sexta-feira, 31 de julho de 2015

Tosco love!



A beleza cativante dos automóveis
ao chegarem em seus destinos elegantes
e seus devidos esnobes faz cílios interesseiros
piscarem de cobiça, pois é, somos ralé, somos
bem pobres, minha garotinha imaginária e eu,
Romeu desprezado com cara de lesado, Julieta
um dia surtou, me abandonou no ponto do ônibus
e nunca mais voltou, maldita sem piedade, e era eu
então só mais um débil solto na cidade falando sozinho
em um banquinho de praça, no alto falante do infeliz vendedor
de cd's pirata Marisa cruelmente desliza sua afiada lâmina em
meu peito, "Bem que se quis", cantou junto e sorriu pra mim,
minha invisível amada com seu cabelo bagunçado e camisa do Kiss...

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Diamantes dos desamantes


Orgulho é um pedregulho
soterrando o canteiro das
rosas de simplicidade que
embelezavam a cidade e nos
enfeitavam o peito, os dias passam,
tornam-se anos, tem mais jeito, não,
toda a energia empregada e tudo que
se dedicou agora soa vão, não se sabe
mais se falta faz porque ninguém me traz
notícias suas, ah, também nem quero, pôrra,
involuntariamente desejo mortalmente saber
de ti em uma dessas bonitas noites de lua alta,
talvez jamais porque nem agonizando de tanta falta
voltarei atrás!

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Adivinha quem a vida finalmente esfriou...uh-oh







Sexta após sexta, nada demais no previsível 
mundo do menino invisível, os bacanas e seus 
bacanais, o reflexo do céu estrelado nos retrovisores 
dos vencedores como uma espécie de luar particular 
em seus automóveis reluzentes, acreditem em mim, 
não invejo nem tampouco os admiro, eu sou um vampiro 
amaldiçoado pela escassez de toque, disse o deus irônico,
"Evapora, agora todo o amor do mundo que te chegar  às mãos 
será platônico!", apenas concordei e aceitei meu destino, bem, 
afinal de contas sou só um ser humano com a má sorte no caminho, 
odeio vinho, detesto festa, resta-me voltar ao meu iglu com a plena certeza 
do vazio, lindas cores naquele muro mas eu ignorei o grafite, encostada no 
canto um piscar de olhos da tristeza...bitch!

domingo, 19 de julho de 2015

Fugas diárias ao deitar








Mentolado céu da boca, começou à escurecer, acho 
que aqui dentro vai já chover, nuvens, negras nuvens 
encobrem os últimos vestígios de sol no meu olhar mais 
esperançoso pelo simples fato de continuar crendo que a 
ilusão é bem melhor que o nada, a cada oração ao findar 
dos dias peço à Deus pra não ter em quem pensar, perdão, 
ninguém para "assombrar" o único lugar onde ainda aparento 
menos tristonho, que é na terra dos sonhos, lá eu abraço e falo
com gente que já foi, lá não há lei da gravidade, a cidade é bem 
diferente, e nessa realidade, bem, sou bem mais gente, e tudo que 
ousar ser sem ter quem queira me tomar tais graças, pois lá todos
podem voar! Estou triste e sonolento, e em meus últimos pensamentos 
antes de pegar no sono, espero sinceramente que ela não seja como todas 
as pessoas estranhas nas quais tão doce e fortemente dediquei-me e só
desdenharam, mas empregaram amor tão grande sobre mãos descuidadas, 
menos da metade das atenções que à mim não foram dadas

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Na areia do aterro, na grama do centro cultural






Sextas-feiras, sextas frias, 
automóveis se atropelam e
as pessoas acotovelam-se
afim de atingir o clímax da
felicidade total e eu só queria
uma alma simples junto à minha,
alguém do lado para juntos vagar
pela areia da praia, conversar ao
som do bailar das águas, as mãos
que acidentalmente se tocam e causam
rubor como a inocência de primeiro amor;
poxa, seria legal já conhecê-la para poder 
convidá-la para deitar naquela grama verdejante 
sob as estrelas coadjuvantes do nosso lindo filme
tosco, sou menino, fumei aquele fino e peguei a estrada 
com a infeliz idéia que nesse exato momento ninguém me 
tem em mente, o silêncio ressoa ao vento que  sou reles 
pessoa, eu tenho uma velha bicicleta, meu maior bem na 
vida e me dei à um passeio pelas avenidas das pefiferias
pensando no quanto a queria...

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Uma casa no bonsai...


Da janelas entre as folhagens
eu vi uma cidade sem mais paisagens,
cinza e descolorindo, gente sorrindo
sorrisos desesperados de uma estranha
alegria constante, falsa, ah, hoje eu rasguei
o joelho da calça e me senti feliz vestido como
sempre quis, sim, falava da cidade, pois é, eu vejo
um tipo de beleza que não trás encanto, só excita,
adoece e trás insanidade, estou com a idade de rock
stars suicidas, mas não os invejo, não quero, sou diferente
de tudo que venero, vejo tudo como arranha-céus, tudo é
mais importante e valoroso, sou apenas desastrado, tá bom,
um desastre mas não chego à ser desastroso, sou menor do
que todos quanto amei e não me amaram de volta, sou revolta
sem revide, estou vivo, dou graças à todas as coisas boas que
eu li, uma casa na árvore, e sou do tipo que nunca sai, um belo
dia encolhi e fui morar num bonsai...

sexta-feira, 10 de julho de 2015

À vós que amais anais







E se for pra falar de amor
que eu não descarte as dores
porque o que mais dói na gente
é aquela ingênua idéia inicial que
de agora em diante tudo serão só
flores, pensar que desta vez não tem
jeito de não ser perfeito, triste agora
a voz de Renato na canção insistente
na mente, "O mundo pertence à nós",
não mesmo, ó incerteza, é um místico
fogo estranho, é um jogo no qual nunca
ganho, mas beleza; bú, chamaram o tabu 
de santo e hoje vemos espanto por quase 
todos os lados, perdidos no mar, rolando
pelas escadas, gerações e mais gerações
sequeladas pelo medo sem levar em conta
a delícia que há no silêncio de um segredo,
i wish i could que não tivesse de ser assim
tão cold quando nos dermos à insana dança
que nos tira a inocência mas longe de martírios,
pensar em lírios sem a violência que tanto se vê
nos espinhos, somos tão sozinhos cá com nossos
"doentios"prazeres, e em meio à tantos dizeres vazios, 
saber o que é alusão e o que é ilusão, o que é pecado e 
o que são meros predicados, bem, a gente só ignora e apostamos 
na sutileza de uma gentil invasão,  sintonia, sincronia, aahhh...

quarta-feira, 8 de julho de 2015

quinta-feira, 2 de julho de 2015

O desprezo do meu melhor amigo imaginário(Conversa comigo mesmo)





Fazem já alguns meses, é, às vezes a vida
pode ser mesmo um saco, um soco bem dado
que seja, tenho implorado aos céus por novas
sensações, Deus, estou exausto de ser chato,
tão previsível e invisível quanto, razões pela
qual ela não me nota, quantas trancas em uma
mesma porta, aí de mim perdido em meio à tantas
crenças, soa um tanto malvada sua indiferença ao
som das muitas asas de borboletas desesperadas em
meu estômago vazio, morri algumas vezes por ela e
ela nem viu, eu disse "meses"? Na verdade fazem anos,
mais precisamente minha vida inteira à espera de um
calor genuíno, voluntário, uma pele pra aquecer a pele
de um otário em um mundo terrivelmente invernal, a utopia
de um dia me ver realmente leve, não queria mesmo ter que
morrer sozinho na neve, eu não queria partir como um chato,
minha vida é vazia e esperar, bem, é um saco!