 de abril de 2018

A cada volta tua...








A graça da sensibilidade de enxergar beleza nas coisas gratuitas da cidade, hoje acordei sem, deixei não sei aonde, corpos, corpos longe e só, a visão panorâmica da solidão a pairar sobre nós, distintos distantes, o sabor das cores, o som das flores e esse estranho plano de subtrair sensações, incessantes tentativas de inibir corações, sim, quanto mais se aproxima o sol sobre mim desanima; antigamente doía lembrar, agora melhor entendo saudade, não sinto mais como fosse sucumbir, talvez demore um pouco a sorrir, só isso, mas não tenho mais essa visão tão restrita do que é sentir falta, penso na alegria de cada volta e meu peito salta, o céu bem mais honestamente azul, o verde verdejante mais bonito que antes, afim de não sentir tanta melancolia, deixei de contar as horas do dia, leia no meu olhar, não há necessidade de bilhete, sinta a natureza ao redor, leia-me e tenha a certeza...rever-te...

domingo, 15 de abril de 2018

E já sem mais dramas







Águas tranquilas sob a ponte, a calma visão da janela do bus e me pus a olhar, deixando-me perder na paz da lembrança do teu sorriso preguiçoso e na doçura do teu cansaço, no asfalto eu vi estilhaços de antigas tristezas e senti-me grato, estou voltando pra casa como se não estivesse em um transporte, mas planando com imaginárias asas nas costas, nossos cortes de velhas feridas cicatrizando à medida que mais e mais gostas, é noite de sexta, cada vez menos enlouqueço, cada vez mais esqueço dos açoites da solidão sob céus estrelados de beleza em imensidão, pertenço à "não-sei-onde", aos "se's" digo "foda-se!", apaixonadamente grato e forte à contemplar da janela do bus as águas tranquilas sob a ponte...