terça-feira, 29 de novembro de 2016

Pode estar acontecendo agora...







À beira mar, à beira do décimo terceiro andar
daquele edifício duas pessoas distintas falam
ao mesmo tempo:"difícil!", moça e rapaz, ambos
sem par, sem paz; os pés massageados e beijados
pela água, lá em cima o vento sopra, sobra mágoa
e vazio, bate a tristeza e a certeza que aquilo que
tanto esperou não vem, resta acostumar-se a viver
sem e temos então um salto planejado, um corpo
se deixa cair entre as ondas e a menina volta à
sorrir com o sal na pele, o tédio que fere agora
deixou de maltratar e o menino desistiu do topo
do prédio, mas alguém tinha que morrer, deixar
de existir e foi no seu peito em revolta que aquela
ilusão de falsa candura foi sepultada e tudo que se
nomeava "sentimento", a glória do esquecimento
e agora em diferentes extremidades da praia,porém
na mesma direção eles caminham numa suave trajetória,
colorirá, que fim terá? Bem, acho que você já conhece
essa história...
 

sábado, 26 de novembro de 2016

terça-feira, 22 de novembro de 2016

"Noturnamente"






Torpe, noite torpe, olhos que encaram o nada, 
a carta escrita na madrugada leva a angústia 
do silêncio no envelope, a menina insone tem 
fome, mas não encontra conforto na geladeira 
pois está faminta de amores e longe de sentir-se 
inteira; tá foda, foda mesmo de encontrar alguém 
que queira realmente conhecê-la, na escuridão do 
céu a triste ciranda de estrelas e por conta da falta 
de fiéis confidentes um ouvinte imaginário resolve, 
o canto do grilo, o "click" de um revólver, saudade,
a sonoplastia da cidade, a cálida varanda, um divã 
ao som de Djavan, "A correnteza do rio vai levando 
aquela flor, e eu adormeci sorrindo sonhando com 
nosso amor"

domingo, 20 de novembro de 2016

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

sábado, 12 de novembro de 2016

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Singela, tão singela tristeza!







Pessoas de coluna ereta, postura de auto confiança,
o universo conspira, e eu cá nessas minhas andanças,
o pneu da bicicleta, os ponteiros do relógio, o mundo,
tudo, tudo gira, o tempo passa e cada vez vejo menos
graça na vida, e nesses desatinos, esqueci que o destino
sempre me quis só, mas na minha completa e irremediável
trilha de solidão, orei por um amigo, lembrei das suas filhas,
desejei abrigo, precisava tornar meu mal em bem pra alguém,
ah, Deus, preciso de dias mais amenos porque é muito "Pelo
menos" no meu caminho, agora o pôr do sol e uma única gaivota,
que nem eu, sozinho pela praia, enganos e uma lembrança "paia",
depois de você me tornei idiota pro mundo, nessa letargia de esperar
o amor dia após dia durante anos...

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

O bailar de um depressivo







As paredes do quarto se comprimem, solidão, claustrofóbica solidão! É mais um dia escuro acinzentado no meu mundo restrito de chão acidentado, cenário de Burton, galhos secos, árvores mortas, silencioso grito da alma em frangalhos e sorrio insanamente feito um espantalho vivo espalhando fotos pelo ar daquela que não há de voltar, um funeral de mim no peito da menina que um dia me fez sentir tão mais vivo, tanto, mas tanto tempo cativo de um sonho distante, é, eu sei, nunca mais serei como antes depois que tomei conhecimento desta porra de amor, ó dó, ó dor, a cada dia meu mundo enfeia enquanto lá fora nasceu mais uma flor, a tristeza me alcança na velocidade do bater de asas de um beija-flor, a cidade toda, toda colorida, mas o arco íris não vai até lá em casa...