domingo, 29 de dezembro de 2013

sábado, 28 de dezembro de 2013

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Por míseros segundos de amor, sou catador do mundo...

Há uma terra desolada em
meu peito, um jardim pisoteado
em mim...porém há outras flores
crescendo nesse chão de dores
pós-catástrofe, há um sol nascendo
nesses olhos que choveram madrugada
a dentro, o dia seguinte e uma enorme
falta, o espaço sideral no coração do
pobre pedinte à mendigar amor às portas
de gente contente, palavras doces para
imaginários ouvintes, e míseros segundos
negados para o lastimável catador do mundo.
Tenho a alma empoeirada, eu sou uma casa
abandonada no fim da rua, cujo antigo morador
ninguém tem lembrança, é, infeliz eu sou nas minhas
andanças, e tenho lápis de cores mágicos sempre
prontos pra enfeitar desenhos trágicos de quem puder
se aproximar e me mostrar, faz muito tempo que não
tenho onde morar, durmo escondido em varandas de
estranhos corações por não saber mais por onde anda
minha querida, o leito, a cama ao relento dividida com
a incerteza, anteontem acordei sorrindo, sonhei que eu
era o profeta Gentileza...

sábado, 21 de dezembro de 2013

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Seu céu

O clássico lado vazio do colchão, 
um chão de gelo trincado, apelos 
vindos de vários quartos trancados,
o solo de incerteza da natureza que piso, 
mas eu não preciso perder todo senso de 
direção, penso:"Não, hoje não!", uma prece, 
ah se desse, ah se fosse possível uma chuva 
colorida pra me tornar visível, poder enfim 
sair na fotografia da minha cidade ao sol de 
um dia lindo, e ao som da minha música predileta, 
deixar de lado a trouxa repleta de rejeição que trago 
nas costas, pegar-te pela mão, conduzir em uma dança 
lenta sobre o gelo fino, contrariar o destino, tanto faz se 
o mundo ruir sob nossos pés, ao invés da queda voaremos 
pelo céu imaginário, um belo casal de otários fazendo a 
diferença, indiferentes à descrença de quem sempre nos quis só...

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

sábado, 14 de dezembro de 2013

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Quarto e coração






Pálida árvore,
cálida tarde a 
quilômetros da 
civilização, vejam aquilo,
um perdido com o coração 
bem parecido com Marte, 
inóspito e tranquilo; próximo 
de um deserto, sede e paredes, 
o mar branco do quarto, algo 
perto de um parto, meio morto
com o olhar perdido no teto, 
muito tempo sem tato, partido 
por dentro, e a pele solitária do 
menino cinza ainda arde sob
a pálida árvore de uma cálida
tarde...

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Ecos de gentileza e fantasmas domésticos

Um dia eu volto...
há um menino na terra, cuja sorte sempre erra
sua direção, estremece vez por outra, e a solidão
nunca o esquece, mas por essa o tio destino não 
esperava: a cada perda, o pobre menino deixava 
doces e flores de sua alma desprezada, a saber, 
atos de bons tratos por todos os caminhos que foi 
obrigado à desviar-se, e para cada "não" e "se", 
fantasmas domésticos ali deixados para assombrar 
solitárias noites de sábado dos que o deixaram de 
lado, aleatórias belas palavras aparecendo nas frias 
paredes de quartos vazios pelas madrugadas, o eco
ensurdecedor da minha dor e gentilezas dedicadas,
e quanto tempo atrás, muitos nem lembravam mais,
sete, nove vidas, bem mais para os insistentes amantes
que não mentem sobre diamantes, um salto para o nada, 
ai desse meu desprezível amor solto, mas um dia eu volto...

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

domingo, 8 de dezembro de 2013

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

...vezes nada.

O quarto dela,
um desenho sobre o
criado-mudo, ele quem
fez...a timidez nos olhos
por detrás dos óculos,
um mar bravio de lágrimas 
estancadas, madrugada,
faz muito frio, e o menino
não consegue chorar, lembra
que ela já nem o conhece mais,
mas verdade seja dita, saudade
mesmo é da paz da vida antes
dela, o olhar perdido na janela,
na calada da noite, calçada, no
quarto dele, dado por ela...nada.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

domingo, 1 de dezembro de 2013

Morte ao poeta!(Ânsias de infância)

Mansa criança salpicada de mar
a dois palmos das nuvens, quando 
os dias eram incrivelmente calmos, 
quando a felicidade era tanta que 
não havia tempo nem de olhar pra 
cima, quando a beleza chegava de 
formas tão intensas na alma que se 
era alheio à rimas e versos, agora 
vejo o céu tão aberto e confesso um 
vazio cortante debaixo do sol, o que 
é que há de tão incerto entre nós nesse 
instante? Qual a relação da natureza com 
o meu coração? Por que essa triste aquarela 
permanente no meu globo ocular?  Queria 
poder mudar logo essa "proteção de tela", 
por que me afogo no azul que a outros cobre 
com entusiasmo? Ó, peito sem jeito de tanto 
marasmo, implodindo de incontido amor, e se 
isso for mesmo acontecer, que seja para depois 
haver uma chuva de flor...

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

domingo, 24 de novembro de 2013

Doido e o amor super bonito!

Em nossas vidas de dias
tão comuns, encontrei-a sozinha,
sentada numa praça sem graça, era um
qualquer me sentindo como nenhum
outro se sentiu à tua proximidade,
saudade à primeira vista, medo e ternura 
singular, torcendo pra que tu realmente
exista, morrendo de vergonha de pedir 
pra sentar; era eu aquele pobre amante de
roto paletó te olhando como quem admira
um diamante, ali feito abestado, perdido
nas curvas do teu lindo rosto arredondado,
apenas um sonho de padaria à mão, os bolsos
do jeans cheios de "não's" e a quase plena
certeza do "nunca", me apaixonei pela tua
imagem negativa auto-hipnótica(hein?),
eu só queria ser esquecido pelo mundo contigo,
e por alguns segundos achei a gente muito parecido,
queria dividir a solidão da cidade, um gole de
felicidade na minha velha garrafa térmica, olhei
em volta, tava falando sozinho, fim do mês, ah não,
alucinação outra vez não!

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Sob o sol e só

Rima dos rejeitados, 
quem sou eu? As aventuras
do desprezível apaixonado,
um sujeito sujo invisível, a barba 
por fazer, teimando em não crescer;
quem sou eu? Eu sou o desgosto no
rosto do rapaz escondido na roupa
de bicho em frente à loja de segunda,
eu sou o catador de lixo, o carinha de
paletó de porta em porta, o palhaço
melancolia esperando a torta na cara,
eu sou todos os desprovidos de carinho,
que sempre voltam pra casa sozinhos,
e à cada fim de festa, sorvetinho na testa,
as aventuras do desprezível apaixonado.
rima dos rejeitados, quem eu sou?
Soy un perdedor!

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Coração, vago vagão!



"Ói, ói o trem",
triste sem, quase 
fim de novembro, 
o expresso-tempo 
voa, e eu continuo
fazendo parte do clube 
de um só membro, perdoa 
pelos versos que escrevi no
teu muro, mas é que quase 
todo amante que se preza é 
assim, imaturo; quebro a cara
e o tempo não para, outra vez 
a lua e a vida continua, não
sei o que é, mas algum José
num-sei-do-quê aí diz que
encontrou um negocinho
chamado amor, outro dia
uma fulaninha também disse
que achou, eu tô parado na
avenida vendo os dias passarem,
quantos minutos fazem que você
me deixou? 

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Amores suburbanos


Arte da tarde, o céu de baunilha,
copo-de-leite, espero que aceite 
esta flor e a próxima canção de
amor no radinho de pilha do vizinho, 
sozinho, e sempre foi assim, me indagando 
por que vim à essa droga de festa onde quase 
todo mundo me detesta; a balada do superfraco 
com um brilho opaco no olhar, ajoelhado em estúpidas 
preces entre as prateleiras do supermercado porque ela
parece demais com essas pessoas legais que a gente só 
encontra em livros, ah, Deus, será que um dia eu me livro 
de mim? Os pés descalços no asfalto da ladeira, o adesivo 
colorido na geladeira, fiascos, quantos frascos de perfume 
barato, oh, infinito hiato, mas tá dedicado, e lá se vai mais
um ano desperdiçado em sonhos de amor suburbano.
 

sábado, 9 de novembro de 2013

O mundo ri do rei, o rei do mundo ri...

Beijos e bocejos, 
cama de gelo, o universo 
paralelo do pobre rei sem 
súditos à espera de cuidadosas 
mãos para lhe afagar o sono, 
a rosa rumorosa e o cão sem 
dono em mundos que não se
cruzam, cujas nuvens escuras
acusam ao menor calor do rubor
de rostos, 'té mesmo a  mínima 
proximidade de dedos, desgosto,
não há segredos nem novidades 
no previsível mundo do homem 
invisível com o coração partido, 
ser puro, qual o sentido? 
Quem se importa, quem se comove
se só chove no escuro atrás da porta 
onde meu amor se esconde, um "olá" 
da tristeza, "prazer em vê-lo", cama 
de gelo, beijos e bocejos...

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Foi



Lá vai o sol,
Wonderwall,
as peripécias de
um desafortunado,
oh solitária inércia,
quanta velocidade!
Vejo a cidade passar
por mim em stop motion,
quem me dera a paz da
simplicidade de um florista
e quanta gente já não faz
mais menção desse estúpido
cronista, é, vai que um dia
acontece e alguém não me
atravesse?! Invisível sob uma 
chuva fina de dezembro, lembro 
dos tempos que não fazia parte 
do cinema falado, um Chaplin 
de quinta categoria, mas tão vivo 
na alegria daquele retrato ao teu lado...

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Ei, cara, encara o mar!

Ei, cara, encara o mar!
O corpo manchado de tinta,
cento e trinta, um edifício de
tristeza por andar, e você poderia
estar caindo do topo, deslocado
por um soco da noite cruel, saudade
de aviõezinhos de papel, "Eu queria
dizer que te amo numa canção", uma
vitrola nas alturas fazendo a trilha
sonora das últimas amarguras antes
de chegar ao chão; a vida diante dos 
olhos, a doce lembrança da bicicleta
presa nas grades da biblioteca, as pobres
cartas escritas pra alguém que talvez nunca
venha, simpatia, a incessante busca por um
lugar que tenha, e mundos mais interessantes,
existir e insistir dói do mesmo jeito, fitei meu
inimigo espelho outra vez e vi que não era
assim tão velho, escolho estar subindo ao
invés de caindo, com esse corpo manchado
de tinta, cento e trinta, um edifíco de alegrias
por andar que emerge no meio do mar!

domingo, 3 de novembro de 2013

Meio minuto...

Desonra ao gênero,
trêmulos lábios de frágil
ingenuidade, sou aquele
menino feito de cristais
finos que se atira quase
todo dia da escada na falta
de novidades e por não ser
assim tão divertido, é baby, 
pois que fique então subtendido
o quão insignificante sou pra ti,
choramingo, sou declaradamente 
aquele estúpido inocente das noites
de sábado, um solitário otário na
manhã de domingo, o peito arde
em meus versos vãos, aviso: Não vão!
Meu funeral será segunda-feira à tarde.... 

sábado, 2 de novembro de 2013

Que tal se eu fosse o rei do quintal?

Nesse exato momento, lamentos...
há histórias chegando ao fim, assim
como tem gente feliz com recentes
segredos inocentes; mãos deram-se
pela primeira vez após um mês de
desencontros, colisão de mundos,
o lábio e o rosto, perfeito oposto
de mim e o "sim", o sorrir que não
me cabe, ao menos não por muito
tempo, volta e meia o mar pra se
estar só, um beijo, me vejo na praia
ao longe, numa espécie de realidade
alternativa e volto à sentir dó, mas
eu sei que o céu sobre a torre Eiffel
não se compara à minha visão por
detrás das folhas do "pé de pitanga"
e o varal do quintal, cá um rei arruinado
sobre os escombros de um coração em
assombros, marasmo, 'tadinho, e como
cantaram Roberto e Erasmo, "Sentado
à beira do caminho", e pelo visto, só me
resta lembrar que eu existo...

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Codinome: Sem nome!

 
Após ter escurecido, 
nossos ossos enfraquecidos,
um dia pra envelhecer, sem 
mais ninguém pra esquecer,
ei, foi há quase dez anos atrás 
que eu te escrevi e nunca mais 
te vi; lembrei do teu jeito de fazer 
me perder, até no  modo de prender 
o cabelo, da suavidade dos pêlos do 
teu  braço que faziam-me violar leis 
da gravidade, um rolé no espaço pelas 
avenidas de vênus, dez anos  depois, 
nós dois cada vez mais pequenos e 
encolhendo, ninguém nos escolhendo,
meu olhar cansado não te esquece, de 
tanto que voltei a VHS das minhas memórias 
de ti, especialmente naquele momento onde
disseste que não querias que findasse o encanto, 
de novo e de novo no mesmo canto, a princesa e 
o estorvo do mundo deitados lado a lado num 
estado de sono profundo, a noite me acusa, plágio 
de Cazuza, balbuciando ao teu ouvido "segredos 
de liquidificador", band-aid, anador, um sonho, 
suponho, um dia pra envelhecer junto, apesar dos
nossos ossos enfraquecidos após ter escurecido...

terça-feira, 29 de outubro de 2013

sábado, 26 de outubro de 2013

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Cult movie(Querida)





A graça dos teus movimentos
nos momentos mais desengonçados,
meu cult movie, meu chá de camomila,
as antigas lentes das minhas pupilas te
filmaram indo embora há cerca de uma
hora atrás, o ônibus se afastando, a melancolia
chegando mais perto quando me sinto menos
esperto, pega minha mão e me leva pra terra
dos "nãos" porque na Terra do Nunca a gente
voa e é feliz, penso no formato do teu nariz e
meus lábios tremem, Deus, como é linda tua
imperfeição, meu doce sonho sem previsão,
quantas rimas sofridas pra que um dia sejas
minha querida?

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

domingo, 20 de outubro de 2013

Desperdício...

Um parto, 
alguém parte,
domingo à tarde,
ah, quem dera estar 
deitado ao teu lado 
em alguma cratera 
desabitada da lua, 
após um passeio à 
sós pelas ruas vazias 
das minhas memórias 
de decepção, devaneio 
sem reação, tento, não 
quero, me desespero e 
me declaro teu, a tristeza
acena e olhos nus nunca 
verão, ofuscados pelo verão, 
cena de um filme mudo, tuda
muda, e de repente já não era 
mais sol no céu...

sábado, 19 de outubro de 2013

Ah, se eu pudesse...

Lodo nas paredes de gelo
e quadros das mais variadas
lembranças idiotas, um aviso
de "Não perturbe" na porta,
um iglu no fundo do mar, é lá 
que fui morar, desde que tua mão 
invisível atravessou e tomou forma
sólida dentro do meu peito, rasgando-me
os orgãos, me deixando um pouco mais
órfão! Dias sem interação social, a visão
de uma nau naufragada, e nada mais além
do silêncio da escuridão, imensidão, a luz
fraca do sol lá em cima, rimas de um eremita
submerso sendo perdido de vista, sem notícias
suas, sem visitas, não tenho muita certeza, acho
que tentaram me ligar de algum lugar, só que eu 
não estava lá, andei ocupado tentando dizimar
todos os vestígios do teu sorrir em mim, ainda
que sem sucesso, peço à Deus que me livre das 
tuas canduras, prometendo comer mais verduras, 
ser um bom menino, ouço um sino, uma campainha,
7:30 da manhã, tô meio rouco, acordei pra morrer
mais um pouco...

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Graça em nada!



Corpos tremeluzentes,
chuva de granizo de tantos
sorrisos, às vezes a alegria
alheia dói, sabe...
um borrão no desenho bonito
da noite, olha eu ali  no canto
sem mais encantos, uma gota
cinza no arco-íris ao partires,
bem como uma vez Tim Maia
cantou:" Ela partiu e nunca
mais voltou", mais tarde disse
em "Velho Camarada": "Mas
não ligue, ela vai voltar", e
eu não sei mais o que pensar,
eu num sei mais é de nada!
Ando pela cidade, pôrra, não
vejo novidades, o céu me traga
e estraga os pulmões do dia,
sou um cigarro de quinta categoria,
pisoteado pelo salto alto da dona
felicidade, amanheço, permaneço
aqui deitado porque não sei mais
o que faço, a vida é um parque de
diversões e eu acho tudo isso um saco!

domingo, 13 de outubro de 2013

Meu olho pro soco e tinta para os narizes felizes...

Tinta para os narizes felizes,
nesse exato instante me ponho
à perguntar o que eu faço aqui 
parado em frente à esse restaurante,
tolice, eu não pertenço à superfície,
meu lugar é ali no mar, onde as ondas
escondem meus sorrisos sem graça,
o tempo passa e eu admiro, mas prefiro 
estar aqui vendo a cidade de longe, envolto 
em nostalgias do quanto ali sonhei e nunca
tive, da última vez que te vi, do quanto vaguei
até que um dia entreguei os pontos, como heróis 
arruinados de tristes contos, há muito perdi o poder 
de voar e agora chorava nos pontos de ônibus e estações,
olha, lá vem o trem da melancolia de vagos vagões, certo
é que não me queres mais, tu o dizes, bem como meu olho 
é pro soco, assim é a tinta para os narizes felizes...

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Longe de mim

De volta à ilha 
após incontáveis 
dias à deriva, quase 
enlouquecendo no oceano
de  enganos, e mágoas pra 
deixar  nas águas do esquecimento; 
outra vez  tive o coração apto, mas 
pela força do hábito perdi novamente, 
e eis-me aqui rastejando pra qualquer 
lugar longe de gente, sumo sem rumo, 
desafortunadamente sempre reapareço 
onde o apreço é escasso, preciso urgentemente 
de uma semana no espaço, Extra! Ouça, moça:
Outra dona que esquece o par e abandona o barco
em plena tempestade do mar de edifícios da cidade, 
e flores  de  plástico pra mais um fim trágico de outro 
amor que desfalece...

sábado, 5 de outubro de 2013

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Memórias à furtar...

Perambulando pela calma dos bairros já silenciosos,
sou aquela sombra que some na esquina, enquanto a
ex-menina dos meus sonhos dorme, e sorrateiro, resolvi
entrar de mansinho na tua mente, na qual fui atualmente
despejado, então adentrei me sentindo indesejado, só pra
roubar os últimos vestígios de mim em ti; quero atear fogo
nas memórias que ainda restam desse menino descontente,
baby, eu não quero que você simplesmente me esqueça, nem
só desapareça, preciso desesperadamente do teu menosprezo
pra não me sentir mais preso, fim do mês, quero me repudies, 
que me odeies de vez!

terça-feira, 1 de outubro de 2013

De se acostumar...


O tempo passa e nada mais
de alegria dividida, dias, dívidas,
dúvidas e a vida perde a graça;
me perco numa chuva de asteróides,
teu sorrir bem longe daqui, tão alto
e tão escasso, vou caindo em poças
de melancolias nossas que se formam
nos buracos negros do asfalto no espaço,
vou aqui ensaiando esquecer o som da
tua voz, a mortal vontade de estar à sós
sob a claridade da lua refletida no teu
globo ocular, acho que vou chorar, acho
que já não me encaixo na caixinha de
música que tu tens no peito, volto pra
casa sem jeito, sem asas, a vida perde
a graça, o tempo passa e a gente se convence
que não vence...

domingo, 29 de setembro de 2013

Feio....

Ela não veio 
porque eu sou feio,
foi um choque contra
uma árvore de mármore
e passei meses desacordado
em meio à devaneios e delírios;
trilhava uma estrada coberta de
lírios, a visão de solidão de um
lugar onde sempre é fim-de-tarde,
mas lá cê era minha metade, bem
poderia suportar, nossos olhares
não se resistiam, de quilômetros,
milhares, o meu que te aprecia,
lá a vida parecia bem mais fácil,
há que não fosse esse somente o
mero prefácio e de volta ao fim,
sim, e até digo com receio, ela
não veio porque...eu sou feio.


 

sábado, 28 de setembro de 2013

Ao encontro do teu encanto

Um passeio por ruas desertas,
flores amarelas no cesto da bicicleta,
a triste lembrança do calabouço e uma
carta no bolso pra ela, eu tô assobiando, 
indo ao encontro do teu encanto; os seres
e os cereias, vejo gente sorrindo na cozinha
daquela casa humilde e ela me espera sozinha
no seu planetinha em formato de fruta, a barba
hirsuta, o paletó surrado pra caralho, sou um
velho feliz pedalando pela canção de Zé Ramalho,
um chão de giz com desenhos de criança e toda a
minha infância ali rabiscada, e a calçada se transforma
num mar de nuvens, com cisnes e flamingos, estava
quase chegando no canto do teu olho, mas me perdi
na chuva tórrida do teu entristecer, acordei era quase
amanhecer...de domingo.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O lamento do palhaço do palácio

Toda atenção
às belas vestes
de um rei sem coração,
todo o peso e desprezo
do reino ao bobo da corte
sem sorte, olhando a lua
com uma 3x4 tua no bolso
da minha blusa amarrotada, 
ridicularizado de risadas por
mais um dia, "ia", disseste bem,
mas não me deste permissão pra
ter razão, pisoteado pelo céu, eu,
plebeu de alma rota, um maltrapilho,
deixado por outra, à espera do fim 
por uma carruagem em alta velocidade
que me livre do mal que sou pra mim, 
amém!

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

sábado, 21 de setembro de 2013

Désolé...

Tão certo quanto o zelo
da flor é para o teu cabelo
assim é o bolo pro rosto deste
poeta tolo, uma tarde melancólica,
uma viagem insólita numa miniatura
de submarino amarelo no mar de lástimas
das tuas lágrimas, ó, meu bem, não nego,
navego, afundo-me em ti, e indago-me
por quantas vezes ainda haverei de ser
ninguém à quem fizer da vida um sentido, 
tu és tão bela, e eu tão fodido, eu sou um
palhaço enloquecido de ressentimentos,
por tantos sentimentos lindos rejeitados,
amor em pomares e mais de mil luares sem
você ao lado, um passeio pela avenida das
desolações, mendigando orações, um paletó
cafona, pedindo carona pra qualquer lugar
que não me faça lembrar, mas meu pobre peito
insiste que esse lugar não existe, baby, estou
envolto de idéias maléficas, sou o vilão mais
fofo da história de uma heroína, sinto tanta
falta da minha menina, mas desejo que não
tenhas festa alguma pra ir e juro que vou rir
se quebrares uma unha, me apavoro, choro,
reclamo, FODA-ME, eu te amo!

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Nunca!

Eu só queria pegar-te pela mão
e voar junto, mesmo que nos faltasse
assunto, mas é que meus pés há muito
estão plantados nesse chão de desgosto
e ainda que ao teu lado, não consigo ver
teu rosto, um lugar de apelos rejeitados,
à saber, a Terra do Nunca dos meus pesadelos,
onde eu só consigo ver tua nuca, um copo vazio, 
um dia frio fora de foco, e a sede deste miserável
perdido não é de água, nem tampouco algo palpável;
vivo a insanidade de uma vida de santidade, desafortunado
amante pela estrada sem pecados, sob uma chuva de papel picado,
má sorte em fases, olho o céu e vejo frases das cartas de amor que
não deu tempo te mostrar, desde aquele maldito mês de maio que
eu caio, quando ficamos sem assunto, justamente quando eu ia
pegar na tua mão, te convidar pra voar junto...

domingo, 15 de setembro de 2013

Vaias pro palhaço chamado fracasso!

"Todos os dias são como domingo"*,
tristemente cantou aquele menino
com um ramalhete de flores no bolso
traseiro do jeans, rumos, rimas e afins,
e eu sou aquela piada de mau gosto que
ninguém quer, implorando por um sorriso
sequer, sou o fantasma de agostos passados,
sou só mais um cravo despedaçado ao pé de
uma rosa rumorosa na janela, fazendo descaso
do apreço que tenho por ela, eis o abismo de
mim e estou à beira, eu sou um palhaço chamado
fracasso em plena segunda-feira, embriagado de
tristeza à tua porta, eu tô caído à tua espera com
a cara na torta...

*Morrissey - Everyday Is Like Sunday

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Melancolia injetável

Desculpa mãe, por ser tão distraído, e por estar caído nesse beco
sem saída da vida, me perdoa por estar à toa, me equilibrando na linha
do horizonte, onde o mar se esconde do olho humano, eu tô vagando e divagando sem plano de fuga, e à cada esquina novas rugas, eu tô envelhecendo por minuto,  o andar cada vez mais manso nessa incansável busca por uma nuvem de descanso sobre dias tão lindamente ensolarados, procuro o lado mais escuro do céu em plena luz do dia, depois da tua partida me tornei um filho dispensável, eu tô caindo da escada, eu tô usando melancolia injetável com uma seringa contaminada, talvez eu tenha uma overdose de tristeza, desfalecido no chão da incerteza, eu tô me equilibrando na linha divisória do asfalto movimentado sem pretensão alguma de chegar do outro lado, pode ser que eu morra para enfim ser encontrado, já que nasci pra ser deixado...

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Simples

O feio e a flor, 
encontraste um contraste,
a inocência daquelas pétalas
regadas e um coração de terras
áridas, a decadência de um velho
menino no meio do nada, daquelas
pessoas que não se sabe pra onde vão,
vagueia, anseia em vão tornar-se invisível
pra não ser mais visto na sua infeliz cidade,
a simplicidade da beleza imóvel, e um sorrir
à cada gota d'água, mágoas de um andarilho
à beira de trilhos inativos, uma estação de
trem abandonada chamada frustração, cujo
sentimento é um transporte de ressentimento,
uma bicicleta sem freio seguindo uma seta que
aponta para um precipício, bem,seja lá como for,
o feio e  a flor...
 

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Um final alternativo pro notável invisível...

Uma trajetória de tão poucos "sim"
e quase sem carinhos no caminho,
um notável invisível à beira do fim;
as imagens dos meus piores momentos
em câmera lenta, e as cenas aceleradas
nos melhores, familiares vozes falhas
dizendo-me coisas boas, identifico pelo
tom amável, encontrei todos os meus brinquedos
e revistas em quadrinhos que perdi na infância,
é um lugar de distância e nostalgia sem a luz do
dia, mas também não é noite, parece uma espécie
de período inventado, parece um sonho sonhado
por muita gente em tempos diferentes ao redor
do mundo, mas devem ter se passado uns cinco
à dez segundos depois que me deixaste, e então
choraste um mar de lágrimas corrosivas, me debato
em meus últimos instantes de vida, um ataque cardíaco
em um mar de amoníaco, foda-se, resolvi me salvar
em meus próprios versos, e faço tudo inverso, eu era
apenas um rapaz que atua no papel de um desafortunado
amante com muita saudade do teu coração, mas que na
verdade flutua num mar de maracujá no centro da tua atenção...

domingo, 8 de setembro de 2013

Rebobinar a fita do primeiro encontro(Talvez fazer certo dessa vez)

Ai, que ela, ah, aquelas maçãs do rosto,
e que desgosto é fingir não te ver com a
incontrolável vontade de te olhar dormir
pra sempre no lado mais calmo da cidade; 
nossa cena de filme, à cada vista todo mundo
some ao nosso redor, que é pra gente se sentir
um pouco mais só, ao invés desses miseráveis
olhos vermelhos, queria uma flor à mão pra pôr
no teu cabelo, queria uma caneta BIC encantada
de doze cores pra enfeitar tua atmosfera de dores
com rabiscos de todos os presentes que eu queria
lhe dar um dia, sei lá, muita coisa eu nunca vou
poder comprar, ao menos pra que soubesses das
minhas intenções de bem-querer, ao invés desse
semblante sem graça que te evita, queria rebobinar
a fita do nosso primeiro encontro, e talvez fazer
certo dessa vez, você e eu enchendo a cara de vida,
uma sombra de árvore dividida sob o sol da tarde
amarela, ai, que ela... 

sábado, 7 de setembro de 2013

À devanear...



À bordo do trem chamado devaneio
um bom passeio pelas paisagens dos
lugares que mais nos agradam; na janela
as imagens da minha mão na dela dão-me
uma baita vontade de chorar, ensinando-a
desenhar, colorindo o céu de papel com um
sol cor tangerina, a cabeça encostada no
peito da menina mais bonita do mundo por
alguns míseros segundos mágicos, sem previsão
de nada mais trágico, olhei a janela outra vez,
e pude ver o que a vida fez, ou toda cidade havia
crescido demais de repente, ou era a gente que
havia diminuído o tamanho, era agora um estranho
passeio pelo recheio de um reles biscoito esquecido
no sofá da sala, eu e você num minúsculo ônibus imaginário
viajando pela estrada que leva à tua varanda, cantamos
errado, caímos abraçados após dançar ciranda, vivemos
uma vida juntos nesse lindo chão de devanear, a lembrança
de quando te escolhi, e na tua ausência encolhi...

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Dias submersos no universo de versos tristes


Finda o ano
no fundo do oceano,
já passa da meia-noite,
olho o brilho opaco das luzes
distantes dos fogos de artifício
na superfície sem o menor saco,
fiz de um recife meu leito já que
fui desabrigado do teu peito por
tempo indeterminado; já há alguns
meses que não tenho falado com
ninguém, e no âmago do amargo
vazio deixei-me cair no mar bravio,
lembro, fui afundando, distanciando-me
daquele dia azul pra voltar à morrer no
mais profundo estado blue, meu mundo
submerso, imerso em versos tristes, assim
tão longe de tudo que de mais belo existe,
cercado pela feiura de débeis sentimentos
opostos à doçura que me era por direito,
primeiro de janeiro, coração refeito pela
oração de um imperfeito, posso ouvir novamente
as canções que te trazem à memória na minha
vitrolinha coberta de musgo, acho que vou voltar
lá pra cima, que meu amor por ti não afundou
com o ano que findou no oceano...

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

A invasão do foguete em forma de pincel atômico

Anteontem
eu sonhei com ela...
sentado numa janela
insólita em órbita no
espaço eu observava
a delicadeza dos teus 
traços, e a minha menina
ainda adormecida de tristeza
no universo do quarto cinza, 
a TV ligada sem som, os cenários, 
os desenhos na parede de tudo que
ela sonhava naquele momento, ali
no canto parecia eu, ah, devia não
ser, mas era uma lembrança tão doce
que eu só queria muito que fosse, queria
muito ter de volta teu canto, invadir aquele
canto descolorido do mundo à bordo do meu
foguete em forma de pincel atômico só pra
bombardear de simpatia aquele péssimo dia
irônico, mas antes de te salvar...eu acordo.
 

domingo, 1 de setembro de 2013

Tá, meu nome é Johnny...Depp!






Que tipo eu sou? Com que cara eu vou amanhecer? Quem eu vou ser daqui há um ano, e na mira de enganos e holofotes, será que assim trapaceia-se a dona morte? Já fui o malvado romântico das lágrimas com o cabelo na brilhantina*, em outra esquina da vida acordei tipo tímido, temendo a luz do dia, e mesmo com lâminas nas mãos*, declarado amante da escuridão; já fui órfão, mas também fui Grape de misérias expostas,  com o peso da terra sobre as costas em meio à uma família triste, um irmão menor problemático e uma mãe enormemente obesa*, quantas noites insones de luzes acesas, até que adormeci e esqueci novamente como eu era, também nem sei se inverno ou primavera, quando dei por mim, já era assim, esse adorável pirata sujo*, cujos dias contados levaram-me além do reino encantado de Alice*, e da fábrica dos doces*, ah, se fosse, ah, se terminasse assim, inocente, mas é que eu nasci pra um dia morrer diferente, até que um dia tornei-me um solitário barbeiro sanguinário*, a sombria dança do dia envolvendo-me de poesia e vingança, eu vim aqui pra matar, vim pra morrer de amores, rancores, cercado de estranhas emoções e combinações de cores, eu sou o sonho estranho de um qualquer, a deep dream called Depp...

*Reverências: 1-Cry Baby, 2- Edward Mãos de Tesoura, 3-Gilbert Grape - Aprendiz de Sonhador, 4- Piratas do Caribe, 5-Alice nos Páis das Maravilhas, 6-A Fantástica Fábrica de Chocolates, 7-Sweeney Todd -  O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet 

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Esporadicamente bem...

Ei, olá nascer do dia,
sou teu viajante clandestino,
um menino infeliz que desdiz
tudo sobre o lindo céu que me
cobre, mas é que o universo ao
meu redor às vezes pode ser um
tanto perverso nesse mau costume
de ver-me sempre sozinho com meu
velho caderninho de versos, eu tô
pegando carona outra vez em uma
vagarosa nuvem, divertindo a má sorte
com a alma em cortes, as paisagens em
movimento, um vagabundo à bordo do
vento, vendo-a a todo momento, por toda
parte do mundo; cara, eu tô numa bad trip
de alucinógenos causada pela tua falta,
e vai piorando, devo estar pirando, ontem
eu vi teu olhar refletido na guitarra do pôster
do Hendrix, Alanis é o caralho, falo e farejo
teu cheiro no encarte do disco da Janis, pôrra,
girl, quanta saudade do teu beijo, e mais uma
semana sem novidade, lá vem, lá vem nada, 
pois que venha então segunda-feira, e venha
num salto do mais alto prédio, espalhando o tédio
pela calçada, é, aquele ali sou eu vagando às cegas,
cá com meus óculos embaçados, de invernais olhos
nublados de tanto chorar...

sábado, 24 de agosto de 2013

Moça no céu de bijuterias

Sonhei que sentei à beira de uma nuvem
pra lhe ver pairar no céu alaranjado, com
bijuterias encantadas ao redor, dança da
inocência, sem saber o por quê da tua distância, 
longe o alcance do teu pulso, mas eu ouço o eco
do teu coração ligeiro e nuances de quem nunca
me viu antes; flutua à toa, voa enquanto atua e bem
disfarça o sorriso sem graça cada vez que passa diante
da minha nuvem, segue indiferente ao meu ingênuo
devaneio à seu respeito, nosso peito entrelaçado, e
outro sonho sonhado, aquela casa na árvore com balanço,
rabiscos de giz colorido na parede e muitos discos espalhados
pelo chão, simpatia como colchão, me pergunto o que eu te fiz,
não tenho resposta, só a plena certeza que não fui eu quem te
deixou assim tão feliz, sentei à beira do sonho, e chorei até que
evaporou e formou uma nuvem, lá fora choveu e eu acordei...

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Virgem(Teletema pra quem nunca deu as mão no cinema)

O vento sopra o som da melancolia,
teletema para um pobre rapaz que nunca
deu as mãos no cinema; fui desmascarado
em rede nacional, que eu era o tal virgem
de singulares afetos, sabe, às vezes eu me
sinto como um abandonado entre outros
fetos, não, eu nunca tive uma canção à mim
dedicada, e à cada término de dia sinto muita
falta de outra vez sentir-me mais esperto quando
ela teve por perto, eu nunca tive alguém pra ouvir
junto aquelas músicas de rádio que são peculiares
da madrugada, o silêncio do nada e tudo seria só nosso,
será que um dia eu posso? Anseio por suaves abraços após
pra nos fazer esquecer de finais trágicos, mas eu só tenho
essa caixinha de bombom com a minha vasta coleção de frustração, 
hasta la vista, quanta perda, una mierda, Deus, moçô, tenha dó, tão só,
já trepei, já fodi mas nunca fiz amor...

domingo, 18 de agosto de 2013

Psicodelia de um amante nordestino careta

Ah, a pôrra desse ãlcool
que rejeito por conta do teu beijo
que me inebria, a água fresca que
sacia a sede desse pobre peregrino
em caneca de alumínio, flutuei ao sol
no mar calmo da tua saliva, nossa rede,
máquina do tempo pra nos fazer esquecer
dos contratempos do nosso começo "torto",
um belo par, ela é a morte e eu, o morto,
de volta ao dia em que nos falamos pela
primeira vez, e se bem me lembro era manhã
de domingo, desconhecidos perdidos no mundo
da insensatez, no desespero de não ser infeliz
outro ano inteiro, outro ano em que se renova
nossa carteirinha de assíduos adeptos de sonhos
falsos de "Teveilusões", sem planos nem previsões
de melhoras, mas agora a gente só queria um pouco
daquilo, à saber, amor tranquilo...

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A menina mais bonita do mundo

No seu lugar... ela tem um sorriso discreto,
nem parece tão esperto, mas é pra lá de bonito
quando se abre que nem o sol saindo detrás de nuvens
de chumbo, o reflexo nas poças de um temporal que acabou
de desabar, assim é ela quando sorri, a menina mais bonita
do mundo...pra mim; ela fala pausadamente, meio sem graça,
e meu olho não disfarça o brilho ao fitar seus lindos lábios se
movendo, falando bobagem, e eu aqui, estúpido amante, esquecendo
do resto do mundo, a perfeita imagem celestial que eu vejo à cada dez
segundos nos buraquinhos da bochecha, e belas coisas bobas afins, 
ouvindo dela o que quer que seja, a minha alma beija a menina mais
bonita do mundo... pra mim.  Semana passada ouvi dizer que o dia mal,
com o dedo em riste,  chamou-a de tola, mas eu sei que ela só deixa pra
chorar antes de adormecer, queria muito ter estado lá, deitado ao lado, 
falar baixinho, uma música talvez, só que eu acho que ela me esqueceu
de vez, ah, vai que não, né, ah, sei lá, só sei que até hoje eu me apaixono
desde que pela primeira vez a vi, a menina mais bonita do mundo...pra mim...
no seu lugar.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Meninos não choravam(Contrariando The Cure)

Queria ter à mão
um ramalhete de flores
mas eu só tenho essas cores
das gotas de suor que escorrem
da testa e esse bilhete que improvisei
de um guardanapo de alguma festa que
não fui convidado, dois dias acordado, e
eis aqui o contraste do papel com o trapo
deste pobre traste, a barba por fazer, como se
tivesse nascido só pra ser vencido, e à cada
esquina da vida alguém pra esquecer, foda-se
se vai chover, mas peço perdão pela camisa
mal-passada, à espera na solidão da tua calçada, 
acho que adormeci, terias passado e eu não vi?
Foste embora? Por Deus, onde você mora agora?
A gente chove chorando na cidade porque já há
muito minha menininha some e consome meu peito
de saudade!

sábado, 10 de agosto de 2013

Distância nossa em quilômetros de canções de amor...



Entre cordas de violão
e prateleiras de biblioteca
um passeio de bicicleta, minha
mente percorre lugares bem
estranhos, onde vejo teu rosto
de todas as formas e tamanhos,
eu nunca ganho, eu nunca ganho!
Ah, como eu queria roubar esse
lindo azul de hoje, levar de volta
na minha máquina do tempo àquele
dia nublado, onde ingenuamente me
senti teu namorado, um conto de amor
que só durou um pobre encontro, trilha
sonora, penso em ti ouvindo Nara, morro
um pouco quando ouço Norah, longe, que
te sinto longe, e me ponho à perguntar a
que distância em canções de amor estamos... 

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O canto do prezado desprezível...






Ah, estrelas...
queria porque queria
tê-las só pra enfeitar
o céu da tua boca morena,
pena que me tenhas por mero
chão, pois já te fiz um colchão
de nuvens no meu jardim de apreço,
mas sequer tenho teu endereço, ouça, moça,
olhai pra esse pobre rapaz e as inconstâncias
que a tua distância trás, minh'alma agora
implora por descanso, ali sozinho sentado no
balanço do parque, quase vem o choro, mas
eu tenho um consolo, eu tô assobiando Buarque...

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Babiot Mãos de Lápis de Cor

Caderno de desenho, lugar de onde eu venho...
fui rabiscado por um criador entediado num dia
sem sol, que por alguma razão deu-me vida em
uma casa dividida com pessoas estranhas, de
comum desamor, mas eu tinha tinta na ponta dos
dedos, e mãos de lápis de cor, coloria tudo que tocava,
que nem o dia em que tocava aquela canção do Roberto,
foi quando pela primeira vez me vi de peito aberto, foi ali
que senti o quão belo e triste era amar sem ter com quem
compartilhar; passei à quebrar a cara em minha busca
solitária, tentei doçuras de pinturas afim de agradar amargos
olhos que só me davam desprezo, tentei cartas com letras coloridas
e até versos de palavras doloridas, claro era o pouco caso do mundo
com a minha ingenuidade de tolo amante, chorava em consoantes,
ininteligível e gotas cinzas, me auto-denominei lar de frustração,
e assim nascia a melancolia...nos meus últimos dias na terra a simpatia
ainda me erra algumas vezes, até me ver bem cansado de ser rejeitado,
caio em si e decido voltar pro único lugar onde poderiam me achar bonito,
aquele lugar de onde eu venho chamado caderno de desenho...

domingo, 4 de agosto de 2013

O blues da janela do bus...

Quem do lado
de fora prestou atenção
ao teu sofrido coração
na janela do ônibus,
que olhares do lado
de dentro me vêem sofrendo
com os pobres malabares do
meu peito feito em cacos pela
vida na avenida? Estranhos rostos
de vozes vorazes à postos nas passagens
das paisagens, um salto veloz pelo asfalto,
ai de nós, pois solta e só, a tristeza olha em
volta, e sempre volta à nossa casa, tempo...
tempo conta, contratempo, meia hora, quase
agora, e nada sobre ela, blues da janela do bus...

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Azul que vejo, beijos no azulejo


Minto se disser
que ainda não
sinto, ah, doces
lábios teus que vejo
quase todo fim de
noite refletidos no
azulejo, mas é com
pesar que venho à ti,
espelho meu confirmar-te
que já não tenho; meia-noite,
ar cálido, o rosto pálido do
menino que sente ali sentado
no chão do banheiro, em um
batente à beira do abismo de
silêncio profundo, um herói
falido às voltas com o coração
partido, há duas esquinas do
fim do mundo...

sábado, 27 de julho de 2013

"Biclaração"(Declaração de amor através da caneta bic)



Afim de que fiques, ei, psiu,
planejei um vôo secreto pelo
céu de papel anil à bordo de
uma caneta bic, solitário inverno
naquela folha de caderno pela metade,
a tarde rasgada ao meio, e até hoje
me pergunto por que cê veio, por que
diabos não inventastes um pretexto pra
que esse nosso pequeno drama nunca tivesse
existido, e por que raios tua boca traz-me a libido
de um vampiro, sede, insaciável sede; vede o quão
dispensável eu me sinto, olha a chuva do meus olhos
que molha meu interior e faz do meu peito úmido, ao
menos tenho por consolo o fato de não estares aqui
nesse momento, nesse frio quarto vazio, baby, o céu
da minha boca está nublado sem a tua, e não é à toa
que a borboleta atua, finge com o dia que tudo ao redor
ainda é primavera, ah, quem dera, mil dias atrás que te
vi antes da perda, grande merda, mas só pra constar...
te escrevi.