domingo, 22 de abril de 2018

A cada volta tua...








A graça da sensibilidade de enxergar beleza nas coisas gratuitas da cidade, hoje acordei sem, deixei não sei aonde, corpos, corpos longe e só, a visão panorâmica da solidão a pairar sobre nós, distintos distantes, o sabor das cores, o som das flores e esse estranho plano de subtrair sensações, incessantes tentativas de inibir corações, sim, quanto mais se aproxima o sol sobre mim desanima; antigamente doía lembrar, agora melhor entendo saudade, não sinto mais como fosse sucumbir, talvez demore um pouco a sorrir, só isso, mas não tenho mais essa visão tão restrita do que é sentir falta, penso na alegria de cada volta e meu peito salta, o céu bem mais honestamente azul, o verde verdejante mais bonito que antes, afim de não sentir tanta melancolia, deixei de contar as horas do dia, leia no meu olhar, não há necessidade de bilhete, sinta a natureza ao redor, leia-me e tenha a certeza...rever-te...

domingo, 15 de abril de 2018

E já sem mais dramas







Águas tranquilas sob a ponte, a calma visão da janela do bus e me pus a olhar, deixando-me perder na paz da lembrança do teu sorriso preguiçoso e na doçura do teu cansaço, no asfalto eu vi estilhaços de antigas tristezas e senti-me grato, estou voltando pra casa como se não estivesse em um transporte, mas planando com imaginárias asas nas costas, nossos cortes de velhas feridas cicatrizando à medida que mais e mais gostas, é noite de sexta, cada vez menos enlouqueço, cada vez mais esqueço dos açoites da solidão sob céus estrelados de beleza em imensidão, pertenço à "não-sei-onde", aos "se's" digo "foda-se!", apaixonadamente grato e forte à contemplar da janela do bus as águas tranquilas sob a ponte...

segunda-feira, 5 de março de 2018

Pela cidade violenta saí pra ver o meu amor...





Acordei em um dia estranho, 
pela janela entreaberta eu vi um céu sem sol carregado, a cidade em estado de alerta, meninos de almas maltrapilhas, armados e mal amados retribuíam o descaso com ódio redobrado, as notícias, os rumores assombravam e amantes desesperadamente se apegavam a amores, medo versus desejos gritantes de paz interior, uma acirrada batalha no ar pra quem dominava o coração dos pobres habitantes, os dias já não são como antes e eu não era mais o mesmo, saí pelas ruas com memórias e sons doces de sorrisos e vozes de quem me faz melhor, sentia receio, mas com a certeza que eu não estava só, sim, cara, eu entrei naquele ônibus e fui para bem longe sentir aquela boa proximidade do céu, cruzei fronteiras de risco pra encontrar a moça com rosto de sol a cantar e olhos de mar, sim, pela cidade o perigo era constante, mas ela era meu paraíso ambulante e eu ignorei tempos de violência para que meus lábios temerosos reencontrassem a inocência da sua nuca, a cidade estava um inferno e a garagem dela era a minha Terra do Nunca....

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Sumir até que é bom...






De tempos em tempos, desfamiliariza-se, pois, a simpatia de mim como as folhas das árvores em outonos, os contornos distorcidos do reflexo do meu rosto na poça da chuva da noite passada, escurece o chão das calçadas que piso, eis aqui uma sombra em pleno temporal, o sol esquecendo de como eu era, a cidade invernal e o êxito da invisibilidade em plena primavera...

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

É a vida...





A cada dia meu mundo enfeia enquanto lá fora 
mais uma rosa desabrochou, hoje o azul celeste
não me achou, as paredes do quarto se comprimem, 
solidão, claustrofóbica solidão, meus olhos mal abri,
a tristeza me alcançou na velocidade do bater das asas
de um colibri, ontem tive sonhos de simplicidade, acordei
em uma cidade quase toda colorida, mas é que o arco íris
de largo passou lá de casa, bem, é a vida...

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Eu simplesmente soube, cara....







Dia após dia, tempos e tempos sem cor e meses tornaram-se anos nessa letargia à espera do grande amor; o pneu da bicicleta, os ponteiros do relógio, o mundo, tudo, tudo gira, no meu caso o universo quase nunca conspira, ah, quantas pessoas me deparei com suas colunas eretas 
em posturas de autoconfiança e nesses desatinos das andanças, por tantas vezes esqueci que "o destino sempre me quis só", parecia utopia, sabe, querer, mas foi num entardecer, estranhos rostos
na estação de trem, desconhecidos vencidos contemplavam a bucólica paisagem amarela passando ligeiro nas janelas e era eu, então, só mais um passageiro pra lugar nenhum, ali já tão, tão distante da cidade, foi quando senti um conforto surpreendente no coração, algo bem fora de previsão, foi à beira da desistência que enfim fui achado pela...reciprocidade.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Eu disse ao vento






Nesse exato momento, lamentos...histórias chegando ao fim, assim como tem gente feliz com recentes segredos inocentes, no âmago das muitas voltas com a amargura já pensei muitas vezes nessa vida que há um plano bizarro que tem como pano de fundo os desafortunados do mundo; já andei cabisbaixo demais pela cidade com essa estranha relação de afeto com a negatividade e nostalgia, agora pouco importa se a sorte me esqueceu, cara, já andei só demais, agora anoiteceu, me deito e me deleito com a ingenuidade do sorriso das crianças que vi durante o dia e então durmo em paz...