sexta-feira, 28 de novembro de 2014

O cabisbaixo


Ensolarada e desolada cidade,
muito o que se ver lá fora, perfeitos
pretextos para ignorar de forma sã
a futilidade pública dos show matinais
de tv, saiu pra caminhar com a  infeliz
alma nua, ajudou uma velhinha a atravessar
a rua, viu uma amarelinha e nuvens de giz
na calçada, música alta vinda das janelas
das favelas da vida, a farsa antiga da alegria
dividida, mas hoje ele não conseguiu achar
graça em nada; "Palma, palma, não priemos
cânico!", o tédio invade a tarde e o faz perder
a vontade de viver por bons dez minutos, sorrisos
pelo mundo simultaneamente se desmascaram e
as paredes cor de chumbo insistentemente o encaram,
foram quase 3 dias pra chegar 19 horas, o céu mui
limpo dessa noite à veranear em perfeição, aquele
marzão de estrelas à perder de vista num carpete azul
marinho ou numa imensa bandeira sem listras, o blues
do som da gaita, o vento fresco no rosto do desgosto,
não, ele não pertence aos da fanatismo nem tampouco
aos do ceticismo, encontros, reencontros pelos cantos,
os contos de fada, pôs uma fronha em uma pedra e
improvisou um travesseiro após um dia traiçoeiro porque
hoje especificamente o cara não viu graça em nada...

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Silhuetas



Madrugada, da janela do
décimo terceiro andar de
um dos prédios mais altos
da orla a visão de uma chuva
calma lá embaixo e um único
ser à vagar sob um verdadeiro
aguaceiro; não se sabe quem,
mas deu pra perceber que a silhueta
era de um homem, um tipo meio que
idoso perdido, meio que menino de
coração partido, e assim observava
a pessoa insone do apartamento, só
conseguia enxergar lamento, imaginava
alguém que acabara de ser deixado, mas
na verdade, na verdade o ser perambulante
era um pobre ambulante vendedor de sonhos
que descobrira na noite anterior que estava
apaixonado, e agora cantarola um sambinha
de Cartola, estragando seu melhor sapato
nas poças d'água sem mais mágoas, feliz
por deixar de mendigar atenções, esmolas
sentimentais e afins, e por conseguinte não
era mais um pedinte. Por um momento parou
e se entristeceu ao deparar-se com o único ser
naquela janela ali no topo do tédio, mas voltou
à se alegrar, lá embaixo  a vista era turva, achava
que era chuva, mas era apenas um choro bom de
um renovado olhar...

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Eu nunca tive, eu nunca estive


Atravessando outra vez aquele velho vale
e sem previsão de cura, seguia a fileira de
árvores da calçada escura, e foi quando
me deparei com um amigo tipo bom ouvinte
e tal, e em meio ao dia mal senti-me confortável
pra desabafar antes de desabar no desfalecer do
meu esquecimento notável...ei, cara, não repara
se eu for sumindo enquanto vou falando, não seria
mera coincidência, bem, tudo começou com um
negocinho infeliz chamado "adolescência", eu era
daqueles anônimos da escola cheio de receios,
desenhando no fundo da sala de aula na hora do
recreio, o vazio do meu bolso sempre foi de grande
influência em tantos olhares que de mim desviaram
as atenções, mas ainda assim assobiando do nada,
ah, como era engraçada a minha vida dispensável,
me chame de medícore, me chame de otário, eu
nunca desejei amores extraordinários daqueles
pra me fazer querer morrer, eu só queria alguém
para se mostrar pra lua, um pequeniquezinho
improvisado, uma simplória relação a dois seria
uma puta história, se ela quisesse eu estaria na
rua dela em no máximo 40 minutos na minha
bicicleta à jato movida à frustração, ainda não
a conheço, mas desconfio que ela já está me
deixando, escrevi uma poesia genérica, sei lá,
talvez ela goste, juro, eu não estava bêbado, só
distraído quando esbarrei nesse fiel amigo confidente,
o poste...

segunda-feira, 3 de novembro de 2014