sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Vencido(Letargia de um sofá após um "não")






Então mansamente  mar, o ritmo
das ondas em tom de valsa porque
há muito não se tem alguém pra amar;
do outro lado do asfalto eu vejo vencedores,
dentes à mostra nas redes sociais de tantos
seguidores, chorando pelas costas, porque não,
de modo algum eles podem ter feridas expostas
como as minhas na vida, uma extensa avenida
que divide nossos mundos, desprezam tudo o
que for profundo, não, eles não sabem o que é
a letargia de um sofá pós "não", aquela vontade
básica de desaparecer, adormecer por um mês
inteiro, sei lá, ser tragado pela televisão, tão, tão
fodido que já vaguei por esta terra com o coração
partido, como dói ser diferente e tão intenso, mas
os pretensos vencedores não podem demonstrar dores...

terça-feira, 27 de setembro de 2016

As inalcansáveis coisas mais simples





Amor pra mim significa "escassez", ninguém ao lado, enquanto mãos se dão pela primeira vez, ano após ano condicionado à solidão das paisagens urbanas, brisas à beira mar e os mais belos e incontáveis céus estrelados de fins de semana; daqui eu vejo o glamour dos casais e seus jantares chiques e eu aqui ingenuamente sonhando com piqueniques sob o luar da praia, colos, cheiros e amplexos pra fazer esquecer o amargor da melancolia de tantos sábados, um celular tocando várias coisas legais de Marley e Marvin, "a vida é pra valer, eu fiz o meu melhor", mas eu não aceito ninguém sabendo meu destino de cor, continuo crendo na magia de amores inocentes, anseio por histórias que comecem entre dois rejeitados, "sim, eu sei que vieram chuvas e noites cheias de céu vazio e vão", e dura ainda é para muita gente a trajetória até que enfim se possa pegar na mão...

sábado, 24 de setembro de 2016

O meu amor é estrábico




Eu vejo o sábado passar como quem perdeu
o último ônibus do dia, a sensação de perda e
falta de rumo nesse mundo de malandros, sacanas
e afins; ai de mim, ingênuo e ultrapassado "amante
à moda antiga", poxa, como eu queria me livrar desse
vazio sem fim, perdoa por assim dizer, um fracassado,
olhando pro meu interior, a dor da doçura que é sempre
sonhar só e então olhar ao redor e ter a gritante impressão
que todos parecem ter a manha de não se deixar levar, "mais
que anormal eu devo ser  pra ver você em todo lugar", e quantas
canções feitas sob encomenda pra infelizes, choro porque quase
sempre me enamoro por meras "atrizes", eu sou um estranho para
cada canto da cidade, constantemente eu vejo olhos mudando de cor
entre beijos intermináveis, reciprocidade certamente me é um sentimento
esporádico, bem melhor do que admitir "utopia", as coisas nunca foram do
jeito que eu realmente via, o meu amor, o meu amor é escrotamente estrábico!

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Eu




Só ando só, eventualmente converso
comigo mesmo sob o sol, todo dia a alegria
me erra, nada à ver com nada, pensei:" Por
onde andarão os sãos da terra? Hoje eu me
declaro viciado em tristeza, a alma maltrapilha,
dada a incerteza de mais da metade da vida feita
de amores vãos, para cada poesia o seu devido desdém,
o mundo é uma grande ilha, anos e anos mandando sinais
de fumaça para ninguém, às vezes eu penso que seremos
náufragos até o fim, célebre frase que nunca deixaremos de
ouvir"A vida é assim", o infortúnio me nomeou "poeta otário",
fui abandonado pelo último amigo imaginário, Bowie se foi...

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Ah, moça






A estrada ficando pra trás
no retrovisor do veículo prestes à deixar
a cidade, saudade, o reflexo do azul envolto
em algodão naquele prédio espelhado e só Deus
sabe o quanto a moça têm esperado por um coração
gentil junto ao seu, a cidade em movimento, o vento
vadio sopra entre o morro e o mar, tardio o socorro à
menina vazia no banco de praça sem ter com quem conversar,
ninguém mesmo aparece, a simplicidade parece um sonho distante,
na praia ao longe a silhueta de um rapaz solitário no mesmo instante
em que ela atira pedrinhas na água, mágoas e frustração assombram
a sua mente e interferem em sua oração, o quarto todo, todo branco,
o pleno nada, nada pra esperar, nada de novo pra contar aos poucos
amigos, quantas vezes rejeitada, arde a tarde, o peito esfria, lágrimas
na caixa de esfihas, o dia demora à passar, quem dera a solidão também
fosse embora, mas ela não desiste assim tão fácil dos mais frágeis, a lua
no abajur, a cama na areia, rareia a lembrança dela na mente de muita gente, "insignificante", leu em muitos olhares no decorrer da vida, agora sorria como uma rainha sem súditos, sentindo-se outra vez importante naquela praia deserta, o abandono já não lhe afeta, em alguma parte da cidade mais um feto está por vir no exato momento em que ela escreve no bloquinho de notas que a prioridade é o afeto...

sábado, 17 de setembro de 2016

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Um rolé com Cazuza




Meados de noventa, amores de escola
que eu não consegui, "o nosso amor a
gente inventa", trazia essa canção à mente
e mentalmente chamava-a "querida", "todo
o amor que houver nessa vida", e assim cantou
o menino Agenor sobre a utopia dos meus sentimentos,
eu tão calado com hálito de mentos em algum canto da
sala de aula, anônimo, antônimo de "descolado", lembrei,
uma professorinha até me chamou de "sonso", algumas vezes
de "cínico" e eu era só muito tímido, popular nunca fui, até hoje
muitas não sabem o que realmente flui no silêncio dos meus delírios,
desde os tempos que sentava na carteira atrás dela, pensando em lírios,
de rejeições bem entendo e a cada fim de angústia acabo agradecendo,
"Obrigado por ter se mandado", felicidade sempre foi não sofrer mais,
"solidão, que nada", aprendi, o que acabou, acabou, penei pra caralho, mas
depois sorri por conta do desnecessário, bem,"faz parte do meu show", até
me acostumei à ver gente partir, peço licença  à Elis, pois tudo que eu mais
preciso agora é "dormir pro dia nascer feliz"...

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Feriados e fins de semana(Repudio muito tudo isso!)



Céu de nuvens vãs, meninas são astutas e
meninos são filhos da puta; ao longe o mar,
e de lá, enquanto nado, vejo uma cidade que
se transforma, perdão, deforma, meus braços
se movem e a mente divaga, "Não há vagas",
constantemente leio esse anúncio em corações
escancarados e fechados ao mesmo tempo, muita
gente se diverte enquanto descarta olhares de encanto
e cartas de amor vindas de universos tristes de quartos
trancados, aos que duramente esperam e mais ainda aos
que se desesperam pela falta de novidades a cada nova
manhã, meninas são astutas e meninos são filhos da puta,
e todos sorriem sob um céu de nuvens vãs...

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Dúvidas, dívidas e dádivas







Fim de noite, um ponto de ônibus, cálida e fria a madrugada se aproxima, traz consigo a lembrança da incompatibilidade de sentimentos e toda sorte de pensamentos incertos, afim de tirar calma daquele único ser num raio de quilômetros, ninguém por perto, o transporte demora e essa maldita incerteza sem a mínima pretensão de ir embora; em alguma parte da cidade ela adormece, esquecendo da sua pobre existência, os versos dedicados nada dizem, ainda que super delicados, a gélida bela moça ignora o abismo que a sua falta deixou com a repentina ausência e apenas vira pro outro lado da cama na beleza do sono tranquilo, os grilos cantam e não espantam os males que a solidão causa naquele rapaz à espera do ônibus, incontáveis são os dias de inquietação na sua vida, nunca teve uma dor realmente dividida, sempre superou tudo sozinho, com a benevolência de um mar gratuito e uma praia vazia pra estar, as ciclovias de domingo à noite o bem entendem, finalmente ele conseguiu chegar, tudo o que ansiava era estar em casa pra poder sofrer em paz, a saudade quase fez ele esquecer da janta, mas com muito esforço se alimenta e já sente alguma melhora, agora vem aquele receio de dormir e sonhar com ela, só que o medo da insônia o aterroriza mais ainda, enfim os olhos pesam e uma estranha paz invade aquele quarto de frustração, como uma louca necessidade de liberdade, um sono pesado sem sonho, o corpo desfalece, enquanto algo renasce dentro daquele menino simplório, e eis o dia seguinte, a luz do sol novamente o interessa, desperta sem muita pressa, o colibri esperto veio à janela pra celebrar junto a volta do seu amor próprio, amanheceu, advinha quem enfim afortunadamente esqueceu?