segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Prece em memória dos suicidas(E aos tragados pelos excessos de diversão)





Véspera de natal, a noite vem, luzes de enfeite, mas eu encaro o céu além, nublado feito eu por dentro nesse momento, a cidade festiva, me vejo sem alternativas, saí pra dar uma volta, pedalo devagar por uma grande avenida, minha bicicleta em linha reta enquanto a vida ao redor cada vez mais se entorta; fato, coisas que banalizamos, tratando com insignificância ao invés de estarmos gratos, tipo o ar ainda respirável, tipo a água potável, tipo tudo aquilo que a gente só valoriza quando nos falta, eu bem poderia orar em voz alta sem me importar em ser tomado por louco, mas creio mais nas palavras proferidas no silêncio da alma e na honestidade das coisas feitas sem ser para manter certas aparências, as coisas doces e gratuitas dedicadas nas boas intenções do coração chamadas "Bem querências", meu pensamento está agora nos desistentes, nos mui carentes desesperados pelo prazer, lembrei do menino Andrei, conhecia muito pouco, vez por outra o encontrava por aí, gostava do jeitão tranquilo,overdose, nem chegou aos trinta, encontrado num motel de quinta, das últimas postagens nas redes sociais, a conta ainda ativa, aquela foto tão bonita esquecida com a mulher e a filhinha recém nascida, ah, cara, quantos feriados perdidos, quanto aprendizado desperdiçado, olho pra minha vida ordinária com a solitária lembrança daquele rapaz, penso na ingenuidade dos sorrisos das crianças que eu vi durante o dia, me deleito e me deito em paz...

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

terça-feira, 10 de novembro de 2015

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Estúpido "Eu te amo" contra o medíocre "Muito obrigado"



Ali sem jeito falei sobre a falta
que me tens feito e da imensa vontade
de conversar, checando o telefone sem
ao menos me olhar, ela deu um suspiro
de tédio e disse"Tá", foi então que eu sorri
e desisti, sentindo aquele sinistro misto de dó
e ódio de mim mesmo pela tentativa, foda-se
o amor e viva a mediocridade, eu supervoto
que toda boa moça deveria almejar alguém
com o peito sequelado, tipo, há muito tempo
sem ninguém do lado, pouco ou nada fizeram
à respeito e aquele meu amigo lá recebeu um
telefonema inesperado à meia noite de sábado,
aquele outro teve um corpo entregue, e sobre
aqueles doces versos dedicados? Bem, eu ganhei
um florido "Muito obrigado"...

sábado, 31 de outubro de 2015

A perda e a pedra



Monótono outono,
lugares pra onde for,
do amor só me cabem
olhares, quanto tempo
sem toque, continua me
corroendo a lembrança
do teu cabelo no coque;
era um diálogo, na verdade
um monólogo, a pedra espera,
a perda não tarda, cada um com
sua sorte ou devido azar, transborda
o peito sem ninguém pra amar, boas
intenções por atuações, injusta troca,
beleza de vida fingida por toda parte,
paciência é uma arte, esperas são sempre
uma droga!

domingo, 25 de outubro de 2015

Um pouco mais de afeto sobre as dádivas...





É tipo, muito válido poder lembrar
do contraste das coisas ainda gratuitas
ao redor e o quanto a gente se sente só
em relação aos altos preços que o ser humano
cobra por reles "sobras" de atenção, tipo o mar,
não há necessidade de cortejar, nem se sentir
inferior, pra ter acesso à paz interior...basta ir lá.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

P.I.



Sonho do menino com asas de inseto,
tantos voos incertos por esta periferia
praiana mas hoje estou planando tranquilo,
envolto em ares de maresia, é de manhãzinha,
olha o arco-íris entre as duas pontes, olha o orvalho
na grama da praça verde, onde tantas vezes "blue"
quis por demais ver-te, certa vez até te encontrei
quando pousei ao teu lado, pena, estavas de saída,
o sonho da minha vida, um sonho dentro de um sonho,
um sol risonho, nós dois amantes alados à sobrevoar
o mar do aterro de mãos dadas, por alguns instantes
me senti alguém pra ti, despertei e voltei à ser um "nada",
continuo voando baixinho, ladeando um pneu de bicicleta
ligeira pelo asfalto que beira o calçadão, pouca gente consegue
me enxergar pra entender a minha solidão e quem me vê finge
que não, a paisagem do bairro é linda e tanta gente fingida pra
estragar o cenário, estava sobre a estátua me sentindo otário,
remoendo porque ninguém me ama, me desequilibrei, despertei,
havia caído da cama, estava sem minhas asas, no chão sentia muita
pena de mim quando enfim dei por mim lembrei que morava há poucos
minutos de lá, subitamente meu coração nem me condena mais, daqui eu
vejo o cais...Praia de Iracema...

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Um dia a solidão...




Solidão...
hoje eu sou cativo, hoje em dia vivo
em função da hora de dormir, fugir do
vazio, esquecer tais olhares frios porque
um dia a beleza envelhece, um belo dia a
certeza dos pretensiosos desaparece;
às vezes me sinto repulsivo, às vezes me sinto
dispensável, sou portador de uma doença da
alma chamada "carência", ó, quão banal ainda
há de ser o coração em relação às aparências?!
Mas com o passar do tempo toda frustração se
converterá em sabedoria e a esperança renascerá
bem mais forte, um dia os holofotes mudarão o foco
e será melhor do que antes, haverá amor até o perder
de vista, a alegria enfim será a protagonista e esta pôrra
de solidão apenas mera coadjuvante!

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Au revoir cores de Frida...




À meia luz, disse a mediocridade ao intenso
com o blues de sua voz rouca, "Não sei expor
o que penso porque sequer sinto, minto quando
imponho a tristeza da minha beleza oca, mil e um
dias de solidão, eu sou um violão sem melodias",
e eu aqui como mero espectador, sem amigos nem
tampouco confidentes, é, acho que a fada-do-dente
me esqueceu completamente, o que não mata, maltrata,
foi o que pude aprender de todos meus sentimentos não
correspondidos, o mundo apenas me atura, a tristeza me
amarrou ao pé da cama e ao longo dos anos me tortura com
enganos, estou à ermo de mim, há muito tempo de mal, vivo
"Ata-me" de Almodóvar sem esperança de um par no final...




domingo, 11 de outubro de 2015

Uivando pro sol


Então o céu, um azul à perder de vista
de intranquilidade, meu maior sonho neste
instante é um sentimento distante, serenidade;
um mar de murmurações que se choca no muro
das lamentações do meu peito, como dói olhar
ao redor e tudo parecer perfeito, todo o resto do
mundo parece calmo e eu à um palmo da insanidade,
a cidade parece estar derretendo sob os raios solares
e essas lembranças de gafes escolares de um amante
desajeitado e rejeitado que sempre fui só me fazem
maldizer mais, possibilidades, tudo pode, mas antes
de cada anoitecer a solidão me fode, faz questão de
me lembrar com ironia no canto dos lábios o que meu
coração já sabe, acho que sempre soube, à saber, que
alegria demais não me cabe! Contemplo o paraíso do
meu velho binóculo e choro com a distância, pôxa, que
saudade da infância, daqui eu vejo uma extensa praia,
pessoas bonitas falam sem hesitar, com segurança e olhos
de desprezo, um dia já fui filho e hoje sou tão só, a folha
seca que restou do outono, outro ano, um lobo maltrapilho
uivando para o sol...

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Bailar de um delirante






Olhos de rejeição,
olhares em qualquer direção
que seja onde não esteja minha
candura, sei lá, a vida nem parece
mais tão dura assim com ausência
de "sim", são tantos "nãos" e eu aqui
morrendo de achar graça sozinho na
praça sob a tórrida chuva, um lunático
acrobático no meio fio em meio ao frio,
nem posses, nem status, o único cactus
isolado no canteiro de flores, a sorte me
odeia, a solidão me rodeia e eu não invejo
a boa vida alheia, nada de novo, a pintura
de palhaço borrada pelos pingos espessos,
perdi o papel com meus últimos versos, oh,
Deus, andava tão temperamental, agora brinco
nas poças de um temporal, já fiz confete das
cartas de amor que nunca entreguei e agora
tenho meu próprio carnaval, me sinto seguro
esquecendo de todos, das coisas delicadas dedicadas
e toda falta de reação, eu sou o próprio desprezo
aos olhos de rejeição...

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

terça-feira, 29 de setembro de 2015

domingo, 27 de setembro de 2015

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Desarmado num duelo contra mim mesmo


Mais um dia de alegria tardia,
tinha uma carta que há muito havia escrito,
vergonha tamanha, reuni todas as forças pra
pedir à alguém para entregar àquela doce estranha,
nuvens passam, semanas se vão e a certeza crescente
que tentei em vão; até a via, mas tinha bastante receio
de ir lá falar com ela, tão calma e bela que a minha alma
se contorcia, mas torcia que ela tivesse lido, sei lá, quiçá
até gostado, como eu saberia, sempre que a via ela estava
de costas e nada de respostas, foi bem estranho, um dia o
buraco no meu estômago triplicou de tamanho e as asas das
borboletas bateram mais fortes, quis tentar a sorte, e como não,
obviamente me dei mal, é, acho que agora vou poder recuperar
o sono, descobrira enfim que a moça tinha dono, tocava "Como
desaparecer completamente" do Radiohead, nada agora me impede
de tomar um enorme porre de nescau porque a imagem dela na minha
mente me irrita, mais um dia que  a felicidade adia sua visita, mais um dia
na vida do Charlie Brown...

domingo, 20 de setembro de 2015

Divirto...








Na outra esquina
do mundo oposta
à minha eu vejo fabulosos,
os afortunados, não, não há
sorte nem previsão faz tempo
desse lado; olha lá quantas cores,
quanto sol, olha aqui quanta gente
só e quantas dores mal resolvidas,
declarações de amor devolvidas e
a quase que plena certeza que o céu
me detesta, uma vasta coleção de "Nadas",
"Perdedor" escrito na testa, versão menino
da Drew Barrymore em "Nunca Fui Beijada"...

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Diários de barba




Aquele ali sou eu acordando sem graça,
a beleza do sol lá fora através da janela
me despedaça, me sinto tão sozinho, no 
vizinho o som bem alto, toca "Almanaque" 
de Chico Buarque, aqui dentro a coisa tá
braba, "Me responde, por favor, pra onde
vai o meu amor quando o amor acaba", uma
saudade imensa dos tempos de inocência,
é, eu sabia que um dia acabaria, não foi por
falta de avisos, meu reino por boas horas de 
silêncio, tornar à levantar porque desacostumar
do teu rosto é preciso, quem nessa vida não
gostaria de viver um conto que nunca acabasse,
o amor da minha vida voltou à não ter face, de volta
à velha silhueta, eita, pobre, pobre de mim sem
nunca desacreditar, minha fé no amor é uma verdadeira
prisão, bem, eu ainda tenho as músicas favoritas e até
o lugar escolhido pra ocasião, Deus, tenha piedade da
hirsuta barba deste miserável filho da puta, minha vida
se resume à sentir falta, falta de atenções, falta de boas
intenções, falta mesmo só você aparecer...

domingo, 13 de setembro de 2015

Fotografias que matam...





Um sorriso despreocupado, despretensioso,
bonito na veracidade da simplicidade, fotos
suas, as paisagens urbanas das ruas por onde
passamos juntos, meu olho mira teu olhar em
outra direção qualquer como que ignorasse quem
o admira, tão docemente perdida esperando o sinal
fechar, em par com o vento na rebeldia dos teus cabelos
em movimento frente ao mar, a trilha sonora que a minha
mente tristemente inventa no teu singelo bailar na chuva lá
fora, ah, teus pés nas poças, possas um dia voltar à me notar,
como dói o teu olhar em uma direção qualquer, me sinto um
"qualquer", mas nem assim tenho tua atenção de volta, estou
te achando tão mais solta, bem, que assim seja, nem choro,
mas por dentro imploro, por favor...me veja!

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Eu é que sei






Eu realmente pensei que desta vez valeria à pena
mas era apenas "pena"; esmolas sentimentais, ecos 
de tantos "ais",  níqueis no bolso do que pensei ser amor, 
resta aquela velha dor interior, me chamam de "legal", me
chamam "gente fina" no âmago do embaraço refletido no fundo 
dos olhares  em minha direção na infeliz tentativa de não admitir 
que estar só sempre foi minha sina, eu é que sei das minhas noites
de sábado, não sou do tipo estúpido que se embriaga, também não
sou como aquele outro, me afogo no mar de Calcanhoto, a melancolia
invade meu peito escancarado, desprezado, doído, eu é que sei o que
passei sem ter com quem falar da primeira vez que o sentimento me
foi subtraído!
 

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

domingo, 6 de setembro de 2015

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

O florista e a garçonete




Tem gente com bastante e
querendo mais, tem gente que
após um dia de jornada só almeja
voltar pra casa em paz, no mundo
dos prósperos bem-aventurados pedimos
licença pra passar, o mar visto da janela do
ônibus, o sorriso do motorista, enfim uma
gorjeta, a garçonete e o florista, gente simples,
almas simplórias de sonhos comuns em comum,
pra cada dia sua própria glória, pequenos suburbanos,
entra ano, sai ano e ninguém pra amar, cansada a garçonete
caminha vagarosamente pela calçada, do outro lado o florista
segue sozinho, um tipo calmo, um bom vizinho, ambos sem par
afim de um dia ser bem de alguém, ainda não sabem mas os rejeitados
um dia serão namorados...

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Sussurros da menina cinza...





As paredes se comprimem, o mundo diminui,
alguns fios luminosos conseguem penetrar a
janela fechada do quarto, mas hoje ela não
tem planos de deixar o sol entrar, hoje ela
acordou sem fome, sem a mínima vontade de
falar ao telefone, um café preto e amargo pra
não esquecer das trevas de um dia nada doce,
resta chorar e admitir, 'cabou-se! Olhos de projetor,
o filminho da última vez que o viu se repete incontáveis
vezes no teto, indo, indo e indo, lembra, naquela ocasião
ambos não estavam sorrindo como nos dias alegres de
perambulança sob a luz de verão, aquele sabor enganoso
de "eterno", declarações nunca mais virão, agora pra onde
olha é inverno, talvez recomece aquele diário quando enfim
voltar à ter paz, seja lá como for, parar com aquela baboseira
de "Nunca mais" ao amor, bem, não serve de consolo mas é
duramente honesto, a culpa é da mídia e de nós, os tolos que
vão por ela, no mais, o resto é resto, ainda assim a vida é bela...

domingo, 30 de agosto de 2015

Despertar de um mentecapto



Falta pouco para o meio-dia,
estou enfim acordado, meio
atordoado por mais uma manhã
perdida, mas sinto o princípio de
uma alegria vã, acho que pelo mero 
fato de estar vivo, um tanto "sem sal", 
incontáveis dias sem sol e já alguns meses 
que convivo apenas comigo mesmo, o meu
peito é o típico lugar ermo, uma avenida num
domingo e assim vai indo a vida, sem grandes 
mudanças, sem mais novidades, olho em volta, 
é a cidade onde eu nasci, sinto a nostalgia de uma 
distância, mas como de praxe nem foi eu que esqueci, 
era Radiohead tocando nos meus headphones mas eu 
tive que trocar por um chorinho, é, vou sozinho mesmo,
prefiro a leveza de não ter em quem  pensar do que o peso 
de um desprezo, a palidez da tez sob um honesto dia azul,
incontáveis dias sem sol, dó, ré, mi, fa, e a rua ainda me 
parece estranha, tô quase chegando, a visão do mar me 
ganha, me faz querer assobiar...

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Somos intrusos





Naquele banco de praça, sozinho alguém lia,
uma silhueta triste, ode à melancolia, vem a noite
mas não vem bem ao caso se nada tens à esperar,
entre as sombrias nuvens à espreitar, o luar realça
o sorriso de quem vence, ao passo que delata o vazio
de quem se convence que outra vez não será desta vez;
todos à postos, os corpos de peles compatíveis e o declarado
desgosto nos rostos dos semi invisíveis, gente  que se vê quase
através ao invés de escancarados braços ansiosamente aguardando
quem vem lá à correr pro seu abraço, passando de largo nas calçadas
da vida afim de evitar contato, o lado desabitado do mundo nos convém,
dia após dia acostumando-se com o fato de que o tão esperando affair nunca vem..,

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

terça-feira, 18 de agosto de 2015

O sonho da casa flutuante



Alto mar, uma casa flutuante, um jardim, um quintal, que tal?
De amores sofri bastante, hoje te inseri no meu sonho da casa
na árvore, modesta, até feínha por fora mas com chão de mármore,
paredes claras, cores suaves, a nossa cara; afago teus cabelos negros
em um demorado cafuné, né, e meus dedos deslizam entre teus dedos,
dadas as mãos à vista da calmaria, o oceano, nossos pés na água fria do
fim da tarde e a casa lá, à deriva...não sabemos mais onde estamos, tão
docemente perdidos, de cais nem querendo saber mais, desistimos de chegar
à algum lugar, nossa meta era simplesmente estar perto, confesso, contigo me
sentia bem mais esperto, então eis que as ondas se enfureceram, partiram nosso
lar em dois, a maré fez de nós náufragos, desesperadamente prefiro te ver pela
última vez até do que viver, enfim bati em algo sólido, imaginei uma ilha, filha, quanto
tempo não te via, acordei na cama vazia...


quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Mundo de safira


Safira contra duras paredes
de jade, através das grades
do portão que dá acesso à rua
inocentes olhares infantis encontram
olhares vis do mundo lá fora, mora numa
casa com o desejo imenso de ser de lugar
nenhum; pintas pretas no corpo, sorvete de
flocos, um ser feliz sem precisar de uma espécie
de foco, ser feliz porque se não for assim não tem
sentido, mesmo não tendo bom senso, penso muito
e sinto a maldade ao redor, e ela nunca soube o que
é estar só, abana a cauda ou se esconde sob a cama,
não importa quem não gosta, recompensa quem a ama
com genuína lealdade, através das grades do portão inocentes
olhares infantis não temem a insensível e malvada cidade...

sábado, 8 de agosto de 2015

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

A meta era sermos bobos juntos



Paisagens ficando pra trás,
veículos em movimento, e a
estrada é o passado persistente
em uma angustiada mente; um par
e planos desfeitos, teu sorrir não me
diz mais respeito mas não posso dizer
que não me importo, verdade seja dita,
dói pra caralho rever aquela tua selfie com
um pouco de mousse na pontinha do nariz,
confesso, tenho ouvido Elis demais e até quem
não me conhece percebe que estou remoendo,
esta noite a lua está mais cheia do que nunca e
eu tô pouco ligando praquilo, ah, intranquilo, a
última visão da tua nuca, o fim da rua e você desaparecendo...

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Tosco love!



A beleza cativante dos automóveis
ao chegarem em seus destinos elegantes
e seus devidos esnobes faz cílios interesseiros
piscarem de cobiça, pois é, somos ralé, somos
bem pobres, minha garotinha imaginária e eu,
Romeu desprezado com cara de lesado, Julieta
um dia surtou, me abandonou no ponto do ônibus
e nunca mais voltou, maldita sem piedade, e era eu
então só mais um débil solto na cidade falando sozinho
em um banquinho de praça, no alto falante do infeliz vendedor
de cd's pirata Marisa cruelmente desliza sua afiada lâmina em
meu peito, "Bem que se quis", cantou junto e sorriu pra mim,
minha invisível amada com seu cabelo bagunçado e camisa do Kiss...

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Diamantes dos desamantes


Orgulho é um pedregulho
soterrando o canteiro das
rosas de simplicidade que
embelezavam a cidade e nos
enfeitavam o peito, os dias passam,
tornam-se anos, tem mais jeito, não,
toda a energia empregada e tudo que
se dedicou agora soa vão, não se sabe
mais se falta faz porque ninguém me traz
notícias suas, ah, também nem quero, pôrra,
involuntariamente desejo mortalmente saber
de ti em uma dessas bonitas noites de lua alta,
talvez jamais porque nem agonizando de tanta falta
voltarei atrás!

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Adivinha quem a vida finalmente esfriou...uh-oh







Sexta após sexta, nada demais no previsível 
mundo do menino invisível, os bacanas e seus 
bacanais, o reflexo do céu estrelado nos retrovisores 
dos vencedores como uma espécie de luar particular 
em seus automóveis reluzentes, acreditem em mim, 
não invejo nem tampouco os admiro, eu sou um vampiro 
amaldiçoado pela escassez de toque, disse o deus irônico,
"Evapora, agora todo o amor do mundo que te chegar  às mãos 
será platônico!", apenas concordei e aceitei meu destino, bem, 
afinal de contas sou só um ser humano com a má sorte no caminho, 
odeio vinho, detesto festa, resta-me voltar ao meu iglu com a plena certeza 
do vazio, lindas cores naquele muro mas eu ignorei o grafite, encostada no 
canto um piscar de olhos da tristeza...bitch!

domingo, 19 de julho de 2015

Fugas diárias ao deitar








Mentolado céu da boca, começou à escurecer, acho 
que aqui dentro vai já chover, nuvens, negras nuvens 
encobrem os últimos vestígios de sol no meu olhar mais 
esperançoso pelo simples fato de continuar crendo que a 
ilusão é bem melhor que o nada, a cada oração ao findar 
dos dias peço à Deus pra não ter em quem pensar, perdão, 
ninguém para "assombrar" o único lugar onde ainda aparento 
menos tristonho, que é na terra dos sonhos, lá eu abraço e falo
com gente que já foi, lá não há lei da gravidade, a cidade é bem 
diferente, e nessa realidade, bem, sou bem mais gente, e tudo que 
ousar ser sem ter quem queira me tomar tais graças, pois lá todos
podem voar! Estou triste e sonolento, e em meus últimos pensamentos 
antes de pegar no sono, espero sinceramente que ela não seja como todas 
as pessoas estranhas nas quais tão doce e fortemente dediquei-me e só
desdenharam, mas empregaram amor tão grande sobre mãos descuidadas, 
menos da metade das atenções que à mim não foram dadas

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Na areia do aterro, na grama do centro cultural






Sextas-feiras, sextas frias, 
automóveis se atropelam e
as pessoas acotovelam-se
afim de atingir o clímax da
felicidade total e eu só queria
uma alma simples junto à minha,
alguém do lado para juntos vagar
pela areia da praia, conversar ao
som do bailar das águas, as mãos
que acidentalmente se tocam e causam
rubor como a inocência de primeiro amor;
poxa, seria legal já conhecê-la para poder 
convidá-la para deitar naquela grama verdejante 
sob as estrelas coadjuvantes do nosso lindo filme
tosco, sou menino, fumei aquele fino e peguei a estrada 
com a infeliz idéia que nesse exato momento ninguém me 
tem em mente, o silêncio ressoa ao vento que  sou reles 
pessoa, eu tenho uma velha bicicleta, meu maior bem na 
vida e me dei à um passeio pelas avenidas das pefiferias
pensando no quanto a queria...

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Uma casa no bonsai...


Da janelas entre as folhagens
eu vi uma cidade sem mais paisagens,
cinza e descolorindo, gente sorrindo
sorrisos desesperados de uma estranha
alegria constante, falsa, ah, hoje eu rasguei
o joelho da calça e me senti feliz vestido como
sempre quis, sim, falava da cidade, pois é, eu vejo
um tipo de beleza que não trás encanto, só excita,
adoece e trás insanidade, estou com a idade de rock
stars suicidas, mas não os invejo, não quero, sou diferente
de tudo que venero, vejo tudo como arranha-céus, tudo é
mais importante e valoroso, sou apenas desastrado, tá bom,
um desastre mas não chego à ser desastroso, sou menor do
que todos quanto amei e não me amaram de volta, sou revolta
sem revide, estou vivo, dou graças à todas as coisas boas que
eu li, uma casa na árvore, e sou do tipo que nunca sai, um belo
dia encolhi e fui morar num bonsai...

sexta-feira, 10 de julho de 2015

À vós que amais anais







E se for pra falar de amor
que eu não descarte as dores
porque o que mais dói na gente
é aquela ingênua idéia inicial que
de agora em diante tudo serão só
flores, pensar que desta vez não tem
jeito de não ser perfeito, triste agora
a voz de Renato na canção insistente
na mente, "O mundo pertence à nós",
não mesmo, ó incerteza, é um místico
fogo estranho, é um jogo no qual nunca
ganho, mas beleza; bú, chamaram o tabu 
de santo e hoje vemos espanto por quase 
todos os lados, perdidos no mar, rolando
pelas escadas, gerações e mais gerações
sequeladas pelo medo sem levar em conta
a delícia que há no silêncio de um segredo,
i wish i could que não tivesse de ser assim
tão cold quando nos dermos à insana dança
que nos tira a inocência mas longe de martírios,
pensar em lírios sem a violência que tanto se vê
nos espinhos, somos tão sozinhos cá com nossos
"doentios"prazeres, e em meio à tantos dizeres vazios, 
saber o que é alusão e o que é ilusão, o que é pecado e 
o que são meros predicados, bem, a gente só ignora e apostamos 
na sutileza de uma gentil invasão,  sintonia, sincronia, aahhh...

quarta-feira, 8 de julho de 2015

quinta-feira, 2 de julho de 2015

O desprezo do meu melhor amigo imaginário(Conversa comigo mesmo)





Fazem já alguns meses, é, às vezes a vida
pode ser mesmo um saco, um soco bem dado
que seja, tenho implorado aos céus por novas
sensações, Deus, estou exausto de ser chato,
tão previsível e invisível quanto, razões pela
qual ela não me nota, quantas trancas em uma
mesma porta, aí de mim perdido em meio à tantas
crenças, soa um tanto malvada sua indiferença ao
som das muitas asas de borboletas desesperadas em
meu estômago vazio, morri algumas vezes por ela e
ela nem viu, eu disse "meses"? Na verdade fazem anos,
mais precisamente minha vida inteira à espera de um
calor genuíno, voluntário, uma pele pra aquecer a pele
de um otário em um mundo terrivelmente invernal, a utopia
de um dia me ver realmente leve, não queria mesmo ter que
morrer sozinho na neve, eu não queria partir como um chato,
minha vida é vazia e esperar, bem, é um saco!

sábado, 27 de junho de 2015

Devaneios do herói sentimentalmente desengonçado




Sou só um herói falido, sentimentalmente desengonçado
à sobrevoar céus tão limpos de tantas e tantas milhas de
pleno nada, nem surpresas, nem esperanças, sério, nada!
Queria uma vez só na vida chegar a tempo de resgatar o
coração mais docemente simples das garras da malvada
solidão, ah, se fosse, "Olha o que eu te trouxe...", dizer
daquela carta de amor há muitos dias atrás escrita, que meu
peito envergonhou na hora de lhe entregar, a graça de ver o
sorriso se iluminar num rosto acostumado com o semblante
de frustração, salvar sendo salvo, alvo por dentro de tanta ternura,
dizer sem receio de não ser bem recebido que eu tô completamente
apaixonado, sentir que nosso encanto é na mesma proporção, um
momento mágico totalmente propício àquela bela canção da Elis que
diz:"Só eu sei quanto amor eu guardei sem saber que era pra você",
abrir os olhos ao despertar e ver que você ainda estará lá...

quarta-feira, 24 de junho de 2015

sábado, 20 de junho de 2015

Tortas, tantas tortas!


O reflexo do algodão espalhado
pelo pleno fundo azul no prédio
espelhado, um céu bonito e sinto-me
mais finito do que de costume; meu olhar
assume grande miséria quando desfalece,
outra moça que me esquece sendo superfeliz
pela cidade, rodopia por aí morrendo de rir
com outro alguém do lado, dando por certo
que o amanhã será infalível, e o homem chamado
sol com cegantes brancos dentes dá risada de nós,
os imprudentes, do lado de cá só a solidão de ter sido
trocado, outra vez lavo o rosto já lavado de lágrimas e
maquiagem de palhaço e vou pela tarde à procura de um
sentimento quase escasso, a dor no peito arde como uma
tatuagem recém-feita e meu estômago de borboletas mortas,
um dia encontrar? Tomara! Tortas e tantas, tantas portas...
na cara.

terça-feira, 16 de junho de 2015

sábado, 13 de junho de 2015

Reles peles




Estava à murmurar sobre o que me desfavorece e o que
meu peito carece nesse mundo que descolore por onde passo,
não me pergunte sobre meu dia, pressionada a tecla "mute",
caminhando à passos silenciosos deparo-me  com um dia azul
ali na frente, só que a má sorte não me solta e querendo não estragar
a alegria alheia, dou meia volta e sigo pela estrada do cenário em preto
e branco, sob a luz de raio de um momento, no pensamento aquele lindo
e tímido sorrir da balconista da padaria, a breve lembrança no desespero
de ao menos não ter o coração inteiramente desprovido de esperança, eu
sou aquele velho poema esquecido no diário empoeirado de linhas tortas,
sou uma criança já há muito desaparecida, dada como morta, o jeans surrado
de joelhos rasgados, a alma maltratada por conta de tanta ilusão barata e olhares
negados, hirsuta, os pêlos da barba deste filho da puta que vos fala...

quarta-feira, 10 de junho de 2015

A moça é bela e a carne é triste

´




Há um sentimento que não chega,
um vazio que não basta, ah, meu ébrio
cupido errante, uma vasta coleção de flechas
erradas e estúpidos amores "desamantes"; dê-me
um pouco mais de desprezo e apenas me trate como
um traste, o meu coração, o meu coração é o ateliê que
abandonaste em meio ao caos das cores, desmancha mundo,
entre ateus e atores, disfarçando misérias à beira do abismo
profundo que é lembrar o quanto era bela aquela moça estranha,
das memórias às entranhas, corrosivo é o som do sorriso que ecoa
na minha mente problemática,mesmo não sendo pra mim, bem, sim,
finjo que é e fantasio incontáveis situações bonitinhas de nós dois por
aí à pé, uns trocados no bolso, rezando que dê pra um só sorvete que é
pra gente dividir, pouco, mas bem pouco para duvidar, o chão de nuvens
planas que é pra depois te levar num passeio de bicicleta em linha reta,
seguindo toda orla sob os olhares curiosos do sol do fim da tarde, arde a
pele da minha carne triste, volto à si vagando só pela avenida, perguntando-me
se ainda existe alguém assim na vida...

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Erva doce versus camomila(Esquecer é fueda!)


Eu quis sorrir....
mas despertei atordoado na penumbra,
nossos lábios quase, quase se encontraram,
é, foi só outro sonho estúpido, ah se fosse!
E me admira uma noite sequer que eu deixo
de lembrar, erva doce versus camomila, odores
teus após banho que fazem do meu ser bem mais
estranho, minha carne um pouco mais miserável,
uma delícia admirável nessa constante memória em
meu olfato, maldita tarefa essa que é tentar te tirar
completamente da mente, veraz e tão voraz quanto,
é fato. O luar intenso das quase cinco da manhã, e eu
aqui acordado e tão só, oh, Deus, daqui há pouco já
tem sol, penso no doce azedo do cheirinho de maracujá
afim de amenizar as angústias do meu nariz insone, esqueço
tua voz,  às vezes até esqueço teu nome, mas a lembrança
dos teus perfumes me faz querer berrar, invento barulhinhos
esquizitos com a boca, não, eu não aguento mais pensar em
ti, habituar-me a não te ter mais é o prólogo de um eterno
inverno, quero muito tentar prosseguir naquela velha fé de
nunca mais ter que lhe ver, pôrra, nesse preciso momento insano
eu só quero viver...ao menos até o fim do ano...

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Inalcançável





Vejam só aquele rapaz de camisa amarrotada
do outro lado da calçada, uma nuvenzinha cinza
sobre a cabeça e uma desértica ilha invisível ao redor
de si, os velhos tênis de cadarços desamarrados, a alma
em farrapos pela solidão do corpo há muito sem toque, tanto,
tanto tempo, nada pra ninguém, e o pobre coração desesperadamente
tenta acreditar que não; vazio e escuridão em plena multidão de rostos
translúcidos e ele lá torcendo pra não ser reconhecido, virou costume
sentir-se esquecido, some e torna à sumir mas não crê que darão por falta,
mesmo nunca deixando de sentir falta, só não dá pistas, não olha, não pergunta,
alheio ao mundo de tanta gente rasa quanto o mar tão profundo, de modos que
todos ao redor desistem de conhecê-lo melhor, o louco, o inconveniente e eles
nem sabem a dor que ele sente por ser assim tão incomum, implora o céu do quarto
onde pode livremente dar seu melhor sorriso triste típico dos conformados porque a
vida é de se acostumar, tranque a porta e seja bem-vindo ao refúgio dos derrotados...

terça-feira, 26 de maio de 2015

Janete




A insatisfação no meu rosto em desfoque,
o silêncio da ausência do som do toque do
telefone, voltar pra casa só, gostar de quem
nem sabe meu nome, uma vida dividida, algo
que nunca me coube, memórias de certas coisas
que nunca soube, bem, basicamente essa é a minha
história; meu coração é um vago vagão do vasto
trem dos dias, as paisagens distantes pela janela no
mesmo instante em que ela acorda no seu quarto tranquilo
do mundo...nem uma aventura em especial na noite passada,
nada demais, no mais espreguiça-se num bocejo sorrido,
pensando naquele marzão comprido de tristezas rasas, os
vasos de flores nos parapeitos das casas, o cheiro de maresia
mistura-se com o do asfalto, lá fora a cidade gargalha alto,
uma necessidade desmedida de atenção, berros de falsa felicidade
enquanto a moça dobra a barra da calça, indiferente às alegrias vazias
e volta a pôr seus doces lábios sem adorno no canudinho em ritmo de
bossa, e assim Janete toma sua grapette, encontrá-la um dia...tomara.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Tatuei-me em prol do desvencilhar de uma dor maior


Outra vez virou mito, lamentos, lamentos,
lamentos, e lá se foram as últimas fagulhas
de um sentimento bonito; sob o efeito das
agulhas, o ardor da pele, a carne crua, o brilho
da lua me inquieta como a memória da tua risada
esperta, novamente expus meu corpo aos riscos
na tentativa de apagar da mente os riscos que corri
em vão, e não foram poucos por quem apenas desdenhava
pela cidade, apesar da intensidade e a maneira como a desenhava
nos meus sonhos mais utópicos, a imaginação na ponta dos dedos
nos teus traços mais delicados do que realmente são, aquele teu jeito
familiar de não me querer fazendo-me abandonar os últimos vestígios
de menino são, o vento sopra, a noite corre ligeiro, o sangue escorre
pelo braço que nem a saudade dos abraços teus que nunca tive, e assim
a máquina não para, o tatuador à sorrir, pobre homem, na ilusão que a
dor do aviãozinho de papel desenhado é a que mais me machuca no momento,
a última lembrança dela partindo, a triste visão da nuca, uma nova tatuagem e
lá se vai mais uma esperança de um novo sentimento...

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Jujuba eyes



Anos à fio de condicionamento às constantes
persuasões do mundo,um tipo quase sem opinião
fadado ao mau funcionamento até o não bater do
coração, praticamente a vida mais desinteressante
dentre os amigos,mendigo sempre às portas da rejeição
porque ninguém está afim de saber o que se passa em meu
minúsculo universo em crise, desprezados versos, frustrações
em reprises e lá vou eu reclamando de novo na falta de algo novo,
recortes de revistas e fragmentos de rostos nos filmes que idealizo,
a diferença entre aquilo que desejo e o que realmente preciso, oh, Deus,
pra onde eu olho, sinto almas infestadas pelo veneno urbano, foda-se se sou
capricorniano, as ciladas do poeta ingênuo sem ter no final à quem dedicar,
não, não me diga que é mera frescura sentimental, e quem, quem me achará
nas primeiras horas da manhã escura, ainda ontem eu tive um sonho tristonho
com a garota do rosto translúcido, mesmo lá tua pele me fazia querer chorar,
sorrisos de dentes imperfeitos, doces olhos de jujuba, me anima, me perturba,
pra lá e pra cá, acordo sem jeito na certeza que gente nunca se encontrará...

terça-feira, 12 de maio de 2015

Pseudo-poeta, legítimo vazio






Para um dia de excessiva cor,
todas as janelas abertas, minha bic
escrita fina quase pelo fim na tentativa
de assim descrever o dissabor do pseudo-poeta,
ó, minha cara, te escrevo porque não me atrevo à
dizer na tua cara tudo o que pretendia, nem sobre
o que me prendia e ainda me prende à ti! Oi, olá,
meu nome é desastre, meu sorriso disfarça toda
a frustração na minha voz, nós? Bem, acho que não...
tenho quase que certeza plena que para ti não valho
à pena, acho que nunca cairei nas graças desse teu
admirável olhar singular, beijar no rosto, pegar na mão,
ah, não, outra vez um tolo exposto ao sol e só, adoro
pão-de-alho e canto mal pra caralho mas sonho com
nós dois numa canção de chuveiro, um dueto, o passar
dos anos, que o bom Deus me ajude, pois meu gostar
está ficando mais e mais obsoleto...

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Aquele disco do Smiths


Tédio, um estrelado céu lá fora,
um porre de melancolia sonora
e eis um ébrio! Triste sem, é, eu
não tô bem, eu troco nomes, eu
me confundo, ah, aqueles dias em
que eras cá meu mundo, dona do
meu ser e do pequeno cômodo onde
durmo, hoje apenas um infeliz incômodo
e à cada lembrança tua eu sumo; escondido
pra ninguém achar, um vaso sem água e uma
rosa à murchar em mágoas de um olhar frustrado,
um porre de melancolia sonora, lá fora o céu estrelado,
no prezado momento a beleza me dói e o som do Smiths
me corrói, outro escurecer e outro alguém pra esquecer...

sábado, 2 de maio de 2015

As palavras de um menosprezado anti-social






Miserável soul, miserável eu sou rastejando
pelo deserto do teu esquecimento a céu aberto,
rotas roupas de uma alma intranquila, entorpecida
mente só pelo simples fato de tê-la visto novamente;
sob a glória do astro-rei era eu apenas um sedento plebeu
à espera de uma chuva diferente, daquelas que misteriosamente
trazem gente nova e a vida então se renova, gente "desprovida"
de preconceitos tolos para prestar mais atenção na gente, gente
para nos ajudar à estar de pé, gente pra querer saber como a
gente realmente é, confesso, ultimamente tenho odiado mais
gente...do que de costume, meu caótico coração assume, ano
após ano, preciso um pouco mais de ciência para estar um pouco
mais à par de mim porque eu não tenho paciência, mano! Porque
eu não tenho paciência, mano! Porque eu não tenho paciência,
mano! Mas digo entre os dentes que sem vocês eu não consigo,
rostos para readicionar à linha do tempo das boas memórias e
outras tantas caras medíocres para deletar e bloquear!

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Tinha...






Três e pouco da manhã, fim-de-semana,
houve um tempo em que eu curtia muito
Titãs e Legião Urbana mas hoje em dia eu
sei perfeitamente porque os amo incondicionalmente!
A maioria das pessoas que fazem menção de destino e
maturidade são as mais insanas da nossa cidade, e eu só
queria ser menino um pouco mais antes de tentar ser o que
o mundo ao redor deseja, aonde quer que esteja nessa vida,
aproveitar minha infância interrompida pelas pretenciosas
influências e após cada período chuvoso, até aonde a vista
alcançar, tentar enxegar primavera, olhar o mar sempre como
se fosse a primeira vez, ao longe posso ver a melancólica silhueta
de uma menina sozinha, antes de saber da existência do amor queria poder
lembrar daquela ingênua paz de espírito que eu tinha...

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Vômito rosa






Lá fora brilha o dia azul, acho que algo  morreu no fundo dos olhos, tu e eu, óleo e água, a metáfora por assim dizer da mágoa persistente entre a gente, sonhos intranquilos, versos recitados entre os dentes porque meu peito dói de tão frustrado, alma torta, e o que te importa, é só mais um desprezado à implorar por serenidade, do chão eu via a sanidade acenar pelo retrovisor do veículo que se distanciava; ó, Deus, tenha dó da minha dor que já são mais dez anos só, de amores morto de fome, e nas tristes belas palavras da minha querida lá, "Divertindo gente, chorando ao telefone", tão ridiculamente engraçadas eram as minhas intenções de algo pra durar, infelizmente é assim que muita gente feliz por aí irá lembrar de mim, um rejeitado, aquele pobre coitado que nunca mais se viu, à puta que pariu com tudo que sentias, mas o que o acaso não sabia era que alguém fora do radar da vilã má sorte estava por vir afim de dar um jeito nos meus cortes, alguém que não vai ligar para minha pele comum ou meus bolsos vazios, o semblante um tanto sério e o interior ultra macio, sim, ela será um bom lugar para descansar, e brilhará o dia azul, na praia o mar há de beijar a areia calmamente, ah, e sobre aquea fria moça que atormentava a mente problemática que mal suportava de tantos "ais", sabe, meu coração hoje
nem sente mais!

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Por um amor que curta bike



 Solitárias paisagens urbanas
de estranhas ruas por onde passo,
refletia o refrão da calma canção
que repetia:"Ninguém disse que 
seria fácil", e essa constante sensação
de falta que carrego pelo asfalto das
avenidas dos bairros já silenciosos,
outra pobre criatura sem entender os
misteriosos planos divinos para se chegar
ao fim sozinho enquanto a grama do vizinho
continua bem mais verde, ver-te chegar, ver-te
voltar, ah, devaneios, sonhos meio que utópicos
que meu peito traz e nunca mais tive com quem
falar à respeito, assim meio encurvado num mundo
onde Deus nos quer com a coluna ereta, humildemente
confiantes, e eu aqui nostálgico como antes sob o pálido
céu de parque em doces preces por um amor que curta bike...

segunda-feira, 13 de abril de 2015

E assim monologou este zero à esquerda...






O cair da tarde, a lua já à espreita por detrás das nuvens
cor de laranja, a melancolia invade a minha rua sem saída,
e lá se vai um pouco da vida, lá vem, lá vem e vem pra machucar
com  excessiva beleza, oh, quantas noites lindas ainda hei de testemunhar
de braços dados com a tristeza até que um dia venhas, eles sempre dizem
à mim para que mantenha a calma que virá o que há de vir, "Ver pra crer",
sob a penumbra do céu tranquilo, um louco à indagar:"Cadê?!"; Me chame
de ninguém, me chame de intruso, para onde teria ido toda a simpatia que
empreguei sobre aquele coração confuso, outra vez não obtive uma resposta
à altura, indiferenças à toda e qualquer tentativa de candura vinda de mim, desprezo
ao meu simplório mundo desinteressante, um único retrato teu furtado na minha estante semi-vazia, tão duramente foi como enfim compreendi porque teus "Até mais" tinham som de "Nunca mais" e a dolorosa tarefa de esquecer à quem divertimos com todas  nossas desastrosas declarações de amor, um náufrago à deriva no espaço, um poeta com postiço nariz de palhaço à borda do trigésimo andar do prédio de todo o tédio que meu gostar  te proporcionou, pequenos riscos nos meus discos, e a decrescente esperança da criança grande de fato, Legião Urbana 5, Los Hermanos 4, ouvindo ao cair da tarde, e daí se eu também cair?!

quarta-feira, 8 de abril de 2015

A saudade




Noite alta, o blues do som
da gaita, a baita falta que sinto
daquela menina toda vez que sento
sozinho no ponto de ônibus ali da esquina,
e vai partindo, e vou perdendo, o transporte
que costumavas esperar desaparecendo no horizonte
do asfalto das 22:30, é, sumiste, névoa apenas, uma
pena eu não ter sido aquilo que esperavas, triste sem,
triste sem, lamentos, frustração e um pouquinho de azia,
well, foda-se a poesia do momento, as pobres palavras de
um menino falho infeliz pra caralho...

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Velho tênis





De tão perto, bem não coube
e eu nunca soube ao certo do
que realmente gostas, com as
gastas solas do tênis surrado
deixei o ego de lado e saí à tua
procura em meio à loucura do
dia caótico, eu, o mesmo cão
sem dono neurótico de costume,
a rua deserta após tua partida,
a porta da vida deixada entreaberta
mais parecia um abandono de lar,
e era...o fim da primavera, resquícios
daquele teu cheiro familiar em algum
canto do quarto de solidão, oh, quanta
falta faz, acho que fumei demais, eu sei,
pra onde cê foi que até hoje não te achei,
aquela certa idade, e este fracassado à vagar
com seus cadarços desamarrados já nos
confins da cidade em tua busca, tão, tão
brusca tristeza, só o mar não me abandona
e o céu sempre me cobra, de tão longe e
escasso agora havia espaço de sobra....

terça-feira, 24 de março de 2015

A estranha e o perdedor




Névoas de uma manhã de domingo,
nesse exato momento ambos despertam
cada um na sua extremidade da cidade,
na falta de afeto, ainda deitada ela encara
o teto, misérias e afins, "Por que será que
ninguém vê nada em mim?", espontânea
indagação simultânea em seu olhar parado
na janela e ele nem sabe da existência dela
mas persiste na fé que alguém assim existe
e há de salvá-lo em algum desses dias frios
de desesperança, ambos solitários desde criança
sempre em segundo plano e alguns anos depois
a descoberta da triste realidade, nunca tiveram
amigos de verdade; e lá se vai mais um mês,
ela adora inglês e seriados, ele adora pedalar
ouvindo música mas detesta feriados, ambos
são anônimos, quase sinônimos, amadores, nunca
deram "bola" para suas dores pessoais, sem ninguém
ao lado, os tais fracassados, um amor platônico do outro,
não tão espertos, mas tão, tão  perto, ainda não se conhecem,
bem, talvez nunca se encontrem.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Desiste




Pelas manhãs escrevi,
chorei em portas estranhas,
melancolia, eu vi você desaparecer
daquela nossa melhor fotografia juntos
e não por falta de assunto, bem, não sei
se por efeito do vinho, me vi sorrindo sozinho
sob um sol vil com pose de imbecil metido à feliz,
eu disse "xis", a vida disse "se" e a minha querida
disse "Foda-se!", talvez o vazio logo acabe, pelo
retrovisor a dor ficou pra trás, talvez nunca mais,
mas sei lá, quem sabe...

segunda-feira, 16 de março de 2015

C'est lavie, tanto faz





Dois pra lá, um pra cá,
e a estrada da vida então
divide, ah, solitária caminhada,
lugares ermos, duvide não, eu
posso sim prosseguir só falando
comigo mesmo, já nem importa
mais quantas vezes abandonado,
e daí se tanta gente esqueceu que
estou aqui do lado; ora, vejam só
aquela moça que prometeu não ser
só mais uma frustração. fingiu não
ter me visto na estação do trem e saiu
mostrando ao mundo que estava super
bem, tristemente sorri e segui calmamente
pela rua escura recebendo o amor gratuito
nos mais belos amplexos da lua, tento, tento,
eu tenho o benefício do esquecimento a cada
fim do dia ao encontrar a mais macia e afastada
nuvem pra deitar...