sábado, 11 de junho de 2011

O paraíso da praça mais bonita do bairro














A cômoda perdendo a cor,
tuas cartas na primeira
gaveta, dez anos passados,
amanhã é domingo, dia dos
namorados, soube esses dias
que você casou, até filhinho
já tem, tenho vagado pelos
desdéns da sorte, sem;
Não tenho mais pra quem
escrever, até escrevo, mas
pouca gente lê, não penso
em presente, sou um ser
que sente o amor em volta,
e de tantas voltas, desnorteio,
o receio que vira angústia de
uma solidão eterna, ah, esse
azul tão intenso sobre meus
infortúnios, oh, que túnel
escuro sem mais previsões
de fachos de luz, no final, a
melancolia desse belo dia
me deixa mal, e se traduz
na tristeza que eu transmito,
e consequentemente atraio,
o programa chato de TV que
eu assisto sem som, o céu
assistindo-me da janela, minha
vida é uma reprise, sem ela
...e, quem seria ela?
Ela é a coisa mais linda
do mundo, pra mim, e eu
queria ela sentada comigo,
na praça mais bonita do bairro,
divindo uma noite estrelada,
que insiste em me fazer sentir
um "nada", na verdade, não
sei se ela existe, mas espero,
e já nem me desespero mais...