sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Estranhos prazeres


Olá, escuridão, se puder
não me solta, olho em volta,
azul de imensidão, olho em volta,
hora e meia, preciso urgentemente
de uma torta pra deixar cair minha
cara feia; de sorrisos e efusivas alegrias,
alergia, essa noite eu quero ausência de
som e luz, ânimo, esqueci onde pus desde
ontem, assim cambaleante, chutando uma
caixinha de leite vazia com retrato estampado
do meu sentimento desaparecido, entediado,
doente e perdido, vomitei há pouco os últimos
vestígios de ti em mim, e desfaleci na areia da
praia cantarolando  "Azul da com do mar" do
Tim Maia, ninguém mais em  minha mente, deixei
teus pertences naquele lugar afim de te apagar da
memória totalmente, urbanamente banal é esse meu
raro amor expresso na falta que a tua chave faz no meu
chaveiro, oh, mon dieu, no desamparo eu chupo minha
laranjinha  no chuveiro, Amélie atira pedras no canal...

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Tatuado tranquilo

Jeito de vadio com um estranho vazio
no peito, pesadelo de quem muito tentou
e nunca pode esquecê-lo, o cara é péssimo
mas gosta de sinuca, tempão que não vê sua
menininha, pois ela está tatuada em sua nuca,
receios, devaneios, silenciosamente grita enquanto
sonha, detesta festa e birita, adora maconha, talvez
seja o sonho ambulante de alguém que ainda o conhecerá,
talvez, quiçá, sei lá, será? "Cão, marginal!", bradou o perverso
hipócrita que sequer leu algum de seus versos, nunca saberá o
que é ter uma relação com o mar, lhe ferem a alma à espera de
uma reação, segue só, grato por demais ao sol, seu calor não é
comercial, não combina com refrigerante, sabe que um dia o acaso
convencerá a sorte à propor-lhe relacionamento e há de ser naquele
momento da calma resposta de sorriso brando: "No thanks, não caso..."

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Incansáveis e Inalcansáveis

Adormeceu, será que morreu?
Cai, cai, primavera, a saudade
é solitária e bela como as folhas
amarelas espalhadas no asfalto
úmido da cidade semi-invernal,
eu, você e um chocolate quente,
mas acabou o nescau, e agora eu
só lhe tenho na mente; você é ninguém,
e eu sou nenhum, há bastante em comum
na garota e sua vida vazia de quarto e a
garoa de uma manhã triste em São Paulo,
um grito histérico de uma janela no antepenúltimo
andar de um arranha-céu: "Chega de amor genérico!",
fodam-se as contra-indicações,  não é  frescura, eu
 ainda creio que pra mim há cura, eu sou um hipocondríaco
com estranhas palpitações no peito me declarando sem
jeito no teu interfone, me perdoa, esqueci meu nome, andam
dizendo por aí que morreu, mas eu ainda tenho fé o nosso amor
apenas adoeceu...

sábado, 16 de agosto de 2014

Fundo musical melancólico(Ter e não morrer disso)


Oreo e orégano,
sabor de passado, atualmente,
mais um "nocaute", e em sua
desilusão a pobre moça com
a cara na pizza novamente se
emtregou àquele  porre de chocolate;
lábios que beijam o retrato de quem
há muito deixou de ser, a monotonia
de um dia ter que crescer e aprender
a esquecer o que se tornou abstrato, fato,
incontáveis fotos antigas empilhadas nos arquivos
empoeirados das memórias de gente com bem mais
sorte que nós, cada vez mais seu e cada vez mais só,
à beira de um lago cristalino tive sede, vede, de estrelas
uma ciranda, o céu limpo  e a rede na varanda, minha máquina
do tempo pra voltar toda noite à cena do crime, quando você
ainda sabia quem eu era, era uma vez primavera, era uma vez
minha vez, e em minha insônia meu olho sonha com a tua volta
às 4:15 da manhã, me encara o teto, diz que eu não tnem cura,
me acusa de falta de manha,  e a pôrra desta melancolia que não
me solta!


segunda-feira, 11 de agosto de 2014

A musa confusa e o menino com a máscara de gorila...

Pedalando sobre fios telefônicos,
passando pelos poros das ruas tranquilas
da tua pele, longe da estrada dos "se's"
à procura do caminho mais seguro pro
fim do arco-íris, sonho do menino com
a máscara de gorila, seguia em linha reta
em sua velha bicicleta, pois a cada esquina
que surgia  em sua rotina, ao dobrar, voltava
em algum lugar do tempo onde ela possivelmente
poderia ter estado ao lado, mas não...cora-coração,
eu vi a musa confusa sentada sozinha à beira do abismo
da montanha feita de açúcar sob uma espessa chuva
de limonada, chorava sem poder fazer nada, vendo seu
explícito admirador fugindo em alta ansiedade, sendo
perseguido pelo passado em alta velocidade, e eram as
 memórias dela as que mais o maltratavam 'té que foi
alcançado e desmascardo pelo platônico amor ingrato,
ah, aquele menino com a máscara de gorila, certinho e
fala gíria, estava cabisbaixo quando todos foram surpreendidos
ao verem que enbaixo do disfarce ele era só um mísero gato...

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Baby, eu não pretendo partir amanhã, mas se eu faltar ao nosso encontro...foi mal.






Quantos vagões haveremos de esperar
passar até que o trem chegue ao fim, e assim
possamos cruzar os trilhos pra nos encontrar,
dia branco, mar de leite com sucrilhos, ah, doce
e desbotado oceano visto da janela do ônibus,
mais dois à flutuar em lados opostos da tigela,
tanto tempo concordando à distância em nossa
descrença de nunca poder ser sonho de ninguém,
baby, poderias imaginar há quantos anos atrás nós
marcamos e até hoje não conseguimos oficializar
pessoalmente o nosso encontro, além das nossas
preces de fins de noite, como o pessoal mente, como
o pessoal esquece!

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Alguém em algum lugar


Planos para um fim-de-semana em marte,
planos que ingenuamente pensei, mas nunca
fiz parte, planos; sob um céu de solidão, essa
noite eu sou apenas um parque entregue ao
abandono da escuridão, assim mas tão triste
e feio que hoje ninguém veio à mim, empoeirado
e cheio de folhas amareladas nos bancos, uma
floresta em uma tv em preto e branco, estou
absurdamente sem graça, qualquer esboço de
sorriso não passaria de mera farsa, eis a questão:
Quem nessa cidade essa noite me fará uma cortesia
de simpatia em minha necessidade, quem?
Tua doce voz me guiou pra fora de Oz e ao chegar
em casa, antes de pegar no sono, uma breve oração
ao deitar:: Deus, ajude o pobre moço, Deus, não
castigue a bela moça que deixou o pobre moço,
fala isso pra ela, que mesmo sem tê-la, toda vez
que passo de bicicleta em meus passeios noturnos,
tipo, naquela rua mais escura, ao tirar os óculos pra
melhor ver as estrelas, nesse nosso etterno desencontro,
no quebra-cabeça é teu rosto que monto, lembra daquela
tigela de arroz doce com chá gelado que te trouxe? Os dias
supervazios, os lugares ermos por onde vaguei nesse último
ano, saiba, te levei também....amém.

sábado, 2 de agosto de 2014

Sorvete-catástrofe


Sexta-feira, vários corações mortos
nas trincheiras das desatenções, meu olho
se comove e chove pelo mito do dia favorito,
todavia esquece que nada de especial acontece,
semana após semana aguarda anciosamente o regresso
da moça que silenciosamente relê a antiga carta deste miserável
remetente, mas sempre finjo que parto, uma galáxia inteira no vazio
do teu quarto, chora um pouco, recompõe-se e segue à passos
falhos, um dia quente pra caralho, um incômodo sol de som bem
alto, e o amor da minha vida em algum abraço duvidoso se diverte
enquanto o cheiro doce do maracujá com limão se espalha pelo chão,
agora sábado, meu sorvete derrete no asfalto...