quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Sabe como é e tal...







Às vezes puto, às vezes "zen", um ser isolado em seu planetoide não quer briga com ninguém, aquele lá sou eu à vista de alguma luneta, "Respect" como há muito cantou Aretha, pessoas mundo afora desesperadamente tentando ser amadas ainda que sem sucesso e cá estou, um grão de poeira ante a vastidão do universo e mesmo assim em paz como tanto quis e não pude em minha conturbada juventude, por quantas vezes esquecido amor próprio, os filmes favoritos que tanto quis ver junto com amigos, mas convidar não me atreveria porque, francamente, não acho que alguém viria, importâncias e atenções que de muitos não tive até que fosse conveniente, migalhas que esperei cair da mesa ao longo da vida e hoje eu sou um anônimo contente, assobiando em sua bicicleta no calçadão da orla, feliz invisível à espera de nada, sem dias ou noites promissoras além de "reels" compartilhados e frias mensagens impessoais de operadoras, versos soltos que recito aos ares afim de encontrar reais afetos, nem tão bonito, nem tão esperto, o sagaz de mim passa de largo, no baseado um trago e sopro deixando a visão da lua turva, só mais uma curva e logo, logo estarei de volta à minha triste rua, somos instantes, amores em restaurantes, postagens com aquelas trilhas sonoras de "viórias", sabe como é e tal, mostrar ao mundo virtual o quão "bem" estão e então o contraste com a última prece de um suburbano sob a santa água do chuveiro, agradecendo ao pai pelas paisagens ao longo do caminho e por ter chegado em casa inteiro, viver=gastar, estúpido significado pra grande maioria, respirar, locomover, ter o que comer e assim devidamente glorifico meu Deus ao findar do dia...

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Terapia em movimento...






Muitos chamam "loucos" e levam à mal os que voluntariamente se isolam, mas eu não sou exatamente um misantropo não, sabe, é só que dependendo do circulo social eu prefiro animais e bikes, dias de hoje, tantos perdidos no mundo virtual procurando "abrigo", entre "números, visualizações e likes", chamando qualquer um de "amigo" , bem, após os quarenta isso já não me admira, "mentira" super define, daqui do asfalto vejo uns montes afundados nos vícios, outros no crime, até sonhar tá complicado, quem diria, odeio "sonhos" de padaria e aqueles em que desperto sem o singelo e breve toque das mãos que senti enquanto dormia, eu sou rei dos "quase" e dos amores platônicos pedalando para não ser vencido pelo vazio e a monotonia, amigos escassos, anos e anos sem abraços e de quebra não consigo externar meus choros, a inevitável ansiedade de um trovador implosivo pelas avenidas da cidade, fim de tarde, quase noite, madrugada, quase dia, muitos me recomendam "análise" para a saúde da alma e seus cortes, mas é ao relento, sob a luz da lua e dos postes que faço minha "terapia em movimento", nos meus fones sons de melancolia, Radiohead, Norah Jones, sei lá, talvez eu pire um dia, talvez seja um alerta, foda-se, aqui pelas "noites lombrísticas", no âmago dos meus devaneios e desvarios solitário rio, imensamente agradecendo ao Deus bendito pela minha "psicóloga de metal" chamada "bicicleta"...