domingo, 29 de setembro de 2013

Feio....

Ela não veio 
porque eu sou feio,
foi um choque contra
uma árvore de mármore
e passei meses desacordado
em meio à devaneios e delírios;
trilhava uma estrada coberta de
lírios, a visão de solidão de um
lugar onde sempre é fim-de-tarde,
mas lá cê era minha metade, bem
poderia suportar, nossos olhares
não se resistiam, de quilômetros,
milhares, o meu que te aprecia,
lá a vida parecia bem mais fácil,
há que não fosse esse somente o
mero prefácio e de volta ao fim,
sim, e até digo com receio, ela
não veio porque...eu sou feio.


 

sábado, 28 de setembro de 2013

Ao encontro do teu encanto

Um passeio por ruas desertas,
flores amarelas no cesto da bicicleta,
a triste lembrança do calabouço e uma
carta no bolso pra ela, eu tô assobiando, 
indo ao encontro do teu encanto; os seres
e os cereias, vejo gente sorrindo na cozinha
daquela casa humilde e ela me espera sozinha
no seu planetinha em formato de fruta, a barba
hirsuta, o paletó surrado pra caralho, sou um
velho feliz pedalando pela canção de Zé Ramalho,
um chão de giz com desenhos de criança e toda a
minha infância ali rabiscada, e a calçada se transforma
num mar de nuvens, com cisnes e flamingos, estava
quase chegando no canto do teu olho, mas me perdi
na chuva tórrida do teu entristecer, acordei era quase
amanhecer...de domingo.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O lamento do palhaço do palácio

Toda atenção
às belas vestes
de um rei sem coração,
todo o peso e desprezo
do reino ao bobo da corte
sem sorte, olhando a lua
com uma 3x4 tua no bolso
da minha blusa amarrotada, 
ridicularizado de risadas por
mais um dia, "ia", disseste bem,
mas não me deste permissão pra
ter razão, pisoteado pelo céu, eu,
plebeu de alma rota, um maltrapilho,
deixado por outra, à espera do fim 
por uma carruagem em alta velocidade
que me livre do mal que sou pra mim, 
amém!

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

sábado, 21 de setembro de 2013

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

domingo, 15 de setembro de 2013

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Melancolia injetável

Desculpa mãe, por ser tão distraído, e por estar caído nesse beco
sem saída da vida, me perdoa por estar à toa, me equilibrando na linha
do horizonte, onde o mar se esconde do olho humano, eu tô vagando e divagando sem plano de fuga, e à cada esquina novas rugas, eu tô envelhecendo por minuto,  o andar cada vez mais manso nessa incansável busca por uma nuvem de descanso sobre dias tão lindamente ensolarados, procuro o lado mais escuro do céu em plena luz do dia, depois da tua partida me tornei um filho dispensável, eu tô caindo da escada, eu tô usando melancolia injetável com uma seringa contaminada, talvez eu tenha uma overdose de tristeza, desfalecido no chão da incerteza, eu tô me equilibrando na linha divisória do asfalto movimentado sem pretensão alguma de chegar do outro lado, pode ser que eu morra para enfim ser encontrado, já que nasci pra ser deixado...

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Simples

O feio e a flor, 
encontraste um contraste,
a inocência daquelas pétalas
regadas e um coração de terras
áridas, a decadência de um velho
menino no meio do nada, daquelas
pessoas que não se sabe pra onde vão,
vagueia, anseia em vão tornar-se invisível
pra não ser mais visto na sua infeliz cidade,
a simplicidade da beleza imóvel, e um sorrir
à cada gota d'água, mágoas de um andarilho
à beira de trilhos inativos, uma estação de
trem abandonada chamada frustração, cujo
sentimento é um transporte de ressentimento,
uma bicicleta sem freio seguindo uma seta que
aponta para um precipício, bem,seja lá como for,
o feio e  a flor...
 

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Um final alternativo pro notável invisível...

Uma trajetória de tão poucos "sim"
e quase sem carinhos no caminho,
um notável invisível à beira do fim;
as imagens dos meus piores momentos
em câmera lenta, e as cenas aceleradas
nos melhores, familiares vozes falhas
dizendo-me coisas boas, identifico pelo
tom amável, encontrei todos os meus brinquedos
e revistas em quadrinhos que perdi na infância,
é um lugar de distância e nostalgia sem a luz do
dia, mas também não é noite, parece uma espécie
de período inventado, parece um sonho sonhado
por muita gente em tempos diferentes ao redor
do mundo, mas devem ter se passado uns cinco
à dez segundos depois que me deixaste, e então
choraste um mar de lágrimas corrosivas, me debato
em meus últimos instantes de vida, um ataque cardíaco
em um mar de amoníaco, foda-se, resolvi me salvar
em meus próprios versos, e faço tudo inverso, eu era
apenas um rapaz que atua no papel de um desafortunado
amante com muita saudade do teu coração, mas que na
verdade flutua num mar de maracujá no centro da tua atenção...

domingo, 8 de setembro de 2013

Rebobinar a fita do primeiro encontro(Talvez fazer certo dessa vez)

Ai, que ela, ah, aquelas maçãs do rosto,
e que desgosto é fingir não te ver com a
incontrolável vontade de te olhar dormir
pra sempre no lado mais calmo da cidade; 
nossa cena de filme, à cada vista todo mundo
some ao nosso redor, que é pra gente se sentir
um pouco mais só, ao invés desses miseráveis
olhos vermelhos, queria uma flor à mão pra pôr
no teu cabelo, queria uma caneta BIC encantada
de doze cores pra enfeitar tua atmosfera de dores
com rabiscos de todos os presentes que eu queria
lhe dar um dia, sei lá, muita coisa eu nunca vou
poder comprar, ao menos pra que soubesses das
minhas intenções de bem-querer, ao invés desse
semblante sem graça que te evita, queria rebobinar
a fita do nosso primeiro encontro, e talvez fazer
certo dessa vez, você e eu enchendo a cara de vida,
uma sombra de árvore dividida sob o sol da tarde
amarela, ai, que ela... 

sábado, 7 de setembro de 2013

À devanear...



À bordo do trem chamado devaneio
um bom passeio pelas paisagens dos
lugares que mais nos agradam; na janela
as imagens da minha mão na dela dão-me
uma baita vontade de chorar, ensinando-a
desenhar, colorindo o céu de papel com um
sol cor tangerina, a cabeça encostada no
peito da menina mais bonita do mundo por
alguns míseros segundos mágicos, sem previsão
de nada mais trágico, olhei a janela outra vez,
e pude ver o que a vida fez, ou toda cidade havia
crescido demais de repente, ou era a gente que
havia diminuído o tamanho, era agora um estranho
passeio pelo recheio de um reles biscoito esquecido
no sofá da sala, eu e você num minúsculo ônibus imaginário
viajando pela estrada que leva à tua varanda, cantamos
errado, caímos abraçados após dançar ciranda, vivemos
uma vida juntos nesse lindo chão de devanear, a lembrança
de quando te escolhi, e na tua ausência encolhi...

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Dias submersos no universo de versos tristes


Finda o ano
no fundo do oceano,
já passa da meia-noite,
olho o brilho opaco das luzes
distantes dos fogos de artifício
na superfície sem o menor saco,
fiz de um recife meu leito já que
fui desabrigado do teu peito por
tempo indeterminado; já há alguns
meses que não tenho falado com
ninguém, e no âmago do amargo
vazio deixei-me cair no mar bravio,
lembro, fui afundando, distanciando-me
daquele dia azul pra voltar à morrer no
mais profundo estado blue, meu mundo
submerso, imerso em versos tristes, assim
tão longe de tudo que de mais belo existe,
cercado pela feiura de débeis sentimentos
opostos à doçura que me era por direito,
primeiro de janeiro, coração refeito pela
oração de um imperfeito, posso ouvir novamente
as canções que te trazem à memória na minha
vitrolinha coberta de musgo, acho que vou voltar
lá pra cima, que meu amor por ti não afundou
com o ano que findou no oceano...

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

A invasão do foguete em forma de pincel atômico

Anteontem
eu sonhei com ela...
sentado numa janela
insólita em órbita no
espaço eu observava
a delicadeza dos teus 
traços, e a minha menina
ainda adormecida de tristeza
no universo do quarto cinza, 
a TV ligada sem som, os cenários, 
os desenhos na parede de tudo que
ela sonhava naquele momento, ali
no canto parecia eu, ah, devia não
ser, mas era uma lembrança tão doce
que eu só queria muito que fosse, queria
muito ter de volta teu canto, invadir aquele
canto descolorido do mundo à bordo do meu
foguete em forma de pincel atômico só pra
bombardear de simpatia aquele péssimo dia
irônico, mas antes de te salvar...eu acordo.
 

domingo, 1 de setembro de 2013

Tá, meu nome é Johnny...Depp!






Que tipo eu sou? Com que cara eu vou amanhecer? Quem eu vou ser daqui há um ano, e na mira de enganos e holofotes, será que assim trapaceia-se a dona morte? Já fui o malvado romântico das lágrimas com o cabelo na brilhantina*, em outra esquina da vida acordei tipo tímido, temendo a luz do dia, e mesmo com lâminas nas mãos*, declarado amante da escuridão; já fui órfão, mas também fui Grape de misérias expostas,  com o peso da terra sobre as costas em meio à uma família triste, um irmão menor problemático e uma mãe enormemente obesa*, quantas noites insones de luzes acesas, até que adormeci e esqueci novamente como eu era, também nem sei se inverno ou primavera, quando dei por mim, já era assim, esse adorável pirata sujo*, cujos dias contados levaram-me além do reino encantado de Alice*, e da fábrica dos doces*, ah, se fosse, ah, se terminasse assim, inocente, mas é que eu nasci pra um dia morrer diferente, até que um dia tornei-me um solitário barbeiro sanguinário*, a sombria dança do dia envolvendo-me de poesia e vingança, eu vim aqui pra matar, vim pra morrer de amores, rancores, cercado de estranhas emoções e combinações de cores, eu sou o sonho estranho de um qualquer, a deep dream called Depp...

*Reverências: 1-Cry Baby, 2- Edward Mãos de Tesoura, 3-Gilbert Grape - Aprendiz de Sonhador, 4- Piratas do Caribe, 5-Alice nos Páis das Maravilhas, 6-A Fantástica Fábrica de Chocolates, 7-Sweeney Todd -  O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet