sábado, 31 de outubro de 2015

A perda e a pedra



Monótono outono,
lugares pra onde for,
do amor só me cabem
olhares, quanto tempo
sem toque, continua me
corroendo a lembrança
do teu cabelo no coque;
era um diálogo, na verdade
um monólogo, a pedra espera,
a perda não tarda, cada um com
sua sorte ou devido azar, transborda
o peito sem ninguém pra amar, boas
intenções por atuações, injusta troca,
beleza de vida fingida por toda parte,
paciência é uma arte, esperas são sempre
uma droga!

domingo, 25 de outubro de 2015

Um pouco mais de afeto sobre as dádivas...





É tipo, muito válido poder lembrar
do contraste das coisas ainda gratuitas
ao redor e o quanto a gente se sente só
em relação aos altos preços que o ser humano
cobra por reles "sobras" de atenção, tipo o mar,
não há necessidade de cortejar, nem se sentir
inferior, pra ter acesso à paz interior...basta ir lá.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

P.I.



Sonho do menino com asas de inseto,
tantos voos incertos por esta periferia
praiana mas hoje estou planando tranquilo,
envolto em ares de maresia, é de manhãzinha,
olha o arco-íris entre as duas pontes, olha o orvalho
na grama da praça verde, onde tantas vezes "blue"
quis por demais ver-te, certa vez até te encontrei
quando pousei ao teu lado, pena, estavas de saída,
o sonho da minha vida, um sonho dentro de um sonho,
um sol risonho, nós dois amantes alados à sobrevoar
o mar do aterro de mãos dadas, por alguns instantes
me senti alguém pra ti, despertei e voltei à ser um "nada",
continuo voando baixinho, ladeando um pneu de bicicleta
ligeira pelo asfalto que beira o calçadão, pouca gente consegue
me enxergar pra entender a minha solidão e quem me vê finge
que não, a paisagem do bairro é linda e tanta gente fingida pra
estragar o cenário, estava sobre a estátua me sentindo otário,
remoendo porque ninguém me ama, me desequilibrei, despertei,
havia caído da cama, estava sem minhas asas, no chão sentia muita
pena de mim quando enfim dei por mim lembrei que morava há poucos
minutos de lá, subitamente meu coração nem me condena mais, daqui eu
vejo o cais...Praia de Iracema...

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Um dia a solidão...




Solidão...
hoje eu sou cativo, hoje em dia vivo
em função da hora de dormir, fugir do
vazio, esquecer tais olhares frios porque
um dia a beleza envelhece, um belo dia a
certeza dos pretensiosos desaparece;
às vezes me sinto repulsivo, às vezes me sinto
dispensável, sou portador de uma doença da
alma chamada "carência", ó, quão banal ainda
há de ser o coração em relação às aparências?!
Mas com o passar do tempo toda frustração se
converterá em sabedoria e a esperança renascerá
bem mais forte, um dia os holofotes mudarão o foco
e será melhor do que antes, haverá amor até o perder
de vista, a alegria enfim será a protagonista e esta pôrra
de solidão apenas mera coadjuvante!

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Au revoir cores de Frida...




À meia luz, disse a mediocridade ao intenso
com o blues de sua voz rouca, "Não sei expor
o que penso porque sequer sinto, minto quando
imponho a tristeza da minha beleza oca, mil e um
dias de solidão, eu sou um violão sem melodias",
e eu aqui como mero espectador, sem amigos nem
tampouco confidentes, é, acho que a fada-do-dente
me esqueceu completamente, o que não mata, maltrata,
foi o que pude aprender de todos meus sentimentos não
correspondidos, o mundo apenas me atura, a tristeza me
amarrou ao pé da cama e ao longo dos anos me tortura com
enganos, estou à ermo de mim, há muito tempo de mal, vivo
"Ata-me" de Almodóvar sem esperança de um par no final...




domingo, 11 de outubro de 2015

Uivando pro sol


Então o céu, um azul à perder de vista
de intranquilidade, meu maior sonho neste
instante é um sentimento distante, serenidade;
um mar de murmurações que se choca no muro
das lamentações do meu peito, como dói olhar
ao redor e tudo parecer perfeito, todo o resto do
mundo parece calmo e eu à um palmo da insanidade,
a cidade parece estar derretendo sob os raios solares
e essas lembranças de gafes escolares de um amante
desajeitado e rejeitado que sempre fui só me fazem
maldizer mais, possibilidades, tudo pode, mas antes
de cada anoitecer a solidão me fode, faz questão de
me lembrar com ironia no canto dos lábios o que meu
coração já sabe, acho que sempre soube, à saber, que
alegria demais não me cabe! Contemplo o paraíso do
meu velho binóculo e choro com a distância, pôxa, que
saudade da infância, daqui eu vejo uma extensa praia,
pessoas bonitas falam sem hesitar, com segurança e olhos
de desprezo, um dia já fui filho e hoje sou tão só, a folha
seca que restou do outono, outro ano, um lobo maltrapilho
uivando para o sol...

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Bailar de um delirante






Olhos de rejeição,
olhares em qualquer direção
que seja onde não esteja minha
candura, sei lá, a vida nem parece
mais tão dura assim com ausência
de "sim", são tantos "nãos" e eu aqui
morrendo de achar graça sozinho na
praça sob a tórrida chuva, um lunático
acrobático no meio fio em meio ao frio,
nem posses, nem status, o único cactus
isolado no canteiro de flores, a sorte me
odeia, a solidão me rodeia e eu não invejo
a boa vida alheia, nada de novo, a pintura
de palhaço borrada pelos pingos espessos,
perdi o papel com meus últimos versos, oh,
Deus, andava tão temperamental, agora brinco
nas poças de um temporal, já fiz confete das
cartas de amor que nunca entreguei e agora
tenho meu próprio carnaval, me sinto seguro
esquecendo de todos, das coisas delicadas dedicadas
e toda falta de reação, eu sou o próprio desprezo
aos olhos de rejeição...

sexta-feira, 2 de outubro de 2015