sábado, 29 de setembro de 2012

Leve para que te leve!








Pouco importa
há quanto tempo
sem assunto, ainda
quero teu corpo, e
não pouco, quero,
de preferência, que
tua simpatia venha
junto; as inseguranças
das tuas esperanças,
as delatoras sensações
das tuas imperfeições,
vem, sejamos falhos
pra caralho pela cidade,
mas com proximidade,
sem dar tanta importância
pra lógicas baratas, zero
com zero é nada, e chega
dessa conversa fiada de
distância!

sábado, 15 de setembro de 2012

Dócil louco



















Feliz, ou infelizmente
as pessoas não vivem
sem pensar, mas mesmo
assim considero-me um
"sem lar", nas solidões
diárias de se viver nas
inconveniências das
memórias involuntárias,
pouco à pouco, cada dia
mais dispensável, o pobre
dócil louco...

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Sem graça















Como todo amante
fracassado que se preza,
sonha com a moça que
o despreza, joga o cabelo
pro lado em seu desdén,
um sorrisinho no canto
dos lábios, e assim vai bem!
E essa vida anda tão, sabe,
escancarada, com mais espaço
do que realmente precisa, e é
tanta gente indecisa no caminho
que ele só tende à ser mais sozinho,
ah, que é mundo demais pra alguém
tão só, oh, quanta gente só pra pouco
mundo!


sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Sou outono
















De tempos em tempos
desfamiliariza-se, pois,
a simpatia de mim, como
as folhas das árvores aos
ventos de outono, o sol
esquece como eu era em
plena primavera, restam
os contornos distorcidos
do meu rosto conformado,
e o êxito em minhas tentativas
de invisibilidade, sem ninguém
ao lado, um voluntário isolamento
da cidade.

Frio da paz de um vazio















De horas
à meses, e quantas
vidas ainda teremos,
por tantas vezes que
a gente se frustra?
Bem ilustra a frase:
"Nós seremos bons
um pro outro", ouvi
de alguém, até hoje
não entendi por que
não pude ter, mas sobrevivi;
torna à viver, e agradecer à
Deus no fim de um dia frio
por deitar sem ter em quem
pensar, na paz do meu vazio...

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Estações individuais
















Escoriações do tempo
no peito chamadas frustrações,
e cada vez que ela mente, digo
ao espelho"Cala-te, mente!",
sob o céu da rua, a alma nua
de um coração exposto, o amor
torna à não ter rosto, e quase
que insistentemente imploro
pra ser chutado outra vez,
ah, sei lá, junto os cacos de
mim, e triste vou vagar pela
cidade, com minha incansável
ingenuidade, pois que batam com
mais força, ou em retirada, sou
feito dos materiais mais resistentes
da terra sem nenhuma pretensão
de guerra...

domingo, 2 de setembro de 2012

Movimentos




















Gira mundo,
e o céu que inspira,
também conspira
enquanto roda,
contratempos do
tempo, e as placas
com os mesmos
dizeres na estrada
da vida: "Rua sem
saída, A saudade é foda!"

sábado, 1 de setembro de 2012

Caos das cores




















Adormecida, que nem uma flor partida,
jaz a menina dos olhos, tristemente flutuando,
e sendo levada pelo rio de lágrimas sobre uma
folhinha de lástima; E lá se vão os planos, reduzidos
à enganos, ô inverno infernal, ah, inverno invernal,
queria poder não lembrar da frieza da tua falta de atenção,
mesmo submersa em tristeza, imersa na tacinha de
sobremesa. Vivo à esperar que esse temporal em mim
um dia tenha fim, talvez o desenho do teu rosto em minha
memória deforme em uma doce confusão de cores, e bem
possa viver sem amores...