domingo, 27 de setembro de 2026

Desencontros, desencantos...




Desencantos, desencontros, alguns até tentaram, mas apenas encontraram amor em contos, outros tantos apenas sobejam sentimentos e não reconhecem o que de bonito no caminho possui, mágico se não fosse irônico, trágico se não fosse cômico, oxalá nunca tivesse sido platônico, mas a verdade é que eu sempre fui, décadas de "quase" e ilusões de varandas ao longo da cidade, paixonites tão menos reais que minhas crises de ansiedade e labirintite, lamúrias de desamores, lembranças de coração partido e eis que então penso na solidão daquele querido que num quarto barato qualquer de motel partiu só numa overdose de pó, pai de primeira viagem, o tipo que quase ninguém mais menciona, o cara quase nunca marcado nas postagens, invisibilidade em vida e no mundo virtual, uau, dez anos voam e em muito menos tempo podemos ser definitivamente deletados das memórias dos que se dizem "sãos" ou se auto intitulam "santos", agraciados os que têm amigos e amores em dias invernais e noites de domingo, desencontros, desencantos...

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Notas da caverna...






Do pó ao pó, da água pro vinho, precisamos parar de romantizar que não seja possível morrer sozinho, muitos sem amor eu vi partir e cada vez mais se evidencia a verdade de Tim Maia que "...um nasce pra sofrer enquanto o outro ri", a cordialidade do sol versus a antipatia do homem e assim afetos ficam cada vez mais raros, tempos de violência gratuita e sorrisos tão caros, "Deus" agora é tipo uma gíria na boca de "direitocidas" hipócritas, coisas ditas sem essência e sem reais boas intenções, eis a era das redes sociais, pseudo amigos, obsessões estéticas e falsas reações, os infernais tribunais virtuais e seus escolhidos réus, agradeço aos céus pelos que ainda encontro por aí tentando, pelejando, rogando ao pai celestial pela saúde de tranquilos amores com o mínimo de respeito e dignidade no caminho, ah, vida adulta, se fazer de doido é a lei pra não sucumbir às pressões de uma cidade filha da puta, da água pro vinho, do pó ao pó e hoje aos 45 ante a utopia da "felicidade constante" e tudo mais que se opõe ao "alívio", yes, sir, escolho estar só...

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Ansiedade versus serenidade





Um dia era só o mero escuro, anos mais tarde o que mais assombrava era o futuro, ora veja só você, de tanto que no passado vivi, de nostalgia em nostalgia por vezes quase sucumbi à deprê, vaguei entre prateleiras de uma extinta video locadora e uma saudosa loja de discos ali na Praça do Ferreira que há muito fechou, me chamam de "doido" e eu digo "romântico a retrô", só que a certa altura descobri o perigo de estar sempre voltando no tempo e aí acabei substituindo pela aflição do porvir, vez por outra em par com a solidão e de súbito um medo absurdo de no mundo estar completamente só, fase adulta, fantasmas agora dentro de nós e contrariando aquela célebre frase, sim, os olhos não vêem e mesmo assim o coração ainda sente, que porra de ironia, um melancólico forçado a sair pra ver gente, temores, tremores, ontem quase cedi, quando então num salto decidi recorrer ao mar e ao asfalto, nadar, fumar um, ouvir uma musiquinha e pedalar, bem, infelizmente disso também é feita a vida, né, de presenças incômodas e visitas indevidas, ontem ouvi nitidamente ela bater na porta do peito com certa violência e quis porque quis invadir meu ser, VAISIFUDÊ, resisti pela benção da ciência e pela graça da divindade...ansiedade.

domingo, 5 de julho de 2026

Desertos nossos de cada dia...



No âmago da minha solitude fiz uma oração, os diferentes do mundo por muitos taxados como "doidos", mas os extremistas religiosos se dizem os mais "sãos", sim, sou um aleatório homem de fé, por incontáveis vezes marginalizado pela minha aparência e é claro que eles não ligam se sofri com falsas expectativas e o peso da ausência, não, eles não viram aquele otário levar um "fora" no dia do seu aniversário, não, eles acham que eu não amo porque não chorei no velório do meu irmão, eles e seus estereótipos, nós e o nosso "sentir", agradeço aos céus pelos gentis estranhos e sorrisos sinceros ao longo do caminho e aonde não me senti inserido me deixei partir, a cidade sob tão exuberante lua, a simplicidade daquelas pessoas e suas "comidas de rua", os horrores dos conservadores versus sonhos progressistas, eu tenho uma extensa coleção de amores platônicos e meu melhor amigo da vida é um cientista, de saudades e distâncias bem entendo, gracias, bom Deus, pois já não sou mais aquele moleque à flor da pele que agia puramente por emoção, hoje temo mais euforias e alegrias demasiadas, em plena avenida movimentada mesmo assim eu fiz uma oração...

sábado, 2 de maio de 2026

E é mais um fim de semana no futuro frio...


E é mais um final de semana no futuro frio, a solidão tão mais ensurdecedora do que o mais irritante barulho de moto, dos mais comuns enganos de hoje, achar que tal criatura é gente fina só porque vive sorrindo nas fotos e me pergunto por onde andam os solitários em suas devidas janelas, vida de celular, tudo, tudo filmado,nem as lágrimas são respeitadas mais nas telas, seja no desespero de fazer sorrir ou forçar outros tipos de emoções, ilusões banalizadas, nossa, até a graça de curtir "fossas" estão tomando de nós, zero vezes nada, agora só curtidas nas postagens e frustrações nas caixas de mensagens, era uma vez doces esperas e bilhetionhs de amor, vixe, meras lendas dos seus antepassados, eis aqui um viajante do passado preso numa realidade do qual não pertenço, às vezes otimista, mas na maioria das vezes muita merda penso e sigo pedalando cá com meu melhor amigo de sempre, 
ele, o vazio, bem, quem de bem não vem que parta, já são quase trinta anos desde a última vez que recebi uma carta, outra vez o amor fingiu que não me viu e é mais um fim de semana no futuro frio...

terça-feira, 24 de março de 2026

Quantos filhos da puta!


E então o tal "futuro", tempos de fome e sede...de amor, humor pra ferir, zombar, tudo, menos sorrir, volto no tempo e me imagino na rede na varanda à noite, ouvindo as canções do meu tempo que hoje chamam "flashbacks", inocentes tempos adolescentes que com pouco se diverte, tão diferente que era o "gostar" da nossa época e a vida sem internet, tão, mas tão vazias as calçadas de hoje, gente sentada às portas só em algumas periferias e como eu preferia e prefiro o antes ao agora, lá fora o vento sopra enquanto aqui dentro temporariamente cai a conexão, ah, quanto tempo que não sento no chão pra ver televisão, que saudade de ver novela com a família, virei "ilha" em tempos egoístas de divisão, pessoas maldosamente opinando sobre a vida alheia, mas estranhamente se "inibindo" de abençoar e bendizer o próximo, a distorcida e cruel religião sem genuína fé, pois é, gente que na alegria dos outros fogo ateia, a miserável "direita" que onde chega, enfeia, "verdades" e mais "verdades absolutas" e nessa certeza burra do " merecido caminho certo", me perdoa, Deus, mas quantos filhos da puta se auto intitulando "exclusivos filhos teus"...

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

A rede (anti) social...



A vida por detrás das telas e as paisagens além das reais janelas, extremamente necessário se faz vez por outra perambular pela cidade, violência, ego e vaidade, basicamente os "carros chefe" do mundo virtual de hoje, a pseudo "felicidade" agora se resume a "caras e bocas", vídeos curtos em lugares caros frequentados ao som das pretensas "trilhas sonoras da vitória" e meras imagens, até os términos passaram a ser mais frios e dolorosos via mensagens, de contatos físicos pouco a pouco se esquece e a relação "olho no olho" cada vez mais enfraquece, quase ninguém mais encara o nada perdendo-se em pensamentos debruçados na janela, escassez de românticos, o samba a dois perdendo o ritmo na realidade regida pelo tal algoritmo, é, Deus, a raça humana definitivamente não tá legal, as ilusões das super relevâncias, a falsidade normalizada e os milhares de "amigos" na rede (anti) social...