sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Combustão espontânea, bad total!



Sob luzes florescentes e ao som de
Frusciante, verdes vales do fim do
meu mundo, do pó à erva, por alguma
razão desconhecida consigo ver aquele
moço esquisito de rosto desfocado com
o celular de péssima resolução filmando
outro cara com a tarja nos olhos fumando
as cinzas da minha reles existência, o prazer
do uso de certa substância proibida com o
que restou da minha vida naquele papel fininho;
me vejo sendo tragado por carentes lábios inexperientes,
inalado por outros narizes infelizes, orgiam-me na
química de nostalgia, e naquela véspera de natal não
foi diferente, vi gente efusiva numa bad total sob o
efeito de mim, eu era sal na ferida de alguém, era
agora o desdém do lindo céu sobre pessoas tristes,
era tudo de desgostoso naquele dia chuvoso, eu vi
flores no meu crânio de ponta-cabeça em um estranho
pesadelo da utopia de sonhos nunca revelados, e de
profunda tristeza acordei no meio da madrugada com
a cama em chamas...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

O cabisbaixo


Ensolarada e desolada cidade,
muito o que se ver lá fora, perfeitos
pretextos para ignorar de forma sã
a futilidade pública dos show matinais
de tv, saiu pra caminhar com a  infeliz
alma nua, ajudou uma velhinha a atravessar
a rua, viu uma amarelinha e nuvens de giz
na calçada, música alta vinda das janelas
das favelas da vida, a farsa antiga da alegria
dividida, mas hoje ele não conseguiu achar
graça em nada; "Palma, palma, não priemos
cânico!", o tédio invade a tarde e o faz perder
a vontade de viver por bons dez minutos, sorrisos
pelo mundo simultaneamente se desmascaram e
as paredes cor de chumbo insistentemente o encaram,
foram quase 3 dias pra chegar 19 horas, o céu mui
limpo dessa noite à veranear em perfeição, aquele
marzão de estrelas à perder de vista num carpete azul
marinho ou numa imensa bandeira sem listras, o blues
do som da gaita, o vento fresco no rosto do desgosto,
não, ele não pertence aos da fanatismo nem tampouco
aos do ceticismo, encontros, reencontros pelos cantos,
os contos de fada, pôs uma fronha em uma pedra e
improvisou um travesseiro após um dia traiçoeiro porque
hoje especificamente o cara não viu graça em nada...

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Silhuetas



Madrugada, da janela do
décimo terceiro andar de
um dos prédios mais altos
da orla a visão de uma chuva
calma lá embaixo e um único
ser à vagar sob um verdadeiro
aguaceiro; não se sabe quem,
mas deu pra perceber que a silhueta
era de um homem, um tipo meio que
idoso perdido, meio que menino de
coração partido, e assim observava
a pessoa insone do apartamento, só
conseguia enxergar lamento, imaginava
alguém que acabara de ser deixado, mas
na verdade, na verdade o ser perambulante
era um pobre ambulante vendedor de sonhos
que descobrira na noite anterior que estava
apaixonado, e agora cantarola um sambinha
de Cartola, estragando seu melhor sapato
nas poças d'água sem mais mágoas, feliz
por deixar de mendigar atenções, esmolas
sentimentais e afins, e por conseguinte não
era mais um pedinte. Por um momento parou
e se entristeceu ao deparar-se com o único ser
naquela janela ali no topo do tédio, mas voltou
à se alegrar, lá embaixo  a vista era turva, achava
que era chuva, mas era apenas um choro bom de
um renovado olhar...

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Eu nunca tive, eu nunca estive


Atravessando outra vez aquele velho vale
e sem previsão de cura, seguia a fileira de
árvores da calçada escura, e foi quando
me deparei com um amigo tipo bom ouvinte
e tal, e em meio ao dia mal senti-me confortável
pra desabafar antes de desabar no desfalecer do
meu esquecimento notável...ei, cara, não repara
se eu for sumindo enquanto vou falando, não seria
mera coincidência, bem, tudo começou com um
negocinho infeliz chamado "adolescência", eu era
daqueles anônimos da escola cheio de receios,
desenhando no fundo da sala de aula na hora do
recreio, o vazio do meu bolso sempre foi de grande
influência em tantos olhares que de mim desviaram
as atenções, mas ainda assim assobiando do nada,
ah, como era engraçada a minha vida dispensável,
me chame de medícore, me chame de otário, eu
nunca desejei amores extraordinários daqueles
pra me fazer querer morrer, eu só queria alguém
para se mostrar pra lua, um pequeniquezinho
improvisado, uma simplória relação a dois seria
uma puta história, se ela quisesse eu estaria na
rua dela em no máximo 40 minutos na minha
bicicleta à jato movida à frustração, ainda não
a conheço, mas desconfio que ela já está me
deixando, escrevi uma poesia genérica, sei lá,
talvez ela goste, juro, eu não estava bêbado, só
distraído quando esbarrei nesse fiel amigo confidente,
o poste...

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Passageiro...




Noite de domingo, em alguma a.m. toca Carpenters,
as luzes da cidade passam por nós na velocidade de
violentos ventos, estamos há poucos minutos de uma
nova segunda-feira após uma semana inteira desperdiçada,
outra vez fracassamos, e apesar do penar, nada; ah vá, que
seja, veja o rapaz de all star surrado com um canto triste sussurrado
nos lábios, quase adormecido como esquecido nas entranhas de
um estranho peixe sem guelras e com janelas, nuvem, tristonha
nuvem feito cama onde o drama sonha com as covas daquele
rosto macio à se distanciar, mesmo tendo deixando tão à mostra
o quanto gostas, era o último cara no último ônibus do final de
semana sem ter pra onde nem com quem ir, pensou ser o primeiro,
coitado, pobre e reles passageiro, não, não pode, a graça com que
a tristeza nos fode, mas ao longe o antigo amigo mar se revoltou,  
Ela partiu e nunca mais voltou

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Mas assim...ficaremos bem? Não? Então tá.




Naquela parte da praça, olhandoo as crianças brincando
no escorregador um jardineiro triste sorri sem graça com seu
fiel confidente, o regador, e enquanto isso, no alto-falante do
carrinho de sorvete próximo ao parquinho toca "O Barquinho"; 
nesse exato momento alguém especial foi achado, ao passo que 
outro qualquer foi deixado, bilhetinhos para se guardar pelo resto 
da vida, quilométricas cartas de despedida, em alguma parte da cidade
o início, em alguma parte da cidade alguém parte, em alguma vitrola toca 
Vinicius. Do mar eu vejo o avião que na tela se minimiza, da janela a moça
vai sumindo, o menino na água se inferioriza, e aos que tiveram mais sorte 
que nós nas separações das relações, o nosso apelo:" Perdemos, mas enquanto 
pudemos, tivemos zelo.", uma pena, elas continuam querendo cada vez mais perto 
aqueles tipos super espertos vugo traiçoeiros, universo conspira, primeiro de abril, 
um coração enfim se abriu pra mim...MEN-TI-RA!

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Mas é que eu meio que me odeio

Oi, meu nome é dispensável,
inalcansável aos meus lábios é a pele
macia e sem cortes da sorte que não
beijo, há quanto tempo não te vejo e
talvez nunca volte à revê-la; meu rosto
conformado na 3x4 da identidade revela
minha momentânea tristeza incontida na
cidade litorânea, onde as pessoas supernormais
me olham estranho por conta desse meu lance de
pouca interatividade, e pela subversão das minhas
atividades "caretas" de diversão, "Lá vem o louco
e sua namorada bicicleta!", zombam os de coluna
ereta do romance de metal desse suposto débil mental,
como muita gente por aí também pensei ter amigos, e
quase nunca consigo, nem sei por que eu fui dizer "olá"
àquela bela moça na qual julguei gentil, sem quer, querendo
ela mudou a vida de direção e fingiu que não me viu...

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Ela disse assim


Quase fim de ano, um recife bem no meio do oceano,
onde aquele menino que escreve têm vivido com febre
nos últimos três meses, consequência do pouco entusiasmo
que moça às vezes têm empregado na leitura de seus versos
feitos em papel impermeável, olha lá o miserável esmorecido
de carência! Do seu esconderijo submerso ele a viu bater a
porta de um fusca feito de nuvens e berrar: "Avante!",  não
deu pra ver quem estava no volante, mas pela arrancada após
a gargalhada de certo era alguém satisfeito em vê-lo sozinho
e se distanciando no reflexo do retrovisor, ali parado à beira
de um asfalto imaginário com cara de otário lembrou de ter
achado graça naquela noite de domingo, quando ela sussurrou
sonolenta, assim, quase, quase dormindo:"Jamais irei à Marte!",
agora chorara ao entender finalmente que ela quis mesmo dizer foi:
"Jamais irei amar-te!"

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Decrescente


Às aves e às árvores, atenciosamente...
sincero azul do céu contra o desespero
por trás dos sorrisos amarelos, e tudo
aquilo que chamar pretenciosamente de
"seu", o sol, o sal do mar na pele que
agora fere, cara, eu tava tão bem sozinho,
aquele violãozinho lento, e o vento violento
do acaso subitamente pôs abaixo a casa de
amor erguida na paz da minha mente; entre
danças e andanças de solidão estava enfim
à me acostumar, ah, cê nem imagina o quanto
demorou, só que desmoronou com um fiozinho
de eco familiar da voz dela naquela noite infeliz
de insônia, meu reino por um punhado de astúcia,
mas não adianta, lá vou eu tentar esquecer outra vez,
acordei indisposto, de volta à agosto, de volta à angústia...

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Singelo videoclipe de um romance suburbano


Conto de um canto da parede de lodo,
ameno sem alguém do lado, confesso,
bem menos temperamental com o passar
do anos, trancado do lado de fora em pleno
temporal;  há muito perdi a chave do meu amor
próprio, logo eu que achava que essa noite não
choveria saí bruscamente em  busca de uma sorveteria
mágica com preços módicos, jamais imaginaria que encontraria 
abrigada na banca de jornais da esquina a menina mais bonita dos
sonhos mais cândidos da minha vida, entre dívidas e dúvidas, nós
dois a sós ignorando a água da calçada que o último ônibus do sábado
nos agraciou, sim, éramos sim como uma miragem de um quase casal
perfeito, pôrra, que merda esse termo "perfeito", falando bobagem à
espera do fim de um aguaceiro interminável que terminou com odor de
água-de-cheiro em um singelo videoclipe, um porre de chocolate quente
pra gente, filminho, cobertor e gripe...

terça-feira, 23 de setembro de 2014

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

A serenata do vagabundo



Alcólica solidão, bebi demais,
melancólica melodia dos olhos
daquele que de pronto aceita a
quem o rejeita e a covardia dos
que só lembrarão de nós após suas
próprias perdas; ó minha cara, me
encara de forma singela e escancara
as janelas do teu peito, que esse é o
tão esperado canto de despedida, era
uma vez um desenho mal feito sob medida
para inflar-te o ego, ingrata amada, não
nego, nada sou além de seu, à toa assim
de boa, tá bem, tá bem, me sinto só e muita
dó de mim, mas quando penso o quão hilário
pode ser o número de pessoas que chamam
Deus de "otário" todo santo dia, estranhamente
me alivia sendo perfeito sinônimo de anônimo em
meus sonhos platônicos de quintal, madrugada,
1:20, chuva fina em céu de conta-gotas sobre este
vira-lata, ei, você, amada ingrata, o gato mia, boemia
e tal...

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Estranhos prazeres


Olá, escuridão, se puder
não me solta, olho em volta,
azul de imensidão, olho em volta,
hora e meia, preciso urgentemente
de uma torta pra deixar cair minha
cara feia; de sorrisos e efusivas alegrias,
alergia, essa noite eu quero ausência de
som e luz, ânimo, esqueci onde pus desde
ontem, assim cambaleante, chutando uma
caixinha de leite vazia com retrato estampado
do meu sentimento desaparecido, entediado,
doente e perdido, vomitei há pouco os últimos
vestígios de ti em mim, e desfaleci na areia da
praia cantarolando  "Azul da com do mar" do
Tim Maia, ninguém mais em  minha mente, deixei
teus pertences naquele lugar afim de te apagar da
memória totalmente, urbanamente banal é esse meu
raro amor expresso na falta que a tua chave faz no meu
chaveiro, oh, mon dieu, no desamparo eu chupo minha
laranjinha  no chuveiro, Amélie atira pedras no canal...

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Tatuado tranquilo

Jeito de vadio com um estranho vazio
no peito, pesadelo de quem muito tentou
e nunca pode esquecê-lo, o cara é péssimo
mas gosta de sinuca, tempão que não vê sua
menininha, pois ela está tatuada em sua nuca,
receios, devaneios, silenciosamente grita enquanto
sonha, detesta festa e birita, adora maconha, talvez
seja o sonho ambulante de alguém que ainda o conhecerá,
talvez, quiçá, sei lá, será? "Cão, marginal!", bradou o perverso
hipócrita que sequer leu algum de seus versos, nunca saberá o
que é ter uma relação com o mar, lhe ferem a alma à espera de
uma reação, segue só, grato por demais ao sol, seu calor não é
comercial, não combina com refrigerante, sabe que um dia o acaso
convencerá a sorte à propor-lhe relacionamento e há de ser naquele
momento da calma resposta de sorriso brando: "No thanks, não caso..."

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Incansáveis e Inalcansáveis

Adormeceu, será que morreu?
Cai, cai, primavera, a saudade
é solitária e bela como as folhas
amarelas espalhadas no asfalto
úmido da cidade semi-invernal,
eu, você e um chocolate quente,
mas acabou o nescau, e agora eu
só lhe tenho na mente; você é ninguém,
e eu sou nenhum, há bastante em comum
na garota e sua vida vazia de quarto e a
garoa de uma manhã triste em São Paulo,
um grito histérico de uma janela no antepenúltimo
andar de um arranha-céu: "Chega de amor genérico!",
fodam-se as contra-indicações,  não é  frescura, eu
 ainda creio que pra mim há cura, eu sou um hipocondríaco
com estranhas palpitações no peito me declarando sem
jeito no teu interfone, me perdoa, esqueci meu nome, andam
dizendo por aí que morreu, mas eu ainda tenho fé o nosso amor
apenas adoeceu...

sábado, 16 de agosto de 2014

Fundo musical melancólico(Ter e não morrer disso)


Oreo e orégano,
sabor de passado, atualmente,
mais um "nocaute", e em sua
desilusão a pobre moça com
a cara na pizza novamente se
emtregou àquele  porre de chocolate;
lábios que beijam o retrato de quem
há muito deixou de ser, a monotonia
de um dia ter que crescer e aprender
a esquecer o que se tornou abstrato, fato,
incontáveis fotos antigas empilhadas nos arquivos
empoeirados das memórias de gente com bem mais
sorte que nós, cada vez mais seu e cada vez mais só,
à beira de um lago cristalino tive sede, vede, de estrelas
uma ciranda, o céu limpo  e a rede na varanda, minha máquina
do tempo pra voltar toda noite à cena do crime, quando você
ainda sabia quem eu era, era uma vez primavera, era uma vez
minha vez, e em minha insônia meu olho sonha com a tua volta
às 4:15 da manhã, me encara o teto, diz que eu não tnem cura,
me acusa de falta de manha,  e a pôrra desta melancolia que não
me solta!


segunda-feira, 11 de agosto de 2014

A musa confusa e o menino com a máscara de gorila...

Pedalando sobre fios telefônicos,
passando pelos poros das ruas tranquilas
da tua pele, longe da estrada dos "se's"
à procura do caminho mais seguro pro
fim do arco-íris, sonho do menino com
a máscara de gorila, seguia em linha reta
em sua velha bicicleta, pois a cada esquina
que surgia  em sua rotina, ao dobrar, voltava
em algum lugar do tempo onde ela possivelmente
poderia ter estado ao lado, mas não...cora-coração,
eu vi a musa confusa sentada sozinha à beira do abismo
da montanha feita de açúcar sob uma espessa chuva
de limonada, chorava sem poder fazer nada, vendo seu
explícito admirador fugindo em alta ansiedade, sendo
perseguido pelo passado em alta velocidade, e eram as
 memórias dela as que mais o maltratavam 'té que foi
alcançado e desmascardo pelo platônico amor ingrato,
ah, aquele menino com a máscara de gorila, certinho e
fala gíria, estava cabisbaixo quando todos foram surpreendidos
ao verem que enbaixo do disfarce ele era só um mísero gato...

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Baby, eu não pretendo partir amanhã, mas se eu faltar ao nosso encontro...foi mal.






Quantos vagões haveremos de esperar
passar até que o trem chegue ao fim, e assim
possamos cruzar os trilhos pra nos encontrar,
dia branco, mar de leite com sucrilhos, ah, doce
e desbotado oceano visto da janela do ônibus,
mais dois à flutuar em lados opostos da tigela,
tanto tempo concordando à distância em nossa
descrença de nunca poder ser sonho de ninguém,
baby, poderias imaginar há quantos anos atrás nós
marcamos e até hoje não conseguimos oficializar
pessoalmente o nosso encontro, além das nossas
preces de fins de noite, como o pessoal mente, como
o pessoal esquece!

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Alguém em algum lugar


Planos para um fim-de-semana em marte,
planos que ingenuamente pensei, mas nunca
fiz parte, planos; sob um céu de solidão, essa
noite eu sou apenas um parque entregue ao
abandono da escuridão, assim mas tão triste
e feio que hoje ninguém veio à mim, empoeirado
e cheio de folhas amareladas nos bancos, uma
floresta em uma tv em preto e branco, estou
absurdamente sem graça, qualquer esboço de
sorriso não passaria de mera farsa, eis a questão:
Quem nessa cidade essa noite me fará uma cortesia
de simpatia em minha necessidade, quem?
Tua doce voz me guiou pra fora de Oz e ao chegar
em casa, antes de pegar no sono, uma breve oração
ao deitar:: Deus, ajude o pobre moço, Deus, não
castigue a bela moça que deixou o pobre moço,
fala isso pra ela, que mesmo sem tê-la, toda vez
que passo de bicicleta em meus passeios noturnos,
tipo, naquela rua mais escura, ao tirar os óculos pra
melhor ver as estrelas, nesse nosso etterno desencontro,
no quebra-cabeça é teu rosto que monto, lembra daquela
tigela de arroz doce com chá gelado que te trouxe? Os dias
supervazios, os lugares ermos por onde vaguei nesse último
ano, saiba, te levei também....amém.

sábado, 2 de agosto de 2014

Sorvete-catástrofe


Sexta-feira, vários corações mortos
nas trincheiras das desatenções, meu olho
se comove e chove pelo mito do dia favorito,
todavia esquece que nada de especial acontece,
semana após semana aguarda anciosamente o regresso
da moça que silenciosamente relê a antiga carta deste miserável
remetente, mas sempre finjo que parto, uma galáxia inteira no vazio
do teu quarto, chora um pouco, recompõe-se e segue à passos
falhos, um dia quente pra caralho, um incômodo sol de som bem
alto, e o amor da minha vida em algum abraço duvidoso se diverte
enquanto o cheiro doce do maracujá com limão se espalha pelo chão,
agora sábado, meu sorvete derrete no asfalto...

sábado, 26 de julho de 2014

Frustração, maresia e sal na barba...


Alguns fios brancos de uma espessa
e desleixada barba, um vazio  que nunca
acaba,  e sendo franco, frágil após outro
naufrágio, devaneiosà deriva, minha vida
é um péssimo filme sobre um pobre pirata
que deixou o amor próprio de lado pra ser
saqueado em terra firme, perdi meu entusiasmo
em um navio tragado pelo mar bravio da expectativa
e agora sem alternativa sobrevivo na minúscula ilha
chamada marasmo; através da luneta eu vi gente de
um estranho planeta onde a beleza interior impera
e os sorrisos forçados superabundam,  as águas da
razão inundam meu bote de ilusão em pleno feriado,
olha só aquele cara com asas que sempre tem pra onde
ir no final da noite, ah, oposto e todos os meus amores
sem rosto, bem, quanto à mim resta-me voltar pra casa
sozinho pra ver seriados de tevê, te ver? Nunca mais te
vi, esqueceste à mim,  oui, c'est la vie...

terça-feira, 22 de julho de 2014

Silenciosamente....


Não é tédio, é apenas silêncio...
ainda não possuo tal sabedoria
nem paciência suficiente pra entender,
disse à alguns dos meus melhores amigos
imaginários antes de mencionar você pela
terceira vez no dia; estou triste e indisposto
sob ares de agosto, acordei quase agora, e
o sol lá fora tá foda, e sem nenhuma previsão
de um possível reeencontro nesse meu conto
infeliz intitulado "Canto de espera", quem dera
pudesses ouvir meus invisíveis confidentes, sobre
tudo aquilo que queria ter feito e lugares ermos
por onde andei tão só, tamanho o desejo de tê-la
ali comigo, algum abrigo improvisado em um fim
de tarde chuvoso, um desvio de percurso, um "abraço-
de-urso" entre prateleiras de um supermercado qualquer
após às 22 horas, belo, ingenuamente belo, tipo aquela
antiga canção de iê-iê-iê:"Eu quero segurar tua mão"*,
escrever até que possa melhor compreender silêncios
porque eu não me canso de estar entediado, parar de
achar graça das coisas que na verdade não acho engraçado
e por fim, aprender, sobretudo à te esperar calado...



*The Beatles - I Want to Hold Your Hand



quarta-feira, 16 de julho de 2014

Um dia desses


Há de lembrar...
"Fracasso", disse a noite sobre
meu quase escasso e doce jeito
de gostar, e o mundo dizia de nós:
"Medíocres", não ainda cegos no
sentimento mas míopes, a singeleza
de um amor que começou com o empréstimo
de uma caixinha de lápis de cor, o leve toque
de indicadores, tudo era simples, simplesmente
bonitinho, o suor frio da mão na minha, tua carinha
sorrindo, lindo, a porta entreaberta da redescoberta,
algo novo de novo, supostamente "quase lá" e a falsa
sensação de enfim te achar, o relógio conspira enquanto
o tempo gira, parecia que seria desta vez, mas novamente
era mentira; os dias passam, viram meses, e às vezes volto
à sentir o agricode da frustração que foi não poder lhe ter
naquele ano, o engano será engananado, espertos serão
trapaceados, ah, e sobre mim em relação à ti? Lembrarás...

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Sabe-se lá, vai que não, né


Manhã chuvosa, 
senti um cheiro bom
de flores e torta de maçã, 
despertei, desenhei  uma porta 
no ar afim de dar passagem para um 
dia lindamente ensolarado, atravessei  
o mau tempo sem ninguém ao lado, nem 
ao menos pra poder compartilhar da minha 
fértil imaginação, resolvi ignorar a palavra 
"coração" do meu vocabulário mental, 'sacumé',
otário e tal, disse a sorte sobre mim com um certo 
cinismo nos lábios há alguns atrás e nunca mais voltou. 
Ah, esses dias primaveris tão bonitos onde tanto quis te 
encontrar, mas estava escrito que não seria possível, após 
me declarar invisível e tanta ansiedade assumi minha dócil 
insanidade pra viver um grande amor, solidão, etc., sei lá, 
será que um dia nos salvaremos da escuridão?

segunda-feira, 7 de julho de 2014

De vez em quando dezessete...

Oh, medo que nunca venço,
e no final apenas me convenço
de fazer uso do bom senso pra
poder voltar outra vez ao marco
zero, mas já nem me desespero
mais;  por quantas vezes ainda
hei de voltar àqueles dias em que
quase fui feliz cada vez que faço
menção de ti pra alguém, mesmo
não me fazendo bem, bem diferente
de antes, a cada nova notícia teus
sinais estão mais e mais distantes,
miserável lembrança que de certo
te enfadas, e o mal que te fiz foi um
buquê de rosas furtadas, um andarilho
maltrapilho, um filho sem mãe perdido
pela noite da cidade com um único pedido:
reciprocidade! Mas é que comigo sempre
foi assim, gostando e me gastando mais aonde
não tive preço e pus apreço, e o avião cruzou
meu campo de visão quando olhava a lua,
esperando ansiosamente enfim te encontrar,
e no lugar e hora marcada eu disse que era
teu e você nada prometeu, tua, muita falta
tua, qual nada, qual o quê, à você somente
pétalas de "bem-me-quer", e me disseste:"Não
há de quê..."

terça-feira, 1 de julho de 2014

Anteontem


Eu sou o findar do dia,
o fim do arco-íris refletido
num olhar infeliz, a folha seca
à flutuar, a página do gibi esquecidamente
encharcada na poça d'água da chuva da
noite passada, eu sou a mágoa que restou
no bilhetinho de despedida atirado lá do
alto do viaduto da avenida, eu sou a incerteza,
eu sou o término, eu sou aquela toallha de mesa
que virou um terno cafona, eu nada tenho e a tristeza
é minha dona, eu sou o quarto abandonado após a orgia,
eu sou o raro amor do menino desprezado hey, olá, meu
nome é nostalgia...

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Trocando uma idéia com a rejeição...


Eu disse à ela,
minha última relação foi
um super ménage de solidão,
a boemia das ruas vazias, as canções
tristes no rolé de bike e a menina dos
meus sonhos que ainda não existe;
eu disse à ela, desprovido sou daquelas
sutis superficialidades que toda moça
adora, please, não olhe agora, sofri outra
queda, a ingenuidade do meu quase puro
amor é mesmo uma merda, o raio que o
parta com as minhas miseráveis cartas, tenho
trocentas frases ensaiadas caso um dia a encontre
e o dobro de flechas de sentimentos mal sucedidos
atiradas no peito por aquele velho estúpido cupido
em dias que julgava "bons", eu disse à ela em um tom
mais baixo que eu não me acho assim tão importante,
todos os meus ex-amores estão em outros braços no
mesmo instante em que me vi sem graça, falando sozinho
no divã imaginário do banquinho da praça...

sábado, 21 de junho de 2014

Solidão de letra, nem sempre se tira a.




O murmurar das águas,
continuo não compreendendo
o mar, cá estou há quase...vinte minutos,
nunca fui astuto, confesso, um dia fui atingido 
por "raios repulsivos" da invisível tormenta e 
agora quase ninguém me aguenta, não, não é uma
doença de pele, é uma espécie de febre que fere alegres 
almas, eu sou a calma, eu sou um torto matando tempo 
vagando pelo mundo, eu tô sendo morto pelo divagar dos 
segundos, claustrofóbico no pequeno quarto do tédio, um
catastrófico amante com uma vasta coleção de instantes
teus como livros desorganizados nas estantes da minha
biblioteca inativa de memórias, eu sou o alvo mas ainda
não fui alvejado pela insanidade, é só solidão sem solidariedade
em minha direção, sozinho num dia de lazer, ei, moça, eu sei que
da tua parte não é "muito prazer", tá tudo errado ao meu redor,
ei, céu azul, tenha dó, meu reino por um novo amor no feriado...

sábado, 14 de junho de 2014

Em alguma parte da cidade...



Em alguma parte da cidade
ela sorri entre estranhos enquanto
um tolo ignora rumores e tem por
consolo dedicar-te amores sem
tamanho; em alguma parte da cidade
mentiras encantadoras ao teu ouvido
enquanto o desenho colorido do teu rosto
desliza calmamente da minha impressora,
já é bem tarde, na tua boca um beijo, na minha
um bocejo, em alguma parte da cidade alguém
te come e some, e sob o consentimento do céu outro
alguém te carrega na memória mesmo sem ter teus
sentimentos,  sexta-feira sem estrelas, o brilho opaco
da lua, um herói falido sobrevoa tua rua, a visão panorâmica
de você outra vez voltando pra casa sozinha, prefere assim
à um dia pensar em ser minha, em alguma parte da cidade,
saudade....

quarta-feira, 11 de junho de 2014

O vadio e o vazio








Vagabundo esquecido
vagando pelo mundo
escurecido, já nem importa
quantos graus e quantos degraus
até alcançar o teto da noite; assim
meio solitário, meio míope, é que
as lentes dos óculos de certo atrapalham,
ah, a visão perfeita desse céu estrelado de
hoje sobre mim cairia bem melhor à olhos
nus então eu vim sem...ouça, moça de frágeis
lábios castos que há muito mora em minhas
memórias, tudo culpa tua desde o dia que me
confundi, uma fatia da lua, um fondue, reconheço,
me fodi, fiz uma pausa na caminhada em algum
ponto da estrada onde não pudesse ser encontrado,
ando meio cansado, tô numa de desapego, mas não
nego, ainda encantado...

sábado, 7 de junho de 2014

Lia...






Lia tem 4 anos,
eu tenho 33...lia 
e relia que nem
aquela história em 
quadrinhos favorita, 
me chama de "feio",
eu digo que ela é linda 
que me irrita, Lia...nasceu 
imperfeita, uma espécie de 
paralisia, super Lia, supera-se
à cada dia, andava, cambaleava
e caía, já consegue correr, canta, 
dança e faz careta, uma silhueta 
de fraldinha e chupeta, cabelos amarelos
de pudim, me apaixonei assim que vi; Lia, 
um anjo à passeio pelos calçamentos da 
periferia, preferia voar, ah, quem sabe um 
dia, né. O mundo gira, o universo conspira, 
algumas tristezas na minha vida, algumas 
rejeições na vida de Lia, alguns desprezos, 
mas a luz dos seus olhos acesos ilumina corações
de noite constante, cativa em questão de instantes 
como sempre fez, mês passado Lia completou trinta 
e três, hoje eu tô velhinho, tenho quase quatro anos 
outra vez...

sábado, 31 de maio de 2014

Desencantos, desencontros....


Ponto de ônibus, quase onze,
que falta faz, onde andarás?
Sorriso amarelo e sem graça da lua, 
disfarça a noite, atua há milhares de 
dias de ausência tua, estranhos rostos, 
vazios familiares, por trás de toda astúcia, 
angústia, meninos que nem eu são apenas 
invisíveis ante moças espertamente insensíveis, 
desencantos desencontros, ah, como eu gostaria 
de saber que no próximo ano te reencontro, continuo
sonhando com algo simples, simplesmente sem enganos, 
sabe, chega à ser uma necessidade, só pra constar, todo 
dia penso em ti, o que nessa cidade te faz lembrar de mim? 
E assim devaneio com meus fones à espera do bus, amantes 
adeptos da ciência da transparência, meu peito geme encostado
no teu ao som da Tempo FM, How Deep Is Your Love, Bee Gees, 
Marisa Monte, Bem Que Se Quis...

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Eu queria ter uma filha chamada chuva...


Ah, se fosse a vontade do rei!
Orei, chorei 'té que um dia encontrei
um sorriso doce...tão bonita timidez
que arrancou várias coisas de mim
de uma só vez e ainda faz-me perder
demais, mas pra ser exato nem sou tão 
chato assim; ah, armadilhas e meros laços 
de embaraço para que eu não me movesse 
mesmo que chovesse, anos à fio de mágoas 
da sorte que ignorava a minha existência, sei lá, 
vai que possa vir de uma poça d'água, uma pequena 
parcela do temporal, um poeta e sua dor, impossível 
como o amor, o fruto da união entre a carne e o metal, 
meu infinito apreço pela minha bicicleta, eu vi, eu juro 
que vi olhos gentis através da minha janela entreaberta,
olhei até a visão ficar turva, sonhei que eu tinha uma filha 
chamada chuva...

terça-feira, 20 de maio de 2014

Mãos ocupadas







Estrelas marinhas  
espalhadas pelo céu 
de um mundo inverso,
negro mar suspenso de 
pequenas nuvens feito 
espuma, plumas pelo ar 
rarefeito, travesseiro traiçoeiro,
um  mal confidente desertor deste 
rapaz solitário, tá tudo ao contrário 
e a gente no meio disso tudo; fevereiro 
de desamores, ainda sinto o cheiro das
tuas cores, ainda ouço o som da tua respiração 
ofegante nos instantes que precederam teu "não", 
vez por outra me pego contornando o formato arredondado
do teu rosto em segredo com a ponta dos dedos, tateando tua 
ausência com infantil carência, mãos bobas, mãos nos bolsos,
tolos à vagar, oh, quantas noites belas assim sem mãos para entrelaçar?

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Ares de lares...








Dia quente, casa fria,
o estranho sentimento
insiste num sexo triste,
mas ao invés de ambos
um dentro do outro, apenas
através; universo paralelo em
singelos versos para fazer a
menina sorrir, um céu em preto
e branco na cartolina prontinho
pra colorir, mas eis que Deus se
comove e chove...temporal...
lava as ruas da cidade e nossas
almas nuas em cumplicidade, leva
tuas incertezas ao meu respeito em
violentas correntezas e afim de ouvir
teu palpitar encosto o ouvido no teu
peito, enrosco nosso bem-querer e lá
se vai o vazio com a visão mais linda
de simplicidade, à saber, lábios teus
que não adornas, dia frio, casa morna...

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Diamantes dentro do demente amante...


Diamante...
apreços superficiais e sorrisos
de paraísos artificiais contra o
demente amante, escassez de
simplicidade desse lado da cidade
onde fui internado, um sanatório a
céu aberto com paredes feitas de desdéns,
confinado à mais de cem dias de isolamento,
tempo demais sem o previlégio dos teus lábios
serenos para atear fogo no tédio, um vazio além
do meu entendimento; muita gente me despreza
como se eu não tivesse sentimentos mas a verdade
é que trago em mim um gigante feito de açúcar, cuja
a cabeça está acima das nuvens, uma doçura que mal
me cabe e pouca gente sabe, mas eu sei que flores hão
de brotar, nas têmporas, nos tímpanos, em cada parte
sofrida em mim até que a pequena pétala no meu peito
se transforme em um bonito jardim...

sábado, 10 de maio de 2014

Efusivos sorrisos contra os sensíveis invisíveis...



Pintei uma carinha feliz no curativo do teu dedo,
quantos versos em guardanapos, confesso, sempre 
tive medo de ser pisoteado, ó, como eu sou pequeno 
em vênus! Cambaleante noite ébria de estrelas cintilantes,
ela ali tão só e eu tão sóbrio, eles têm filmes de tv à cabo 
em quartos de motel, eu? Bem, eu só tenho um bom banho 
no meus fins de noite e a vista do céu do meu quintal quando
vou estender a toalha, falha, vez por outra a memória falha, 
mas se bem me lembro eu tive um sonho, suponho que era um 
sonho...era um barulho ensurdecedor de sorrisos efusivos contra 
todos os sensíveis invisíveis, vi meu nome escrito em um coração
partido desenhado, era meu finado amor estampado em camisas 
e panfletos presos em para-brisas de automóveis flutuantes, parecia 
mais solitário do que antes, cena de cinema mudo, via teus lábios se 
moverem, mas tava no "mute", prestava atenção na legenda que dizia:
"A gente nunca foi tão amigo assim", tentava um último contato da pele 
de nossos indicadores, cercada de flores, fiquei vendo você se distanciando, 
distanciando,quando dei por mim já havia feito um ano...

quarta-feira, 7 de maio de 2014

A lua ao longe



A lua ao longe, 
estranhos na fila 
do cinema, mistérios
e insanas cenas, é sério,
o que  eu fui pra ti, não 
interessa nem um pouco 
saber por que parti? 
A lua ao longe, estranhos 
na praça sem graça, pôxa, 
cansei de ser teu contratempo 
e fui embora na trouxa do vento 
porque o tempo passa; a lua ao longe, 
quase caio, estranhos espectadores incolores
quando fui deixado em pleno mês de maio,
quase noite, o sol se esconde na laje, a imagem 
do teu melhor sorriso projetado na lua ao longe...

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Amor raro, mar pelo ralo...

Dias de peleja, 
águas de naufrágio,
olhos de um sentimento 
frágil à marejar, a tristeza 
à velejar pelo calmo mar do 
meu globo ocular, deriva, um 
rio em cores vivas que não se 
mistura com o oceano em preto 
e branco do meu coração desbotado, 
implora vida, talvez alguém do lado, 
a ciência exata da paciência nunca fez 
parte do meu entardecer, "um nasce pra 
sofrer enquanto o outro ri", e eu tenho quase 
certeza que só vim aqui pra esquecer... 

sábado, 3 de maio de 2014

Epitáfio:"Um dia dei-me ao entusiasmo..."


Sentença...na saúde, na doença,
em tudo solitário, um otário à vagar
pelas ruas sob o olhar impessoal da 
lua, andando por aí do jeito que eu 
quero, as magras mãos nos bolsos vazios, 
isso, exatamente isso, o perfeito estereótipo 
do cara intitulado "zero"; passei anos à fio 
caído em terras inférteis pranteando em silêncio, 
a visão turva da terra suspensa flutuando sobre 
mim, todos acima, desertos de poemas sem rimas 
aqui embaixo, aquele planeta ao longe de pessoas 
de efusivos sorrisos onde não me encaixo, o lar dos 
mortos de felizes, trago visíveis cicatrizes de frustrações 
do coração, adquiri um certo pavor de gente, pra eles já 
fui até demente, agora estou apenas dormente, um sonâmbulo
que perambula nos arredores dos devaneios dos sonhadores,
um chão de dores me acompanha, talvez eu seja o mal sonho
de alguém, há sempre alguma moça despertando aliviada, caindo 
em si ao meu respeito, me afasto sem jeito, eu sou uma piada de
mau gosto contada em meados de agosto, 30 anos se passaram
na vida do pobre cronista, eu ganhei teu "não", a graça da sensatez 
por mais triste que tenha sido a decisão, ainda penso muito em ti, agora
já velhinho, choro com a lembrança daquele teu pendrive verde com cara 
de sapinho... 

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Mari-baunilha, sangue limão...



Mari-baunilha, 
eu, você, uma ilha...
mar à noite, mão na mão, 
sangue limão pulsando, oração, 
coração, meus dedos entre os teus, 
entre o céu e o solo, colo, ei, flor, sabe 
as tuas pétalas? Leva-me, pois, nelas, 
vai, faz favor, seja pra onde for, ei, anjo, 
esconde esse maior abandonado chamado 
"marmanjo" sob tuas asas perfumadas, pois 
não tenho casa pra ir, nem sequer onde dormir,
tu és tão linda e eu tão nada, trago apenas esse 
raro amor que me dói e uma alma necessitada de 
reparos, razão demais destrói a fé no quase impossível, 
e mesmo sem ter teu endereço, pago o preço do final feliz, 
eu, você, uma ilha, Mari-baunilha...

sábado, 26 de abril de 2014

Sonoro sol...


Silenciosamente...
inquieto coração de mar bravio sem navio 
algum no horizonte, faz frio, dormi ao relento, 
eram as primeiras horas da manhã, a lembrança 
das lindas maçãs do teu rosto me fizeram revirar 
por toda a extremidade da praia, quero que você 
saia de mim, mas eu sei que não vai ser assim tão 
fácil, é preciso muita calma para ter uma tatuagem 
removida da alma, no meu caso é o mistério desse 
teu sorriso tranquilo bonito que me tira do sério, 
uma fotografia tua dentro de uma garrafa solta na 
minha corrente sanguinea, você em mim mas nunca 
minha, implorava cura à um céu de nuvens escuras 
quando o sol se espreguiçou timidamente nos primeiros 
fios luminosos, depois saiu de vez em tom de valsa, dobrei 
a barra da calça e caminhei contente por estar vivo, deixar
a onda suave acarinhar meus pés descalços, bem querer,
outra vez desisti de te esquecer...

quinta-feira, 24 de abril de 2014

O último à sair da lanchonete...







Estou mudo e mudando, 
tô vendo através de tudo 
porque não vejo graça em 
nada por agora; abandonei 
meu lanche pra dar uma volta
lá fora com a mente à divagar, 
o reflexo do meu semblante distante 
na pequena poça de refrigerante deixada 
na mesa enferrujada dessa lanchonete esquecida, 
olha ali a vida tentando atravessar a avenida, um 
trânsito caótico, mas eu espero que desta vez ela 
consiga alcançar esse cara outrora neurótico, agora 
sereno, a paz de sentir-se pequeno, quase um invisível 
entre tantos rostos estranhos, era tudo que eu queria,
brincar disfarçadamente de decifrar olhares, imaginar 
a causa de certos sorrisos, alegrar-me indiretamente, 
tá pertinho de escurecer, eu vou torcer, eu vejo fome 
em algum canto desse mundo diferente, do lado oposto 
sinto desgosto em ver cinzas de cigarro apagado sobre 
um pudim desprezado, eu vejo gente enfadada de tanta 
atenção, e "farrétempo" que já não tenho um coração 
assim só pra mim, escrevo versos pra alguém que talvez 
nunca conheça, são quinze para meia-noite, quase terça...

domingo, 20 de abril de 2014

Benfica...





Ei, olá, quem sou eu?
Pouco importa, oi de novo,
me mostra essa tua cara de
melancolia por trás dessa máscara
de boemia e me beija com honesta
serenidade, que é só o que me resta
de esperança nesta parte da cidade;
somos estranhos com tanto em comum,
eu sei, eu sei, sou só mais um, mas mesmo
assim não consigo disfarçar o imediato apreço
sem tamanho no blues dos meus olhos castanhos,
esqueço de mim nesse perambulante amor de traste,
fugi praí  assim que me senti abandonado, agora um
contraste bem constatado, confortavelmente em ti sem
poder me mover, a rua vazia e a lua já no alto, ei, olá,
quem eu sou? Sou aquela árvore ali no meio do asfalto...

terça-feira, 15 de abril de 2014

Tava ouvindo Nirvana...







Vagando e divagando do seu 
peculiar modo imperfeito, olhos 
vermelhos de um peito surrado, 
tipo assim, joelhos à mostra no seu 
jeans grunge e o cabelo ruim; pois é, 
não é a primeira vez que ele foi o sonho 
mais rápido de alguém em suas descartáveis 
canduras, prende o choro e perde a fala, lamenta 
porque agora só serve para atormentá-la, mas nem 
é a primeira vez que a sua inocente presença se torna 
doença à uma alma de moça imatura, verdade seja dita,
muita gente apenas o atura, todos tristes no amor, desertores 
e abandonados, cê viu, outra vez o poeta vadio foi deixado de 
lado, nada de bom, nada de tão mal, nada de novo no estranho 
mundo do vagabundo sentimental!

sexta-feira, 11 de abril de 2014

À bonita solidão...

Revirando gavetas de arquivos
de memória no meio da noite encontrei
a lembrança do dia em que nos falamos
pela primeira vez, um encontro de desacreditados,
ambos olhando para trás meio sem graça, tal hora
a gente sorri e disfarça, era difícil admitir nossa falta
de sorte com nossos estranhos corações pelo mundo
a sós, e eu me indagava pra onde estariam indo nossas
orações que nunca prestavam atenção em nós! De cara
me encantei e não pude acreditar que nunca haviam te notado
da forma como eu te olhei naquele dia, queria escrever sobre
você, queria te desenhar, queria te esconder dos dias frios sob
o ensolarado céu da minha boca toda vez que pronunciava teu
nome, estavas no âmago, tanto que tudo ao teu respeito me fazia
tremer o estômago; foi-se um ano e eu não sei pra onde foste, certeza
tens outro alguém e o deixado continua sem, meus olhos brilham ao reflexo
dos faróis dos automóveis na avenida, um passeio de bicicleta pela cidade
com o peito cheio, muito cheio de saudade, achei que ia chorar, mas não,
tô cortejando outra, um céu bonito, tanto quanto você...solidão.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Menino inverno encontra a moça primavera



Versos sussurrados do menino de terno surrado 
à mocinha de vestido florido, ambos sob a chuva, 
um estranho colorido declarando o fim do inverno, 
cessam as dores com a chegada da estação das flores 
e a garota que rodopia pela cidade com seu olhar cantante
reparou no rapaz que nunca soube o que é ser prioridade, 
acostumado sem ninguém do lado, com seu velho cargo de 
"Na falta de algo melhor...", hoje pode ouvir claramente do 
sol que não seria mais tão só. Sempre sonhou em ser salvo por 
um abraço de braços brandos, lembrando de incontáveis frustrações 
em ilustrações de traços toscos em preto fosco, o amor da vida do 
menino triste existe e não exigiu um  encontro em lugares deslumbrantes 
com gente esnobe, comida cara, nem nada, aquela nobre amiga especial 
super adorou a idéia do cenário de teto estrelado e singelo lanchinho na calçada...

sábado, 5 de abril de 2014

Eu, a mosca em volta da tua caixa postal

Sou o inseto 
do afeto... vivo voando 
sem jeito e com certo receio 
ao redor da tua caixa do correio, 
sujeito à enganos, um mísero ser 
isento de calor humano que se alimenta 
de sentimentos que muita gente inventa; 
sou sempre o primeiro à ler tua correspondência, 
claro, na maioria das vezes são apenas contas, 
nada contra coincidências, só detesto o fato delas 
nunca me acontecerem e todos meus amores sempre 
me esquecerem como de costume, mas quando sinto 
perfume nos papéis me encho de ilusão, ignorando 
qualquer tipo de razão, então me ponho à sonhar 
que aquelas belas palavras da carta apaixonada 
são de mim pra ti, queria dar-te rosas mas sou pequeno 
demais, não suporto sequer o peso de um simples bilhete, 
que dizer de um ramalhete...

terça-feira, 1 de abril de 2014

Fábio pulou...



 

Cálida manhã 
de pálidas maçãs
do rosto exposto 
ao céu nublado de 
sábado, a vida é tão
difícil lá embaixo, mas
tudo parece tão calmo
do alto desse edifício, a
um palmo do fim; o mar
ao longe e a imensa vontade
de voar até lá, mas é que eu
esqueci minha capa, sei lá, vai
que ninguém precise de mim e
eu queira ir mesmo assim, imaginar
teu chamado e mentalizar você aqui 
do lado, esse herói falido que desprezas
preza teus mínimos detalhes, te escreve
alguma poesia todo dia e sempre tira um
tempo para divagar em devaneios sobre
tudo o que disseste, só que continua insistindo
em desistir, penso eu, caio em si, já se foi há
quase um ano, me pego rindo sozinho da minha
estupidez, era uma vez um menino diferente, vou
em frente e me deixo cair, caindo, rindo, indo,
olha ali o chão, tava quase, quase chegando, despertei,
acordei chorando...


sábado, 29 de março de 2014

Sombras, sobras...

Pela cidade,
noite; peles pálidas
de lábios solitários à
moverem-se vagarosamente,
ih, fodeu, gente falando só sob
luzes de eletricidade ao som de
tristes trilhas sonoras de quem
perdeu, invisíveis estrelas perdidas
em um céu nublado, vai chover, vai
chorar, vai desabar o temporal de um
coração cheio de tanto nada, já há muito
sem ter com quem desabafar, hoje sangrará
até estancar mas certo é que alguém finalmente
ficará bem, tipo, entre sorrisos e soluços, ouço
ao longe o canto calmo da brisa de liberdade,
sombras, sobras, pela cidade, saudade...

quinta-feira, 27 de março de 2014

Flores contrariadas








Expectativa: Gentileza.
Realidade: Frieza! Um filme
pouco assistido, nossas vidas
divididas em dois quadros de
um romance falido, há tempos
vago pela névoa da tua vaga
lembrança, cada vez mais o
esquecimento me traga, e essas
flores dispensáveis que te trago
enquanto provas as novidades
de outro amor, um novo, seja lá
quem for, só sei que nada sou e
nada fui pra ti, um reles cara bacana
indo intencionalmente em direção à
casca de banana. Minha infeliz visão
de raio x que me permite ver as cartas
que te escrevi envelhecendo nas profundezas
empoeiradas da tua velha cômoda prestes à
ser jogada fora, é, agora sou uma espécie de
doença, uma desavença, uma afronta ao teu
bem estar, continuo caindo regularmente nas
armadilhas que a má sorte apronta, um fiel cão
à porta de uma casa abandonada, sem dono,
faminto e sem sono nessa insana espera de nada...